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Infográfico RepresentaCoop

Infográfico RepresentaCoop (2)

Com foco nos negócios, programas ajudam cooperativas a conquistar mercados

Pesquisa recente realizada pelo Sistema OCB mostra que as cooperativas são cada vez mais conhecidas pelos brasileiros e que 88% consideram o coop um modelo de negócio atual, inovador ou moderno. Para transformar essa admiração e reconhecimento em resultados, a Casa do Cooperativismo Brasileiro aposta em estratégias de negócios para aumentar o faturamento das cooperativas de forma organizada e sustentável e fazer com elas cheguem a cada vez mais cooperados e consumidores. 

Com esse foco, desde o ano passado, o Sistema OCB tem uma área exclusiva de negócios, que trabalha de forma articulada com as organizações estaduais para apoiar as coops de todo o país a prospectar e fechar bons negócios. 

“O Sistema OCB trabalha há mais de cinco décadas para oferecer soluções que visam a sustentabilidade dos negócios das cooperativas brasileiras e, nos últimos anos, principalmente após os efeitos do impacto econômico pós-pandemia, temos percebido a necessidade de atuar cada vez mais próximos das nossas cooperativas nesse sentido”, explica a  coordenadora de Soluções de Negócios do Sistema OCB, Pamella de Lima. 

A nova estrutura reúne as iniciativas de desenvolvimento mercadológico de cooperativas que já existiam e é responsável pela elaboração de novas soluções de negócios. O objetivo do novo time é claro:  ajudar as cooperativas brasileiras a acessar oportunidades de novos mercados e clientes para vender mais e melhor, de maneira sustentável.

Uma das ferramentas para essa missão é o Programa NegóciosCoop Nacional, criado para apoiar  pequenos e médios empreendimentos cooperativos, com soluções direcionadas de acordo com o tamanho e perfil das coops. Em 2023, a iniciativa começou a ser implementada de forma piloto com cooperativas agropecuárias de pequeno porte (especialmente da agricultura familiar e extrativistas) e de artesanato da Região Norte. 

O programa começa com um diagnóstico presencial aplicado com o apoio de analistas do Sistema OCB e de uma consultoria técnica contratada, em que os cooperados realizam uma análise completa da situação do empreendimento em cinco aspectos:  organização social, produção, gestão, agregação de valor e verticalização de cadeia e mercado. A partir dos resultados dessa avaliação, é traçado um plano de ação que indica consultorias, instrutorias e eventos de acesso a mercados focados em promover novos negócios e conexões profissionais. 

“Todo o processo é acompanhado por técnicos das organizações estaduais do Sistema OCB, a fim de que a cooperativa tenha apoio do início ao fim do programa. O objetivo final é que a partir de um posicionamento organizado a cooperativa acesse novas oportunidades de negócio e consequentemente aumente o seu faturamento”, explica Pamella Lima. 

Até abril deste ano, o Programa NegóciosCoop atendeu 41 cooperativas pelo Brasil, inclusive algumas em plena Amazônia, acessíveis apenas por barco, em um total de 1.718 horas de consultorias realizadas. 

“Os resultados têm sido significativos,  temos observado ganhos como a compreensão e sentimento de dono do negócio pelos cooperados, conquista de novos clientes institucionais e privados, captação de recursos, entrada de novos cooperados, aumento de faturamento e entendimento claro do cooperativismo como um modelo de negócio”, lista a coordenadora. 

Este ano, o Programa NegóciosCoop entrou na fase de escala e chegará a cooperativas de todos os estados do país. As equipes das organizações estaduais que irão atuar no programa já começaram a receber treinamento imersivo e terão suporte constante do time nacional do projeto. Além disso, as cooperativas de reciclagem serão as próximas a receber uma versão customizada do programa. 

Primeira nota fiscal 

Uma das participantes da fase piloto do Programa NegóciosCoop foi a Cooperativa de Agricultura Familiar de Serra Pelada (Cooasp), de Curionópolis, no sudeste do Pará. Após o programa, a cooperativa emitiu sua primeira nota fiscal e se prepara para comercializar parte de sua produção para a merenda escolar do município. 

A Cooasp produz alface, coentro, cebolinha, couve e outras hortaliças há seis anos, mas vendia sua produção de maneira informal. A mudança de rota veio com a participação do Programa NegóciosCoop, segundo o diretor presidente da cooperativa, Ramon Marques. 

“Três meses após o programa, já fizemos a primeira emissão de nota fiscal, assinamos contrato com uma grande empresa que fornece alimentos para refeitórios, nos estabelecemos no mercado local e estamos expandindo para o mercado regional”, conta. 

Além do resultado imediato, Marques diz que a Cooasp ganhou autonomia e fortaleceu sua identidade cooperativista, se apresentando para os consumidores como uma opção social e economicamente viável para gerar emprego e renda com a agricultura familiar em um município conhecido pela exploração garimpeira. 

Parte da produção da Cooasp agora irá direto para a merenda escolar das escolas da região, depois que  a Coop venceu a chamada pública do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), uma iniciativa federal que destina recursos para alimentação escolar nos estados e municípios brasileiros. Segundo Marques, a cooperativa também se prepara para fornecer suas hortaliças para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que compra produtos da agricultura familiar.

Para atender à demanda, a Cooasp teve que triplicar a produção nas lavouras e, até o fim do ano, planeja saltar de 20 mil para 200 mil hortaliças por mês. “Em junho também vamos inaugurar uma agroindústria de polpa de frutas e fabricação de doces e geleias artesanais. Nossa meta até 2030 é ser a maior cooperativa de agricultura familiar da região Carajás  e uma das cinco maiores do estado do Pará”, planeja o presidente da Cooasp. 

Novos mercados para o coop brasileiro

Além do Programa NegóciosCoop Nacional, o Sistema OCB tem estratégias de negócios para cooperativas de outros ramos e tamanhos, seja no mercado brasileiro ou internacional. 

“Temos iniciativas para apoiar a inserção em mercados, ampliar e diversificar as vendas dos produtos por meio de participação em feiras, rodadas de negócios e missões internacionais”, lista Pamella Lima.

Em 2023, o Sistema OCB apoiou a participação de 20 cooperativas de artesanato e agricultura familiar em duas importantes feiras do país: a 5ª Feira Nacional de Artesanato e Cultura (Fenacce), em Fortaleza; e a 30ª Agrinordeste, em Olinda.

As coops expuseram seus produtos em um estande institucional do Sistema OCB, chamado de Loja Cooperativa, uma estratégia para atrair a atenção do público para os produtos do cooperativismo. Na 5ª Fenacce, as vendas na Loja Cooperativa totalizaram R$61 mil e as coops assinaram 40 contatos nacionais e 24 internacionais, com previsão de vendas de R$130 mil. 

Em 2024, pelo menos 40 cooperativas brasileiras irão participar de quatro feiras de negócios de grande relevância no cenário nacional. O Sistema OCB participará dos eventos com um estande chamado "Cooperativas do Brasil", em que as coops poderão conquistar novos clientes e ampliar sua rede de contatos.

Outra solução de negócios tem aproximado as cooperativas do maior comprador do Brasil: o Poder Público. De forma online e gratuita, o serviço Cooperativas nas Compras Públicas monitora as oportunidades de compras governamentais, sejam municipais, estaduais ou federais, e alerta as cooperativas cadastradas de forma personalizada sobre editais e licitações lançados pelo governo. Em 2023, a plataforma registrou 235 cooperativas cadastradas e monitorou mais de 35 mil editais  de interesse das coops. 

Em outra frente de negócios, o Sistema OCB aposta na intercooperação para gerar mais resultados. É o Coop Compra de Coop, uma iniciativa realizada durante a Semana de Competitividade de 2023 que ajudou 13 coops dos ramos Agropecuário, Transporte, Trabalho e Produção de Bens e Serviços a fecharem negócios com cooperativas de todo o país durante o evento.

As cooperativas vendedoras receberam o apoio do Sistema OCB para gravar pequenos vídeos sobre seus produtos, que foram transmitidos no fim de cada palestra. Uma área do evento também foi reservada para que as coops pudessem receber clientes, negociar vendas e prospectar contratos futuros. 

No mercado internacional, o foco da área de negócios é abrir fronteiras para que os produtos coop brasileiros ganhem mercado mundo afora. Esse trabalho é feito em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), por meio do Programa de Qualificação para Exportação do Cooperativismo (PEIEX Coop), que tem foco na sensibilização e capacitação individualizada de cooperativas para aumentar sua competitividade exportadora. 

Além da promoção das exportações, outra porta de entrada para os produtos coop no exterior é a participação em feiras, rodadas de negócios ou missões internacionais. “As missões possibilitam o fortalecimento de laços e parcerias estratégicas que ajudam as cooperativas a ingressarem nesses mercados. Por sua vez, as feiras internacionais funcionam como vitrines para que as cooperativas apresentem seus produtos em escala global, criando oportunidades de contato e negócios”, explica a coordenadora. 

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Exportação: veja como o Sistema OCB apoia negócios internacionais

Exportação parece um tema para grandes cooperativas, certo? Uma coop agropecuária do interior de São Paulo provou que não e já vendeu mais de 6 mil toneladas de limão-tahiti para países como  França, Holanda, Inglaterra, Noruega, Suécia, Alemanha, Portugal e Espanha. 

Com 30 produtores cooperados, todos com certificação de boas práticas GLOBALG.A.P e GRASP., controle de pulverização e garantia de procedência e rastreabilidade, a Cooperativa de Produtores de Limão de Urupês (Cooperlimão) abriu as portas para o mercado externo em 2019, com apoio do Sistema OCB, por meio do Sescoop/São Paulo. 

“A abertura de mercado externo representou para os cooperados melhores oportunidades, além de via de escape para produção destinada para comercialização pela cooperativa, tendo em vista que o mercado nacional não tem capacidade suficiente para absorver o importe de limão-tahiti produzida no próprio território”, explica a gerente da Cooperlimão, Francieli Campana. 

Atualmente, a coop vende parte de sua produção para o mercado externo por meio de tradings, agentes e comerciais exportadoras e se prepara para iniciar a venda direta, sem intermediários. A mudança deve garantir mais rentabilidade para os cooperados e abrir portas para comercialização de suco e óleo de limão tahiti, além da fruta in natura. 

“Nosso objetivo agora é fomentar a exportação de forma direta, estreitando o processo sem que haja dependência de agentes e tradings comissionadas. De modo que a cooperativa possa, de forma segura, tratar diretamente do preparo e produção da fruta até o cliente europeu final”, planeja a gerente da coop. 

A nova fase exportadora da Cooperlimão seguirá um plano de exportações elaborado com apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), por meio do Programa de Qualificação para a Exportação específico para cooperativas, o PEIEX Coop, fruto de uma parceria entre a agência e o Sistema OCB. 

“O treinamento e mentoria ministrados pelos especialistas em comércio exterior foi extremamente importante para o desenvolvimento do nosso plano de exportação. Os encontros forneceram ensinamentos sobre o processo de exportar de forma profunda e direcionada às especificidades da lima ácida tahiti, do país alvo e da cooperativa”, destaca. 

Apoio para exportar 

A história da Cooperlimão mostra que exportar é para coops de todos os tamanhos e que os mercados internacionais estão cada vez mais abertos a produtos de origem justa e sustentável, uma marca do cooperativismo. Em 2023, as cooperativas brasileiras contabilizaram US$ 8,4 bilhões em exportações diretas, sem contar os negócios via comerciais exportadoras. 

“Oferecemos suporte às cooperativas na exportação de seus produtos por meio do Programa NegóciosCoop Internacional, que inclui iniciativas como o PEIEX Coop, em parceria com a ApexBrasil; e também com apoio à participação das cooperativas em missões, feiras e rodadas de negócios internacionais”, explica a coordenadora de Soluções de Negócios do Sistema OCB, Pamella Lima. 

No PEIEX Coop,  desde 2021, 50 cooperativas agropecuária receberam capacitação, 36 delas estão em fase de qualificação e terão seus planos de exportação definidos até o fim de julho. Com uma metodologia específica para o cooperativismo, o programa da ApexBrasil em parceria com o Sistema OCB aborda todas as etapas do processo de exportação como identificação de oportunidades internacionais, certificação, conformidade, adequação de embalagem, precificação, frete, protocolos sanitários, entre outras. 

“O grande ganho desta parceria foi oferecer o atendimento personalizado feito por um especialista, lição que estamos replicando em outros setores e outros parceiros. Importante destacar também a aproximação entre qualificação e promoção comercial. A qualificação para exportação só faz mais sentido para a cooperativa quando as oportunidades de promoção comercial são oferecidas”, explica a coordenadora de Competitividade da Apex, Rita Albuquerque. 

No caso das cooperativas, além da participação em feiras e missões internacionais, as rodadas de negócio são grandes oportunidades de contatos com novos clientes. Em maio, a Apex realizou o Exporta Mais Brasil – Cooperativa. Durante o evento, 18 coops apresentaram seus produtos a nove compradores internacionais em 77 reuniões de negócios. A estimativa é que as parcerias fechadas no encontro gerem US$ 2,2 milhões em negócios para as cooperativas participantes nos próximos 12 meses. 

Café capixaba para o mundo 

Por meio do PEIEX Coop, a Cooperativa dos Cafeicultores do Sul do Estado do Espírito Santo (Cafesul), que reúne pequenos produtores de sete municípios da região, conseguiu colocar café especial capixaba no mercado internacional. 

Com 180 cooperados e 25 anos de trajetória, a coop produz cafés especiais, sustentáveis e certificados, a maioria provenientes da agricultura familiar. Desde 2008, a Cafesul tem a certificação internacional Fairtrade, que atesta o cumprimento de boas práticas éticas e sustentáveis e garante um valor adicional na comercialização. Com o selo, a coop conseguiu padronizar a qualidade de sua cadeia de produção, se tornou referência no mercado de café conilon e abriu portas para exportação. 

A Cafesul começou a capacitação no PEIEX Coop em outubro de 2023 e está na fase final de conclusão do programa. Antes, a cooperativa vinha explorando oportunidades nos mercados internacionais por meio da participação em feiras de café especial na Europa e nos Estados Unidos. Com a capacitação e o plano de exportações concluído, a Cafesul planeja começar a fazer vendas diretas, sem intermediários. 

“O programa impulsionou a confiança da cooperativa em negociar com clientes e expandir sua rede, especialmente em mercados-alvo como a Alemanha. A equipe técnica do PEIEX Coop tem sido essencial no esclarecimento de conceitos e dúvidas sobre as diversas etapas da exportação, potencializando inclusive os atributos relacionados à atuação sustentável e comércio justo que a cooperativa possui”, afirma o presidente da Cafesul, Renato Theodoro, que também lidera a Associação Brasileira de Produtores Fairtrade (BRFAIR).  

Além do apoio à exportação direta, o PEIEX Coop capacita as cooperativas em outras habilidades de negócios, segundo Pamella Lima. “O programa desenvolve conhecimentos internos nas cooperativas, capacitando-as para atuar de forma autônoma no comércio internacional. Como resultado dessa qualificação, as cooperativas não apenas aumentam sua capacidade exportadora, mas também aprimoram seus aspectos gerenciais internos, tornando-se mais competitivas no mercado nacional e aptas para o mercado internacional”, pondera a gestora.  

Novos ramos 

As cooperativas de artesanato estão no radar da área de Negócios do Sistema OCB para receber apoio e qualificação para exportar. A ideia é que as coops possam participar, por meio do Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), de feiras nacionais e internacionais, bem como de rodadas de negócios. A pauta é uma das demandas prioritárias da recém-criada Câmara Temática das Cooperativas de Artesanato, criada para representar os interesses das coops do segmento de todo o país. 

“Para o futuro próximo, nossas perspectivas são de fortalecer ainda mais as iniciativas de suporte do Sistema OCB à exportação de produtos das cooperativas que atendemos. Reconhecemos a importância de oferecer soluções estruturantes para impulsionar a capacidade exportadora dessas organizações, especialmente considerando o estágio inicial em que muitas delas se encontram. Esse é um tema prioritário em nossa agenda”, afirma Pamella Lima. 

 

Certificações internacionais 

Assim como nos casos da Cafesul e da Cooperlimão, as certificações internacionais ajudam a abrir portas de mercados no exterior e são fundamentais para cooperativas que planejam exportar. Esses selos servem para comprovar a qualidade da produção, mostrar o comprometimento com boas práticas sociais e ambientais e garantir que os produtos cumprem os requisitos legais para entrar no mercado de um determinado país. 

Conheça algumas certificações internacionais que podem ajudar as cooperativas no processo de exportação: 

  • Agricultura Orgânica – União Europeia;

  • Aquaculture Stewardship Council (ASC);

  • Fair For Life.

  • Fairtrade International;

  • Food Safety System Certification – FSSC 22000;

  • Forest Stewardship Council – FSC;

  • Global GAP;

  • Global Seafood Alliance – Best Aquaculture Practices (BAP);

Fonte: Apex 

 

Comece a exportar 

Se a sua cooperativa ainda não exporta ou quer potencializar as vendas no exterior, acesse o NegóciosCoop e conheça as soluções do Sistema OCB para apoiar as coops no mercado externo. A plataforma reúne conteúdos especializados sobre inteligência de mercado, estratégias comerciais, inovação, tendências e outras ferramentas para ajudar as cooperativas a vender mais e melhor.

 Pesquisa revela números positivos para a imagem do cooperativismo brasileiro
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Pesquisa de imagem aponta reconhecimento crescente do coop

Papel socioeconômico, modernidade e inovação são destaque entre os resultados


O Sistema OCB, em parceria com a instituição Checon, divulgou a Pesquisa de Imagem do Cooperativismo 2023, realizada em todas as regiões do Brasil, com a participação de 11.522 respondentes. O estudo, que utilizou as metodologias qualitativa e quantitativa em seu processo, apresentou uma visão ampla quanto à percepção da sociedade em relação às cooperativas. Os resultados revelam que 88% dos entrevistados de todas as regiões do Brasil consideram o movimento atual, moderno e inovador. Os dados indicam evolução quando comparados com os números de 2018, e destacam a importância de difundir os conceitos do cooperativismo para fortalecer e conscientizar a sociedade sobre seu impacto positivo no desenvolvimento socioeconômico do país.

Para Márcio Lopes de Freitas, presidente do Sistema OCB, os resultados comprovam um aumento notável no reconhecimento do modelo de negócios e uma compreensão mais clara de seus princípios e valores. "Os dados refletem o trabalho dedicado de todas as coops brasileiras, que mostram, na prática, os benefícios das cooperativas em suas comunidades e setores econômicos. É um espelho do impacto positivo que o cooperativismo possui na vida das pessoas e na construção de um futuro mais justo e próspero para todos”, afirmou. 

A pesquisa, em sua segunda edição, contou com a participação de 51,8% mulheres e 48,2% homens. A faixa etária até 29 anos contou com 23% dos respondentes, enquanto os com idade entre 30 e 49 anos somaram 46% e, entre 50 e 65 anos, 25%. As regiões Nordeste e Sudeste registraram o maior número de participantes. Juntos, seus estados contaram com mais de 60% de representatividade. 

Em um intervalo de seis anos, a pesquisa revela mudanças na percepção e no reconhecimento das cooperativas. Em 2018, 55,6% dos entrevistados admitiram não se lembrar de nenhuma coop e, em 2023, esse número caiu para 23%, o que demonstra uma consciência e familiaridade maior com o conceito cooperativista. Além disso, aconteceu uma crescente notável na menção espontânea de cooperativas. Em 2018, somente 28,6% dos entrevistados souberam mencionar o nome de uma uma coop. Em 2023, esse número saltou para 54,8%, o que indica um maior engajamento das marcas cooperativistas. Entre as mais lembradas estão Sicoob, Sicredi, Aurora, Coamo e Cocamar. 

Um em cada quatro participantes afirmou ter contato com a marca do SomosCoop e, 18% associaram o cooperativismo à união, aliança e soma de esforços, enquanto 16% relacionaram o movimento à ajuda, apoio e auxílio mútuo. A percepção de "ser um cooperado" foi positiva, com a impressão dos entrevistados de que fazer parte de uma cooperativa traz mais credibilidade para o negócio, tendo em vista o seu modelo democrático que promove o desenvolvimento de negócios locais.

O estudo permitiu notar uma receptividade favorável ao cooperativismo, embora ainda seja necessário aprofundar a divulgação de informações mais detalhadas sobre o funcionamento, os objetivos e os princípios do movimento. O entendimento do modelo de negócio foi muito associado ao seu aspecto social. Conceitos como preço justo, qualidade e segurança quanto à procedência dos produtos foram indicados como pontos que merecem ser mais trabalhados para alcançar mais destaque e proximidade com o público.

 Pesquisa revela números positivos para a imagem do cooperativismo brasileiro

Confira o infográfico com os principais resultados da pesquisa

 

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Futuro do trabalho e o cooperativismo: 6 tendências para 2024

Já parou para pensar como vai ficar o mercado de trabalho neste e nos próximos anos? Não faz muito tempo, passamos por desafios globais, como a pandemia de Covid-19, que trouxeram mudanças significativas na forma de viver e, também, de trabalhar. As práticas do home office e do modelo híbrido (presencial e online) são um exemplo. Mas será que elas continuarão a crescer no cooperativismo? E mais: como as cooperativas podem se preparar para reter talentos e atrair novos profissionais em um mundo cada vez mais digital? 

De acordo com uma pesquisa realizada pela consultoria Gartner, em 2023,  26% dos executivos de grandes empresas apontaram a escassez de talentos como o risco mais prejudicial às organizações. Então, sem dúvida, esse é um ponto a ser priorizado pelas coops.

“As cooperativas já são referência no cuidado com as pessoas, o que as tornam ainda mais atrativas para quem gosta de um ambiente de trabalho agradável",  destaca Carina Batista Melo, gerente de Pessoas do Sistema OCB. "Acreditamos que equipes de excelência geram resultados de excelência. Por isso, dentro do coop, investimos fortemente na seleção, treinamento e retenção dos nossos talentos."

Pensando em ajudar sua cooperativa nessa jornada, reunimos 6 tendências de gestão de pessoas para 2024:

  1. Aprenda a lidar com a geração Z

    Eles ainda não chegaram aos 30, mas já a partir deste ano passarão a representar  ¼ da população global de trabalhadores, segundo relatório da Future Dojo. E a tendência é de que estejam cada dia mais envolvidos no desenho de estratégias e na tomada de decisões, ocupando também cargos de liderança, embora este não seja, em muitos casos, o objetivo final.

A chamada geração Z, formada por pessoas nascidas entre 1995 e 2010, enxerga o trabalho de uma forma diferente de gerações anteriores. Pesquisas indicam que esses jovens adultos querem crescer profissionalmente, mas não colocam o trabalho como prioridade máxima. São profissionais que buscam por equilíbrio entre o pessoal e o profissional, querem trabalhar com propósito e não descuidam da saúde mental.

Estudo realizado em agosto de 2023 pela Visier — plataforma de análise de pessoal e planejamento de força de trabalho —  com 1000 funcionários de diferentes idades nos Estados Unidos, confirma essa tendência. A carreira aparece em 4º lugar em uma lista de prioridades elencada pelos entrevistados desta faixa etária.     

Para completar, eles tendem a preferir modelos de trabalho mais flexíveis, com mais liberdade no que diz respeito à carga horária, por exemplo (veja os tópicos 2, 3 e 4 desta matéria). Em alguns casos, também exploram atividades paralelas, pensando em uma maior independência financeira. 

Como lidar com esses profissionais? Reunimos algumas dicas para o convívio diário com a geração Z no ambiente de trabalho que podem te ajudar: ofereça oportunidades de aprendizado contínuo, estimule a colaboração e o trabalho em equipe, aposte na autenticidade e transparência e devolva habilidades de liderança. Esses são alguns dos pontos valorizados por eles e que podem fazer a diferença para um ambiente agradável e produtivo. 

Núcleo Jovem Coplacana

A transição entre gerações é, com certeza, um desafio, mas as coops já têm exemplos interessantes para compartilhar. A Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana) é uma delas. A coop decidiu sair na frente nesse sentido e investir em ações para atrair a juventude. O Núcleo Jovem Coplacana foi criado há quatro anos, uma maneira de inovar e conectar a nova geração ao agronegócio e ao cooperativismo. Uma oportunidade para formar novas lideranças e contar, quem sabe, com novos cooperados e colaboradores. O projeto reúne pessoas com idade entre 16 e 35 anos. Já são 136 integrantes em 17 filiais, e a intenção é levar o projeto para todas as unidades da cooperativa, 35 no total. 

2. Ofereça vantagens que vão além do salário

Para manter os talentos na equipe, é preciso mais do que oferecer bons salários. Assim como a geração Z, outras faixas de profissionais também estão em busca de uma vida com equilíbrio. Querem se dedicar ao trabalho, mas com tempo suficiente para suas atividades pessoais.

Diante desse novo cenário, quem emprega precisa usar da criatividade e da inovação para oferecer vantagens e benefícios para aqueles que já fazem parte da equipe e, também, para atrair novos talentos. Quer alguns exemplos?

Um recurso que só vai crescer entre as áreas de Gestão de Pessoas é a flexibilidade de jornada, que também poderá acontecer na marcação de férias. Semanas de trabalho mais curtas (veja mais a seguir) e remuneração variável, com bonificações, são outra tendência. Vale, inclusive, subsídios habitacionais para quem trabalha no modelo home office e programas voltados à educação e ao bem-estar financeiro, que também podem ser estendidos a todos os funcionários. 

Sustentabilidade no trabalho - Aliás, essa busca por equilíbrio entre o ambiente de trabalho e a vida pessoal e, consequentemente, por benefícios que vão além do salário, tem também ligação com um dos objetivos estratégicos da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A instituição fala sobre “a promoção do emprego produtivo e de qualidade”, que traga bons resultados tanto para quem executa quanto para quem contrata, um conceito que também é base para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. 

3. Semanas mais curtas de trabalho

Sabe as semanas de trabalho de quatro dias, que têm ganhado espaço de debate no mundo organizacional? Um artigo da Harvard Business Review diz que esse ainda é um desafio, mas também se apresenta como uma tendência. A ideia, antes considerada radical, tem tido mais abertura e aceitação tanto entre colaboradores quanto entre instituições.

Uma análise realizada pela Gartner indica que 63% de candidatos a novas oportunidades de emprego veem a semana reduzida como um benefício atraente. E os empregadores mais ousados estão colocando em prática também como vantagem competitiva, além de utilizar o modelo para engajar a equipe e contribuir para um equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Nos Estados Unidos, por exemplo, 20% dos empregadores já adotaram a semana de quatro dias e outros 41% pretendem adotá-la. É o que indica uma pesquisa da empresa norte-americana Resume Builder feita em 2023.

4. Home Office, trabalho híbrido ou presencial    

Com a realidade que vivenciamos durante a pandemia, o modelo home office ganhou a preferência entre muitos profissionais. Hoje, mesmo após um movimento significativo de retorno de diferentes setores aos escritórios, parte das equipes prefere o teletrabalho ou modelos híbridos. E quando falamos das novas gerações, esse percentual cresce significativamente.

Segundo matéria divulgada na Forbes sobre tendências do futuro do trabalho, o modelo 100% home office tende a diminuir ainda mais, dando espaço para a flexibilidade. A ideia é conciliar dias de trabalho em casa e no escritório, com ascensão do modelo híbrido. Uma tendência que atenderá, simultaneamente, as empresas e os funcionários. 

A decisão do modelo a ser adotado pode variar de um modelo de negócios para outro e, também, de acordo com os tipos de cargos predominantes. Mas abre-se um espaço, inclusive, para negociações entre times e lideranças. 

 Flexibilidade no Sicoob

Sabia que já existem cooperativas colocando em prática novas propostas de trabalho? O Centro Cooperativo Sicoob (CCS) é um exemplo. Lá, as atividades também voltaram ao presencial, mas não totalmente. Na verdade, o que se apresentou foi uma forma mais flexível, com parte significativa da equipe no modelo de trabalho híbrido, dias na sede da instituição e dias em casa. Com a transformação digital ainda mais intensa durante a pandemia, a instituição aumentou seu time de colaboradores, passou a contar com profissionais em diferentes partes do país e decidiu investir em flexibilidade. Hoje, as estações de trabalho também são compartilhadas, sendo ocupadas de acordo com as escalas de cada área.

 

5. IA como aliada

Diferentes estudos de tendências mostram que a tecnologia continuará em alta, indicando a necessidade de capacitação e desenvolvimento de novas habilidades entre os times das organizações. Afinal, novos recursos tecnológicos devem surgir, e as equipes não só podem, como devem aproveitá-los para otimizar tarefas e desenhar novos produtos, por exemplo. 

Um estudo da Accenture apontado em matéria da Forbes revela que faltam habilidades importantes dessa área quando se fala em futuro do trabalho, como entender de dados, conhecer sobre realidade virtual e usar a inteligência artificial (IA). E as chamadas “tech skills” – habilidades digitais – serão cada vez mais valorizadas.  

E por falar em IA, segundo o dicionário Collins, ela se apresenta como a palavra mais buscada quando se procura justamente por habilidades, e deve continuar assim. Pesquisa da Gartner mostra que a inteligência artificial vai remodelar funções e abrir novas oportunidades. Há uma estimativa de que, até 2025, 70% das tarefas textuais e de dados serão realizadas a partir de interações com ferramentas de IA. E essa integração com a tecnologia pode tornar o trabalho ainda mais eficiente e dinâmico. Mais uma dica para as cooperativas e suas equipes.       

6. Habilidades comportamentais em alta

Que a formação profissional é ponto importante no mercado de trabalho, isso é fato. E a tendência é de um crescimento significativo da importância das habilidades em relação aos diplomas acadêmicos. Existem, inclusive, empresas como Google, Target e Walmart, que não se restringem à exigência do diploma em suas vagas, abrindo oportunidades para diferentes tipos de talentos.

Assim como as “tech skills”, que estão mais ligadas à parte técnica (“hard skills”), outras habilidades também se mostram relevantes para que um profissional continue se destacando no mercado. As “soft skills” (habilidades comportamentais), por exemplo, são importantes para todas as carreiras e podem ser determinantes para se chegar ao sucesso. 

Comunicação eficaz, curiosidade, trabalho em equipe e vontade de aprender ao longo da vida (lifelong learning) continuam em alta. Somam-se a elas a inteligência emocional e o pensamento crítico. 

“Green skills” – Você já ouviu falar em “green skills”? Elas estão cada vez mais valorizadas e ainda existem poucos profissionais no mercado com essas habilidades. O nome remete às pessoas que têm competências necessárias para trabalhar com sustentabilidade ambiental. Segundo relatório do LinkedIn, citado também em matéria divulgada pela Forbes, há um aumento das contratações que priorizam a sustentabilidade. E apenas 1 em cada 8 pessoas tem uma ou mais “green skills”. 

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Quer inovar na pauta ESG? Fique atento às tendências para 2024

A agenda ESG é uma realidade para as cooperativas brasileiras. A sigla em inglês se refere a Environmental, Social and Governance, que se traduzem como ações ambientais, sociais e de governança. 

De acordo com o Diagnóstico ESG, pesquisa realizada pelo Sistema OCB para conhecer o grau de aderência das coops a esses pilares de sustentabilidade, as coops brasileiras estão afinadas com a pauta e se destacam em quesitos como o cumprimento de leis e normas, conformidade social e ambiental e práticas trabalhistas. 

Os resultados confirmam que o cuidado com as pessoas, com o meio ambiente e com a ética na gestão é parte indissociável do dia a dia das cooperativas brasileiras. Ao mesmo tempo, a pesquisa também apontou desafios para implementação de ações ESG de forma mais abrangente em algumas áreas, principalmente na dimensão ambiental.  

De olho nessa oportunidade e com a clareza de que o futuro dos negócios será cada vez mais ESG, as cooperativas devem se preparar para colocar em prática iniciativas que ajudem a transformar ainda mais a forma de fazer negócios no coop. 

Além disso, a agenda ESG está cada vez mais conectada às estratégias de inovação e os dois temas devem ser abordados de forma integrada nos planejamentos das cooperativas. “Iniciativas que focam no mapeamento e tratamentos dos impactos causados são somadas às novidades, ações de maior eficiência e eficácia, com maior margem para escalabilidade e replicabilidade. Elas são impulsionadas não apenas pela necessidade de responder a desafios sociais e ambientais, mas também pela crescente demanda de mercado, por práticas mais responsáveis e sustentáveis”, analisa o gerente do Núcleo de Inteligência e Inovação do Sistema OCB, Guilherme Costa. 

Com base no relatório anual da Gartner, empresa especializada em consultoria, pesquisa e inovação, listamos as principais tendências de ESG para 2024:

Tecnologias sustentáveis 

Uma das principais tendências para 2024 é o desenvolvimento e adoção de tecnologias sustentáveis, ou seja, soluções digitais que impulsionem os resultados ESG. 

Nessa tendência, a simbiose entre inovação e ESG fica clara, com a criação de ferramentas que ajudem a operacionalizar ações de sustentabilidade ambientais, sociais e de governança, colocando a tecnologia a serviço de práticas empresariais mais responsáveis nas três dimensões.

As soluções digitais com impulso ESG podem fornecer, por exemplo, novas formas de gerenciar ativos, melhorar o desempenho energético, garantir a rastreabilidade de produtos, ampliar o acesso a dados relevantes para a gestão dos negócios, entre outras possibilidades. 

Conexão para inovar

Uma oportunidade para as cooperativas nessa área é a conexão com as chamadas cleantechs, startups dedicadas ao desenvolvimento de tecnologias verdes. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Startups (Abstartups), há cerca de 100 cleantechs ativas em todo o país, com soluções tecnológicas ligadas à qualidade do ar, energia limpa, agropecuária sustentável, eficiência energética, entre outras. 

Por meio da análise de dados qualificada, uso de inteligência artificial e algoritmos, as cleantechs podem desenvolver soluções tecnológicas capazes de aumentar a produtividade ao mesmo tempo em que reduzem desperdícios e 

minimizam o impacto ambiental dos processos, em um círculo virtuoso de sustentabilidade. 

Evolução das energias limpas 

Mais de 85% da energia elétrica utilizada no Brasil vem de fontes renováveis, principalmente de geração hidrelétrica, segundo o Balanço Energético Nacional 2023. Além de ter uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, o país oferece muitas oportunidades de crescimento no setor de energias renováveis, o que representa uma grande vantagem competitiva em um cenário global que privilegia as soluções verdes e o desenvolvimento sustentável. 

Em uma tendência ESG para 2024, a transição rumo a uma matriz elétrica ainda mais renovável tende a ganhar força com o uso cada vez mais recorrente de fontes como eólica, solar, biomassa, biogás, além de pequenas hidrelétricas, que têm menos impacto ambiental que usinas de grande porte.

Cooperativismo na vanguarda

O crescimento e a diversificação das fontes de energia limpa estão no radar das cooperativas brasileiras há muitos anos, e algumas delas são referência em tecnologias de produção e uso de energias renováveis. Além do impacto direto sobre o meio ambiente, a questão também se tornou um diferencial competitivo para os produtos com a marca coop. 

Em Bento Gonçalves (RS), a Cooperativa Vinícola Aurora – maior coop de produção de vinhos do Brasil – tem investido desde 2019 na transição energética e hoje só utiliza eletricidade proveniente de fonte limpa, totalmente renovável e que não agride o meio ambiente. Toda a energia que abastece as três plantas industriais da vinícola vem de usinas eólica, solar, de biomassa, e de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs). 

A readequação energética da vinícola cooperativa é certificada por uma empresa de gestão de energia e reavaliada anualmente para validar a utilização de energia 100% renovável. Com a conversão da matriz energética, desde 2019, a Cooperativa Vinícola Aurora deixou de emitir na atmosfera 1.373 toneladas de dióxido de carbono (CO2), que provoca o aquecimento global.  Apenas em 2022, foram 217 toneladas de CO2 a menos, um esforço equivalente à manutenção de uma floresta com 6 mil árvores. 

Descarbonização da produção 

O agravamento da crise climática, com eventos extremos registrados em várias partes do mundo, tem deixado claro que as respostas para frear o aquecimento do planeta têm de ser rápidas e em grande escala. 

Reduzir as emissões globais de dióxido de carbono (CO2) e outros gases de efeito estufa não é apenas uma missão ambiental, mas uma tarefa que está diretamente relacionada à sustentabilidade econômica. Na agricultura, por exemplo, frear o aquecimento global é fundamental para a sobrevivência dos negócios, porque a produção tem sido cada vez mais afetada por secas extremas ou chuvas fora do padrão. 

Menos carbono no coop

No cooperativismo, o ramo agropecuário é justamente um dos que mais se destaca na busca de soluções para descarbonizar a produção. Técnicas de agricultura de baixo carbono tem se difundido entre as coops, que aliam tecnologia e experiência no campo para garantir benefícios ambientais e ganhos de competitividade para os produtores cooperados. 

No Sul do Brasil, a Coopercampos – gigante cooperativista de cereais, sementes, insumos e agroindústria – aposta na inovação para reduzir emissões de CO2 em suas áreas de produção em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. 

Em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a cooperativa criou um programa para avaliar a qualidade de manejo dos solos e identificar as melhores oportunidades de retenção do carbono na terra, evitando a emissão do gás para a atmosfera. No projeto  Clube do Carbono, a Copercampos incentiva seus cooperados a utilizar técnicas como o plantio direto na palha e outras práticas conservacionistas. 

No plantio direto, por exemplo, a semeadura é feita na palha da cultura anterior, sem a necessidade de queimar a área nem de revolvimento da terra, reduzindo a liberação de CO2. A incorporação da matéria orgânica ao solo também mantém a umidade e beneficia a nutrição das plantas, aumentando a produtividade.

Transparência das ações climáticas

O compromisso com o enfrentamento da crise climática também requer a medição e divulgação das ações de combate do aquecimento global de maneira transparente e qualificada. Na hora de comunicar os indicadores ESG aos cooperados, consumidores e sociedade, há várias estratégias para compartilhar os resultados com credibilidade. 

A Organização das Nações Unidas (ONU), por exemplo, fornece parâmetros para medição e avaliação de estratégias corporativas de sustentabilidade a partir da relação com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), uma série de metas globais a serem alcançadas até 2030. 

A ferramenta mais comum para a comunicação de iniciativas ESG, incluindo as ações climáticas, são os relatórios de sustentabilidade. Em todo o mundo, o modelo mais usado para esse tipo de documento é o padrão GRI,  sigla de Global Reporting Initiative, uma organização internacional sem fins lucrativos que fornece padrões com uma linguagem comum para as instituições comunicarem seus impactos. 

Relatórios cooperativistas

No Brasil, o padrão GRI é adotado por diversas cooperativas na demonstração de suas iniciativas de sustentabilidade, como a Frísia, a Cocamar, a Integrada Cooperativa Agroindustrial, a Coopercitrus, o Sicoob, o Sicredi e diversas cooperativas do Sistema Unimed, além de Organização Estaduais como o Sistema Ocemg, de Minas Gerais. 

Em outra frente de transparência das ações de combate ao aquecimento global, o Sistema OCB está trabalhando para disponibilizar uma ferramenta que auxilie as cooperativas na elaboração de seus inventários de gases de efeito estufa, um mapeamento de todas as emissões produzidas por elas. O inventário é o primeiro passo para identificar o potencial de redução de carbono em cada setor e definir investimentos mais assertivos. 

Aumento da frota de carros elétricos

As vendas de carros elétricos no Brasil quase dobraram em 2023, com 93.927 emplacamentos em todo o país, com crescimento em todas as regiões, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico. Em 2024, janeiro também já registrou recorde de vendas, com 12.026 novos carros elétricos na rua.  

Os números mostram o potencial da eletromobilidade como uma das principais tendências ESG para 2024 e projetam o aumento recorde da frota eletrificada até o fim do ano. A eletrificação da frota tem impactos ambientais diretos, com redução do uso de combustíveis fósseis, menos emissão de poluentes no ar e redução do nível de ruídos. 

No Brasil, o setor de transporte é responsável por cerca de 45% das emissões CO2, principalmente pela utilização majoritária do modal rodoviário. Para se ter uma ideia, um caminhão de carga emite 77 quilos de gases de efeito estufa a cada 100 quilômetros rodados. 

Caminhão elétrico cooperativista – Atenta à responsabilidade do segmento de transporte rodoviário de carga para mudar esse cenário, a Cooperativa de Transportadores Autônomos de Cargas e Passageiros da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Coopmetro) começou a fazer a sua parte e colocou na rua o primeiro caminhão elétrico de sua frota. O veículo não depende de combustível, não gera poluição do ar nem sonora, e a energia elétrica usada no abastecimento é de fonte renovável, gerada em uma usina solar da cooperativa. O projeto de eletrificação da frota está em fase piloto e a Coopmetro pretende testar novos caminhões elétricos este ano. 

Em outra contribuição coop para estimular o uso de veículos elétricos, a cooperativa gaúcha Certel Energia inovou ao instalar o primeiro posto para carregamento de carros elétricos do município de Teutônia, na região central do Rio Grande do Sul. 

A falta de postos de recarga é um dos principais desafios para a ampliação do número de veículos elétricos no Brasil.  De acordo com a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), há 3,8 mil eletropostos públicos ou semipúblicos em todo o país, mas a maior parte está concentrada nos grandes centros urbanos. 

Buscador de tendências

Quer saber mais sobre tendências de inovação para 2024 e como elas podem aumentar a competitividade da sua cooperativa? Acesse agora o InovaCoop - plataforma de inovação do Sistema OCB - e comece o curso “Pesquisador de tendências”. A capacitação ensina a identificar e mapear tendências e a utilizar essas informações a favor do seu negócio.

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O coop ligado nas principais tendências tecnológicas para 2024

Temos um novo ano pela frente, com uma série de oportunidades que podem levar mais inovação e resultados de impacto para a sua cooperativa usando a tecnologia. Mas como fazer isso? As inúmeras ferramentas desenvolvidas com o uso da inteligência artificial (AI) ganharam destaque especial em 2023, como o ChatBot e tantas outras. E a perspectiva é de que esse campo continue crescendo.

A previsão é de que haverá um aumento de 8% dos investimentos mundiais em Tecnologia da Informação (TI) em 2024, chegando a US$ 5,1 trilhões, segundo a empresa Gartner, especializada em pesquisa e consultoria em TI. 

Diante desse cenário, é fundamental manter um olhar constante para o futuro, acompanhar as tendências globais e, assim, direcionar esforços e investimentos de maneira assertiva no presente para se alcançar melhores resultados. A sua coop já sabe como vai usar a tecnologia para alavancar o desempenho da equipe e dos negócios nos próximos meses? 

Hoje nós vamos falar das principais tendências tecnológicas para 2024, incluindo aquelas que estão diretamente ligadas à IA e ao uso estratégico de dados. Para isso, usamos como base o site de inovação do cooperativismo, o InovaCoop, o relatório anual da Gartner e uma pesquisa feita pela WGSN, consultoria que também trabalha com previsão de cenários. Temos certeza de que essas informações vão gerar insights interessantes para todas as cooperativas.

Tendências de mercado

Para começar, vale relembrar o que seria exatamente uma tendência de mercado. “Segundo Kotler (2000), uma tendência é uma direção ou uma sequência de eventos que tem determinado impulso e direção”. Na prática, as tendências seriam como pistas que indicam como será o futuro e quais comportamentos podem surgir e se manter por um período maior de tempo. Existem inclusive especialistas que trabalham fazendo esse exercício de futurismo

Soluções inovadoras e tecnológicas

A partir desses estudos sobre tendências, podemos desenhar cenários, trabalhar com projeções e buscar soluções inovadoras para potencializar os negócios, agregando valor e marcando presença no mercado. Com todos os recursos tecnológicos disponíveis, é importante estar por dentro das principais tendências para escolher assertivamente quais tecnologias utilizar, usá-las de forma correta e fazer isso seguindo os objetivos e metas de cada cooperativa. A ideia é se preparar para sair na frente e ganhar em competitividade. Os benefícios são muitos, para as equipes e para as organizações. 

 

O que você ganha ao conhecer e utilizar corretamente novas tecnologias?

(Fonte – Principais tendências tecnológicas estratégicas para 2024 – Gartner) 

  • A certeza e a confiança de poder usar IA com segurança;

    • Atividades sustentáveis dentro do ecossistema em que você opera;

    • Tecnologias dedicadas para tarefas, setores e funções específicos;

    • Mais velocidade e produtividade com um mínimo de esforço ou investimento extra; • Mais valor para partes interessadas internas e externas.

 

Conheça as principais tendências tecnológicas para 2024:

 
IA Assistente

Existe um receio de que a tecnologia acabe substituindo os humanos. No entanto, muitos especialistas indicam que o caminho está em agregar os benefícios oferecidos pela evolução tecnológica, como a facilidade e a otimização do tempo, às características e habilidades particulares do ser humano. A tendência para 2024 é de que este seja um ano para se consolidar a colaboração entre máquinas e humanos. 

É isso mesmo: tudo indica que vamos utilizar cada vez mais a inteligência artificial generativa (GenAI – sigla em inglês) para colocar ideias em prática com mais facilidade. Muitos profissionais já têm feito uso desse tipo de tecnologia e se mostrado mais produtivos. É o caso dos designers, segundo indica estudo do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts – tradução), que conseguem dedicar mais tempo ao processo criativo, utilizando recursos de IA de baixo código/sem código para a parte de programação. 

O que é inteligência artificial generativa

“É um tipo de IA que pode criar novos conteúdos e ideias, incluindo conversas, histórias, imagens e músicas. Você pode treiná-la para aprender linguagem humana, linguagens de programação, arte, química, biologia ou qualquer assunto complexo. Ela reutiliza dados de treinamento para resolver novos problemas. Sua organização pode usar a IA generativa para várias finalidades, como chatbots, criação de mídia e desenvolvimento e design de produtos”. (Fonte: Amazon)


IA estratégica

Fica claro, portanto, que as novas tecnologias podem e devem ser usadas de forma estratégica nos negócios, para o aumento da produtividade e o crescimento dos resultados. Segundo pesquisa realizada pela Gartner com lideranças do mundo dos negócios em 2023, a inteligência artificial foi citada como a tecnologia que terá maior impacto em vários setores nos próximos três anos. A IA pode auxiliar na realização de atividades mais complexas, assim como em ações mais repetitivas.

Segundo a consultoria Gartner, a estimativa é de que, até 2028, 75% dos engenheiros de software empresarial utilizarão assistentes de codificação de inteligência artificial. Um processo que pode ser amplificado com a utilização de outras ferramentas de IA auxiliando também na fase de projeto, e posteriormente, nos testes de aplicações, abrindo espaço para atividades estratégicas, como o design e a composição de aplicações de negócios atraentes. Assim como os profissionais de TI, outros setores estratégicos já utilizam de recursos de inteligência artificial para o desenvolvimento de produtos, como as áreas de planejamento, mercado, inovação, marketing e comunicação.


Dica de ouro 

A dica é fomentar esse processo em toda a cooperativa e incentivar suas equipes a conhecerem e usarem a IA a seu favor. Elas podem fazer isso contando com o apoio e a orientação dos times de Tecnologia da Informação e de outras áreas, como Inovação, Gestão de Pessoas e Marketing, que podem auxiliar em campanhas de divulgação e sensibilização. 

Democratização

A perspectiva é de que as organizações utilizem de forma crescente a inteligência artificial generativa também para ampliar o acesso a fontes de informação, democratizando, consequentemente, o conhecimento e o desenvolvimento de competências dentro do ambiente institucional. Até 2026, mais de 80% das organizações do mundo todo já estarão fazendo uso desse tipo de ferramenta.     


*Wearbles na área de saúde

A tecnologia está presente na nossa vida de diversas formas, e cada vez mais. Sabia que além de usar, nós podemos vestir a tecnologia? Pode parecer estranho, mas é a mais pura verdade. Você certamente tem ou já viu um relógio inteligente, pulseiras conectadas ou mesmo fones de ouvido com bluetooth.

>> O termo wearbles significa vestuário, então nós estamos falando da tecnologia vestível ou de dispositivos vestíveis.

Além de facilitar a realização de atividades diárias, esses aparelhos também podem ser usados para cuidados com a saúde. Eles coletam, monitoram, mensuram e armazenam muitos dos nossos sinais físicos. É possível, portanto, olhar de forma personalizada para cada indivíduo, analisando suas características e seu comportamento na rotina e durante a prática de exercícios. Ao mesmo tempo, cria-se automaticamente um grande banco de dados capaz de desenhar um panorama detalhado sobre a saúde das pessoas. E a previsão é de que esse leque de produtos aumente ainda mais nos próximos meses, com a chegada de itens como anéis e broches.

Tokenização financeira

No mercado financeiro, já se utiliza e muito da digitalização para atendimento online e acesso a uma série de serviços e produtos. O PIX, serviço de pagamento instantâneo brasileiro, é um exemplo. Tudo é feito pela internet, usando um aplicativo instalado no celular ou mesmo um desktop. Neste cenário, já se visualiza uma nova etapa para 2024, um processo de tokenização das transações financeiras.


Você sabe o que é tokenização?

É quando se converte os direitos de um ativo em um token digital. Cria-se uma representação digital e segura, ou seja, criptografada de um bem real, que pode ser tangível, como carros ou imóveis, ou intangível, como dívidas ou precatórios. Um processo que traz liquidez e transparência, possibilitando, inclusive, o fracionamento desses ativos. Um token digital pode ser movido, registrado ou armazenado em um sistema de blockchain.


No Brasil

É como o Drex, o real digital. Desenvolvido pelo Banco Central do Brasil, ele representa a tokenização da moeda brasileira em uma rede blockchain. E o amadurecimento desse processo faz parte das tendências previstas para 2024. Vale ressaltar que existe um grupo de cooperativas de crédito que está diretamente envolvido nos testes do Drex e vai, certamente, acompanhar de perto esse desdobramento. Assim como o Brasil, outros países estão produzindo suas moedas digitais.


Mais sobre o Drex

Totalmente digital, ele vai permitir a incorporação de novas tecnologias e novos modelos de negócios, aumentando a automação e reduzindo restrições dos serviços financeiros. Um dos objetivos do Banco Central com o Drex é promover a inclusão financeira de pessoas que ainda não têm acesso a soluções bancárias. O sistema, na prática, é similar ao utilizado em transações de criptomoedas, mas com controle do órgão regulador.

Consumo com base em algoritmos

Já ficou mais que comprovado que os nossos hábitos de consumo na internet são traduzidos em dados que indicam as nossas preferências. Isso acontece nas redes sociais, por exemplo. A partir desses registros, os algoritmos nos enviam com frequência conteúdos correlacionados às nossas principais pesquisas e interações. O que vale também para o nosso comportamento na hora de fazer compras.

Em alguns casos, recebemos positivamente as indicações feitas via algoritmos e automações. Em outros, nem tanto. Na verdade, esse processo acaba trazendo mais benefícios para quem quer vender mais a partir da análise de dados. Mas, para 2024, o consumo com base em algoritmos, além de se intensificar, deve ganhar novas características. A tendência é que o usuário participe de forma mais direta de todo o processo, tendo mais controle sobre as ferramentas, segundo a consultoria WGSN. Com isso, o processo de compra tende a ser mais assertivo e automatizado.   

Clientes-máquina

E tem mais, há também a perspectiva de um novo agente nesse cenário, os chamados clientes-máquina, também conhecidos como custobots, segundo estudo da consultoria Gartner. Você deve estar se perguntando: mas o que são clientes-máquina? São atores econômicos não humanos com capacidade para fazer negociações e compras de bens e serviços em troca de pagamento. A previsão é de que, até 2028, 15 bilhões de produtos conectados existirão com o potencial de se comportarem como consumidores. E a tendência é de que esse processo de crescimento continue nos próximos anos, podendo ser ainda mais representativo do que a chegada do comércio digital.  


Cibersegurança

Cada vez mais, cresce a utilização de sistemas e de dados que auxiliam na tomada de decisões, na inovação e na criação de novos produtos e serviços. Com isso, cresce também a necessidade de se investir fortemente em segurança digital, incluindo nesse processo o desenvolvimento de novas ferramentas para lidar com possíveis ameaças.

Dentro desse contexto, se destaca a importância do gerenciamento contínuo de exposição a ameaças, tendência apontada pela empresa Gartner para os próximos meses. A ideia é que as organizações avaliem a acessibilidade, a exposição e a abertura para verificação de ativos digitais, e também físicos, de forma crescente e consistente. E aquelas que investirem nesse tipo de segurança, irão perceber uma redução de dois terços no registro de violações até 2026.


IA – Gestão de Confiança, Risco e Segurança

A democratização do acesso à inteligência artificial faz ainda mais urgente a necessidade da Gestão de Confiança, Risco e Segurança da IA. Não contar com barreiras de proteção é abrir portas para efeitos negativos desse tipo de tecnologia. Esse modelo de segurança destacado no estudo da Gartner oferece ferramentas de proteção proativa de dados, segurança específica de IA, entre outros benefícios. A consultoria prevê que, até 2026, as empresas que fizerem uso desses recursos tomarão decisões ainda mais precisas, eliminando até 80% de informações defeituosas ou ilegítimas.

Privacidade em primeiro lugar


O compartilhamento de dados é um item sensível e que tem chamado a atenção no mundo dos negócios e na sociedade. O que se observa é um número crescente de pessoas receosas em compartilhar informações pessoais. Em função disso, fica evidente a importância de se direcionar investimentos e força de trabalho para proporcionar aos clientes e diferentes usuários privacidade e segurança. 

Mais forte em 2024

A tendência é de que esse tema ganhe cada vez mais evidência em 2024 e nos próximos anos. No Brasil, por exemplo, ainda não há uma regulamentação específica para utilização de tecnologias como a inteligência artificial, para se discutir limites éticos e jurídicos. O tema está em discussão no Congresso Nacional, a partir do Projeto de Lei 2338/2023, que discute elementos para o uso da tecnologia. 

Nacionalmente, temos a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que traz uma série de normas e diretrizes para orientar instituições públicas e privadas nesse processo de adaptação. Ela foi instituída em 2018 e passou a valer efetivamente em setembro de 2020. É preciso olhar com atenção para esse tema, para que se construa um relacionamento de confiança e duradouro entre empresas e públicos estratégicos. E as cooperativas totalmente estão inseridas nesse cenário. 

Em outros países

Este ano, a União Europeia passará a contar com um acordo provisório de regras para o uso da tecnologia. O lançamento ocorreu no final de 2023, e o texto final será publicado este ano. 


Demanda por metrificações

Como mensurar os resultados e avaliar o desempenho na sua cooperativa com uma abundância e diversidade de dados disponíveis para análise? Com o crescimento do uso de tecnologias, esse universo tende a ser cada vez maior. É preciso, portanto, conhecer bem os objetivos e as metas da sua coop para, então, filtrar as informações a serem utilizadas, e estabelecer os indicadores. 

A expressão “os dados são o novo petróleo”, do matemático Clive Humby, tem ganhado um destaque crescente no mercado. Mas, para que realmente faça sentido, como diz o próprio estudioso, é preciso ir além, e gerar conhecimento e valor a partir dos dados. A partir de um filtro criterioso, é possível fazer análises detalhadas, acompanhar os resultados, identificar novas oportunidades e trabalhar para vencer as dificuldades. Dessa forma, é possível desenhar estratégias para impulsionar os negócios e gerar melhores resultados. 

E os recursos oferecidos pela inteligência artificial podem te ajudar nesse processo. Existe, inclusive, uma tendência de maior utilização de métricas preditivas de atenção, que podem auxiliar no desenho de novas estratégias, ações e produtos. As equipes de marketing, por exemplo, devem fazer uso desse recurso para trabalhar na criação de anúncios e mensurar atenção em escala. É o que diz um relatório elaborado pela Kantar, empresa especializada em dados, insights e consultoria. 

*Hiperconexão 


Com tantos pontos diferentes de contato e um aumento significativo de recursos tecnológicos, com destaque para ferramentas de inteligência artificial, a hiperconexão é um caminho sem volta. E a tendência é de crescimento. Nós estaremos cada vez mais conectados a outras pessoas, organizações e empresas. 

Diante desse cenário, é fundamental entender como funcionam as relações entre marcas e consumidores em um ambiente digital. Isso, tanto para fortalecer relacionamentos que já existem quanto para criar novos laços. Fica claro, portanto, que a transformação digital deve se expandir ainda mais dentro das cooperativas e envolver todas as áreas do negócio. Mais um campo forte da tecnologia em 2024.   

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Inovação social no cooperativismo: novas ideias a serviço do bem-estar coletivo

Quando a inovação se junta com o cooperativismo, o resultado são soluções com benefícios que vão além do econômico, com impacto na vida das pessoas. Esse conceito é conhecido como inovação social, e, apesar de não ser exclusivo do cooperativismo, tem tudo a ver com o nosso modelo de negócio. 

“Quando falamos de inovação social, nos referimos ao desenvolvimento de novas soluções para melhorar o bem-estar de pessoas e comunidades. Em essência, trata-se da aplicação de ideias inovadoras para resolver problemas sociais, ambientais ou para promover um desenvolvimento mais sustentável e inclusivo”, explica o gerente do Núcleo de Inteligência e Inovação do Sistema OCB, Guilherme Costa. 

Ao contrário do conceito tradicional de inovação, em que o principal objetivo é buscar soluções competitivas e mais eficientes do ponto de vista econômico, na inovação social o foco é gerar benefícios que possam ser compartilhados com todos, com um enfoque no bem-estar das pessoas e das comunidades. 

“O objetivo é criar soluções sustentáveis e de impacto positivo que beneficiem a sociedade como um todo, promovendo equidade, inclusão social, e melhor qualidade de vida", acrescenta Costa. "A inovação social coloca o progresso humano e ambiental no centro de suas atividades, buscando não apenas o sucesso econômico, mas também o desenvolvimento social e a sustentabilidade ambiental.”

Ainda de acordo com o gestor,  o próprio cooperativismo pode ser considerado uma inovação social. Afinal, trata-se de um modelo de negócios criado para resolver problemas sociais da época de seu surgimento, em 1844, quando a Inglaterra enfrentava uma grave crise econômica e de desemprego. 

Hoje em dia, a relação entre cooperativismo e inovação social se dá de forma ainda mais clara, porque a atuação das cooperativas têm impactos diretos nas comunidades em que estão presentes. 

 

“Uma cooperativa trabalha para atender aos interesses econômicos e sociais de seus cooperados, e, por consequência, as comunidades também são positivamente impactadas. Para se ter uma ideia, de acordo com estudo publicado no Anuário do Cooperativismo Brasileiro em 2023, nos municípios brasileiros onde há presença de cooperativas, a média de PIB [Produto Interno Bruto] por habitante é, em média, 18,6% maior do que em municípios sem cooperativas”, compara Costa. 

IMPACTO NO MERCADO

Uma inovação social produzida pelo cooperativismo pode ter impactos que vão muito além das coops e levar a transformações no mercado. Isso porque outras empresas também passam a utilizar as novas ferramentas, multiplicando os benefícios da inovação para a sociedade.

“Iniciativas que focam em responsabilidade social e ações de cooperação com impacto coletivo na transformação social são somadas às novidades, ações de maior eficiência e eficácia, com maior margem para escalabilidade e replicabilidade. Elas são impulsionadas não apenas pela necessidade de responder a desafios sociais e ambientais, mas também pela crescente demanda de mercado, por práticas mais responsáveis e sustentáveis”, afirma o gerente do Sistema OCB.

Um exemplo que mostra bem o impacto de uma inovação social do cooperativismo para uma comunidade e para todo um segmento econômico é o projeto Barracred Conecta, da cooperativa de crédito Barracred, de Barra Bonita (SP). A iniciativa oferece capacitação para jovens em tecnologia da informação integrada a valores cooperativistas. A ideia surgiu em 2023, depois que a cooperativa ampliou seu setor de tecnologia e se deparou com a falta de mão de obra especializada na região.

Com uma estrutura própria que simula o ambiente de uma startup de tecnologia, o programa oferece aulas teóricas e práticas de tecnologia da informação, inglês, treinamento de habilidades pessoais e profissionais, além de um estágio.  “Conseguimos capacitar e encaminhar esses jovens para o primeiro emprego, revelando talentos para o mercado. Contribuímos para que eles se tornem protagonistas de suas próprias histórias, transformando sua realidade, a de suas famílias e também a da comunidade em que vivem”, explica a coordenadora de Responsabilidade Social da Barracred, Andresa Baratela.

Além do impacto social direto para os estudantes, o programa ampliou a oferta de profissionais capacitados para empresas da região, que tem se consolidado com um polo de tecnologia. A primeira turma formada pelo Barracred Conecta registrou 75% de contratação após o estágio. 

Assim como o projeto de capacitação da cooperativa paulista, o cooperativismo é palco de inovações sociais em vários ramos e em todas as partes do país. As cooperativas brasileiras são referência internacional em inovações sociais com impacto na segurança alimentar e no combate às mudanças climáticas, com benefícios tanto para seus cooperados quanto para a sociedade.

Conheça mais exemplos de inovação social no cooperativismo:

Intercooperação para geração de energia: No Rio Grande do Sul, a cooperativa de eletrificação Certel se uniu às cooperativas de crédito Sicredi Ouro Branco, Sicredi Integração RS/MS, Sicredi Região dos Vales e Sicredi Botucaraí para a construção da Usina Hidrelétrica Vale do Leite, no Rio Forqueta. Além de garantir a geração de energia limpa e renovável para milhares de pessoas, a inovação social levou a um incremento de renda, empregabilidade e desenvolvimento na região de atuação das coops. 

Energia limpa e solidária: Uma inovação social do Sistema Ocemg incentiva as cooperativas do estado de Minas Gerais a construírem usinas fotovoltaicas para suprir a demanda de suas unidades e doar parte da energia a entidades filantrópicas. Por ano, o Programa de Energia Fotovoltaica do Cooperativismo Mineiro, MinasCoop Energia, beneficia diretamente mais de 4 milhões de pessoas ligadas às entidades que recebem energia limpa das cooperativas. 

Produção sustentável e renda extra: Em uma inovação social com benefícios ambientais no ramo Agronegócio, a Cocamar promove a integração lavoura-pecuária-floresta para sustentabilidade e diversificação de renda dos cooperados. O projeto Super Integração auxilia os produtores cooperados a utilizar de maneira sustentável suas propriedades, e mostra que é possível produzir soja e bovinos de forma harmônica com florestas de eucaliptos, com menos intervenções na terra, menor impacto ambiental e geração de renda extra. 

Pesquisa e capacitação para cooperados: Para impulsionar inovações sociais e projetos comunitários, as cooperativas Coopercitrus e Credicitrus, de São Paulo, criaram em 2019 uma fundação para promover o desenvolvimento de seus cooperados e da comunidade no entorno. A Fundação Coopercitrus Credicitrus atua no desenvolvimento de projetos voltados à pesquisa, educação e meio ambiente, como as iniciativas CooperSemear e CooperNascentes. 

“Estes projetos refletem a união entre sustentabilidade, inovação e desenvolvimento social, ressaltando o papel vital das cooperativas na promoção de um futuro mais sustentável”, destaca Guilherme Costa. 

 

 Inovação social x projetos sociais 

Apesar do propósito de beneficiar pessoas e trazer benefícios coletivos, inovação social não é sinônimo de projeto filantrópico nem de ações sociais da agenda ESG – sigla em inglês para Environmental, Social and Governance – que se refere a iniciativas de responsabilidade social corporativa. 

Para ser inovação, uma ação deve introduzir uma novidade, resolver problemas de maneira mais eficiente, ser sustentável a longo prazo e ter potencial de escalabilidade e replicabilidade. 

Enquanto projetos sociais ou ações ESG estão ligados a compromissos de responsabilidade social corporativa e objetivos de sustentabilidade da organização, uma inovação social passa, necessariamente, por implementar uma nova ideia. O conceito, produto ou serviço inovador deve atender a necessidades sociais de forma mais eficaz, eficiente ou sustentável do que as soluções existentes.

 

Saiba mais sobre inovação social e como colocar em prática na sua cooperativa: 

Acesse o InovaCoop, plataforma de inovação do cooperativismo brasileiro e conheça o curso Inovação Social. A capacitação online traz conteúdos sobre o que é a inovação social, quais as estratégias para gerar impacto social positivo e as ferramentas para implementar inovações sociais. 

Representação institucional do cooperativismo ganha força nos estados

No fim de 2023, a inclusão do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo na Reforma Tributária entrou para a história do cooperativismo brasileiro. A conquista foi possível por causa de um fator que o cooperativismo conhece muito bem: a união. Uma rede nacional de mobilização foi formada para garantir a defesa dos interesses das coops na nova legislação tributária, num exemplo de boa prática no trabalho de representação institucional articulada e estratégica entre a equipe nacional e as organizações estaduais do Sistema OCB. 

“Essa mobilização só foi possível por meio da rede que construímos com os estados. Toda vez que a gente precisa mobilizar os parlamentares da Frente Parlamentar do Cooperativismo [Freencoop], no Congresso Nacional, tanto deputados federais quanto senadores, a gente aciona as organizações estaduais e elas, por sua vez, entram em contato com as cooperativas. No caso da Reforma Tributária, isso se transformou em um movimento de grandes proporções, conseguimos falar com parlamentares de todo o Brasil de forma muito rápida e muito potente”, lembra o coordenador de Relações Governamentais do Sistema OCB, Eduardo Queiroz. 

A atuação coordenada durante a tramitação da Reforma Tributária também foi um exemplo prático da implementação do Programa de Educação Política para o Cooperativismo, criado pelo Sistema OCB em 2022. A iniciativa foi lançada em preparação para as eleições majoritárias daquele ano, mas se tornou permanente e está em seu segundo ciclo, que vai até 2026.  

Atualmente, 21 organizações estaduais do Sistema OCB fazem parte do programa. Um dos focos da iniciativa é justamente fortalecer a representação institucional nos estados para ampliar a voz e a visibilidade do coop nas instâncias políticas e representativas locais, levando as demandas das cooperativas diretamente aos tomadores de decisão.

“Uma área estruturada, profissionalizada de relações institucionais numa organização estadual tende a amplificar e a melhorar a qualidade da representação institucional do cooperativismo em todo o país”, destaca Queiroz. 

Especialistas em representação 

De acordo com o coordenador, nos últimos cinco anos, a representação institucional do cooperativismo brasileiro tem passado por uma revolução. Se antes a tarefa de defender os interesses do coop cabia apenas aos dirigentes das organizações estaduais, hoje grande parte delas compartilha esse trabalho também com áreas especializadas no assunto, com equipes que atuam junto aos dirigentes cooperativistas na interlocução com os poderes Legislativo e Executivo nos estados e municípios. 

“Nosso objetivo é aumentar, cada vez mais, a eficiência da representação institucional do cooperativismo por todo o país. Temos contado com o apoio dos dirigentes das nossas Organizações Estaduais e das cooperativas. Esse olhar estratégico das nossas lideranças tende a qualificar a defesa do nosso modelo de negócios e, consequentemente, resultar em políticas públicas mais efetivas para o cooperativismo”, analisa Queiroz. 

O objetivo dessas estratégias é claro: garantir o melhor cenário regulatório e de políticas públicas possível para que as cooperativas possam crescer e aumentar sua competitividade. “A cooperativa é quem lida no dia a dia com questões que demandam atuação institucional, sejam burocráticas, de acesso ao crédito, de tributação, ambientais e trabalhistas. Enfim, problemas que têm que ser resolvidos na forma de políticas públicas ou junto às instâncias políticas, sejam municipais, estaduais ou nacionais. E a representação institucional faz esse trabalho em nome delas, tanto no Sistema OCB Nacional quanto nas Organizações Estaduais”, explica o coordenador. 

Em todo o país, são recorrentes os exemplos de atuação bem sucedida de representação institucional que levaram a conquistas para o cooperativismo em todos os ramos. Algumas organizações estaduais, como o Sistema Ocemg, de Minas Gerais; o Sistema Ocepar, do Paraná; o Sistema Ocergs, do Rio Grande do Sul; e o Sistema OCESP, de São Paulo, têm trajetórias consolidadas de representação do cooperativismo nos espaços de poder locais. Esse trabalho muitas vezes ocorre de forma articulada com frentes parlamentares nas assembleias estaduais e na representação em outros fóruns de decisão, como conselhos estaduais e grupos do setor produtivo. 

Referência paranaense

No Paraná, o Sistema Ocepar é reconhecido pela abordagem técnica e integrada na defesa dos interesses das cooperativas do estado. A organização tem uma área de relações institucionais estruturada, com influência local e nacional em políticas públicas que beneficiam as coops.

“Nosso trabalho de representação tem como premissa o contato direto com as cooperativas. Através da Diretoria, das reuniões de núcleos regionais, e dos grupos técnicos específicos, com profissionais indicados pelas cooperativas, criamos um ambiente de diálogo direto que nos permite ter informações sobre os temas de interesse das cooperativas e assim melhor representá-las”, explica a coordenadora de Relações Institucionais do Sistema Ocepar, Daniely Andressa da Silva. 

A equipe cooperativista de representação institucional paranaense atua tanto de forma propositiva quanto na contribuição com subsídios técnicos. As ações incluem acompanhamento de propostas do Legislativo e do Executivo que possam impactar as coops e o relacionamento próximo com agentes públicos, como parlamentares, secretários e outras autoridades. 

Além disso, o Sistema Ocepar foi pioneiro na criação de um programa de educação política para o cooperativismo, que inclusive deu origem ao projeto nacional. Segundo Daniely Silva, a iniciativa surgiu para resgatar o interesse sobre a política no coop paranaense, por meio de ações de formação e informação do público cooperativista para valorização de representantes que atuam em defesa do segmento, independentemente de suas filiações partidárias.

“O desenvolvimento contínuo e sustentável das cooperativas depende, entre outros fatores, de um ambiente regulatório propício, que de fato reconheça a magnitude do cooperativismo para o nosso país. A dinâmica política atual exige que estejamos preparados para atuar em defesa do setor, e para isso, nada mais importante do que termos representantes que conheçam nosso modelo, nossos princípios, valores e forma de atuação”, afirma a coordenadora. 

Como resultado do programa, nas eleições de 2022, 15 deputados federais e um senador eleitos pelo Paraná aderiram à Frente Parlamentar do Cooperativismo no Congresso Nacional. Atualmente, 80% dos parlamentares da bancada federal do estado fazem parte do grupo. Em outra estratégia exitosa, mais de 30 mil cooperativistas do Paraná já receberam formação em atividades do programa e o canal de comunicação da iniciativa tem mais de 2 milhões de pessoas inscritas. 

O trabalho de relações institucionais da Ocepar já contribuiu, entre outras conquistas, para a aprovação de leis ligadas à garantia de recursos, eficiência, agilidade e segurança jurídica para as cooperativas, tanto no Congresso Nacional quanto na Assembleia Legislativa do Paraná. 

“Em âmbito estadual, temos avançado no aproveitamento de créditos fiscais para fomento a ações de infraestrutura, armazenagem, novas fontes de energia, conectividade rural. Além disso, obtivemos êxito em ações de defesa sanitária que permitem a manutenção e a abertura de novos mercados às cooperativas, além de frear diversas propostas negativas, que afetariam os mais diversos ramos e que desconsideravam nosso modelo de atuação”, lista Daniely Silva. 

 

Trabalho articulado em Goiás 

 Com um área de relações institucionais estruturada há menos de dois anos, o Sistema OCB/Goiás já conseguiu estabelecer uma atuação estratégica de defesa do coop na assembleia legislativa, nas câmaras municipais e junto ao governo estadual, além da interlocução ativa com a bancada goiana na Frencoop do Congresso Nacional. 

Em um modelo inovador, parte do trabalho de representação institucional é feito de forma descentralizada, por meio de núcleos regionais. “Essa estratégia divide o estado de Goiás em seis regiões político-administrativas, cada uma coordenada por um dirigente de cooperativa sediada na região. Esses líderes, acompanhados por analistas de núcleo, atuam na representação do Sistema OCB perante entidades, prefeituras e câmaras municipais”, explica o gerente de Desenvolvimento de Cooperativas da OCB/GO, Diogo Oliveira

Na representação política, além da articulação com parlamentares e autoridades, a Casa do Cooperativismo Goiano investe em parcerias estratégicas com o governo estadual para projetos econômicos de fomento das cooperativas e na participação em fóruns empresariais para ampliar a representatividade do coop. 

“Com essas ações, a OCB/GO tem consolidado uma abordagem abrangente e articulada na representação institucional do cooperativismo goiano, envolvendo diversas frentes para garantir a defesa efetiva dos interesses das cooperativas em todas as esferas governamentais”, pondera Oliveira. 

Para implantar o Programa de Educação Política no estado, a organização goiana definiu uma estratégia gradual, que começou pelos colaboradores internos e será ampliada com ações para conselheiros de administração e fiscal, representantes de comitês e coordenadores, e com a formação de uma rede de relações institucionais em colaboração com as cooperativas. Legenda: A equipe de Relações Institucionais do Sistema OCB/GO com o gerente de Desenvolvimento de Cooperativas, Diogo Oliveira (direita)

“O Programa de Educação Política está sendo implementado de maneira estruturada, visando não apenas as eleições imediatas, mas também a promoção de uma cultura política contínua e engajada dentro do cooperativismo goiano”, explica o gerente. 

Entre os resultados do trabalho estruturado da área de relações institucionais para o cooperativismo goiano até agora, Oliveira destaca o fortalecimento das relações com os principais tomadores de decisão do estado, o reconhecimento da presença institucional do cooperativismo como segmento econômico, o aumento do engajamento e participação de cooperativas em eventos políticos e a construção de pautas políticas diretamente ligadas às necessidades das coops goianas. 

 

Parceria nacional 

 Independentemente do grau de estruturação das áreas de representação institucional das Organizações Estaduais, o Sistema OCB atua de forma sistemática junto a todas elas em prol das cooperativas brasileiras. 

“O que temos são fomento e recomendações, mas é importante que cada Organização Estadual e cada cooperativa tenham autonomia para desenvolver a educação política conforme as suas diretrizes, seus valores, suas características e realidade. E estamos sempre à disposição para responder às demandas que as nossas Organizações Estaduais trazem das cooperativas”, destaca Eduardo Queiroz.

Representação política é sinônimo de advocacy?

Essa é uma dúvida comum sobre os bastidores dos Três Poderes. Mas embora a representação política e o advocacy sejam atividades complementares, elas não são iguais. A primeira garante que o cooperativismo seja visto e lembrado como um setor fundamental para o desenvolvimento do país. É ela quem marca presença em fóruns importantes de debate, inicia contatos estratégicos e abre espaço para defendermos as bandeiras do coop. Seria como os jogadores de meio de campo, trocando passes para criar oportunidades interessantes em uma partida de futebol.  

Já o advocacy — do inglês "advogar" ou "defender" — vem para consolidar o nosso plano de ação, influenciando positivamente decisões que possam impactar de alguma forma as cooperativas. É um processo que pode acontecer, por exemplo, em consultas públicas ou propostas legislativas. Seguindo a metáfora do futebol, é neste momento que entrariam em campo os atacantes, finalizando a jogada e marcando vários gols para o movimento cooperativista. Mas no campo da política, eles fazem isso a  partir de um posicionamento institucional estruturado, baseado em informações técnicas, realizando um trabalho de mobilização e negociação, em busca de conquistas determinantes para o cooperativismo. 

 

Dentro do Sistema OCB, contamos com um time de 21 cientistas políticos e analistas técnicos que trabalham, juntos, para defender os interesses do coop. Para você ter ideia, somente em 2023 acompanhamos de perto 5.344 proposições de interesse do cooperativismo brasileiro no Congresso Nacional. 

Também marcamos presença no Poder Executivo. Participamos de 277 reuniões com agentes do Poder Público e monitoramos 3.135 normativos no Diário Oficial da União com impacto no coop. Sem falar também da nossa atuação no Poder Judiciário, acompanhando processos relacionados a temáticas importantes para o cooperativismo. Tudo isso faz parte das atividades de representação institucional do Sistema OCB. 

Na área de advocay, apresentamos 546 matérias consideradas fundamentais para a sustentabilidade e o crescimento do modelo de negócios coop. No último ano, por exemplo, marcamos um golaço, com uma vitória histórica para o coop: garantimos a inclusão do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo no texto da Reforma Tributária, aprovado no mês de novembro, no Congresso Nacional. 

Todos esses números mostram que o Sistema OCB está totalmente comprometido com a missão de defender os interesses das cooperativas brasileiras, Afinal, somos a voz do coop no Brasil e temos o compromisso público de ajudar a aprovar leis e políticas públicas favoráveis ao desenvolvimento do nosso modelo de negócios.

 “Nós atuamos como facilitadores para promover uma troca construtiva entre as cooperativas, os órgãos públicos e os tomadores de decisão. A ideia é a partir do trabalho de representação política, utilizarmos do advocacy para influenciar positivamente na elaboração de políticas públicas e legislações que estejam alinhadas com o que faz sentido para o cooperativismo. Nosso objetivo é assegurar um ambiente regulatório que favoreça o crescimento de todo o setor e fomente uma atuação sustentável das cooperativas no mercado”, destaca a gerente-geral da OCB, Fabíola Nader Motta.

ATIVIDADES COMPLEMENTARES

Os conceitos de representação político-institucional e de advocacy estão interligados e se complementam. Enquanto um constrói reconhecimento, o outro consolida as estratégias de defesa com ações. Na esfera de representação, os esforços são direcionados para consolidar a presença e a visibilidade do cooperativismo na agenda do país. Partimos então para um processo direto de articulação, ainda mais dinâmico e direcionado, que acontece dentro do escopo de advocacy. Apresentamos argumentos e estudos técnicos que retratam a realidade e as potencialidades do modelo coop, buscando influenciar decisões importantes em benefício das cooperativas. 

“Defender o cooperativismo como uma categoria econômica é um compromisso da OCB", garante a gerente-geral do Sistema OCB. "Com uma participação ativa nas discussões junto ao Congresso Nacional e ao governo, contribuímos para que as particularidades das cooperativas sejam contempladas, podendo amparar, inclusive, temas como equidade, inclusão econômica e desenvolvimento sustentável. Afinal, nós sabemos que o cooperativismo é um agente importante na construção de uma sociedade mais justa e próspera.”

 

 

De onde vem Advocacy é um termo inglês, que vem do verbo “advocate” (advogar). Mas sua origem é do latim, mais especificamente da palavra “advocare”, que traz como significado “ajudar alguém em necessidade”. A expressão ainda não tem uma tradução literal para o português. Trata-se de uma atividade baseada em uma comunicação objetiva, direcionada e argumentativa. A ideia é promover o diálogo entre instituições públicas e privadas, empresas e o Poder Público para influenciar processos decisórios em defesa de causas importantes para diferentes grupos e segmentos.     

Legislação – O advocacy está presente no mundo todo. Alguns países contam, inclusive, com legislações específicas para regulamentar essa prática. No Brasil, esse processo ainda está em discussão na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. O objetivo é trazer diretrizes e regras que disciplinem oficialmente o processo, reforçando a importância da ética e da transparência.   

Destaque – Direito de todos
A participação da sociedade em processos decisórios do país está prevista na Constituição Federal de 1988, uma marca importante em um processo de evolução democrática. Existem diferentes mecanismos apontando como isso pode acontecer. Um exemplo são os conselhos gestores de políticas públicas nos estados e municípios, assim como consultas e audiências públicas. Em muitos casos, essa participação ocorre a partir da atuação de entidades da sociedade civil em defesa de diferentes setores, como o Sistema OCB em prol do cooperativismo brasileiro. 
   

 

fotografia de uma urna de eleições

Eleições 2024: como as cooperativas podem participar?

Em outubro, os eleitores brasileiros irão às urnas para escolher prefeitos, vice-prefeitos e vereadores de 5.569 cidades do país. Para o cooperativismo, as eleições municipais são uma grande oportunidade para aumentar a representatividade do coop nas prefeituras e câmaras municipais, além de ampliar a cultura da representação institucional, ferramenta que faz o cooperativismo ser visto e lembrado nos espaços de decisão e na elaboração de políticas públicas. 

“Para o bom desenvolvimento das nossas cooperativas, é preciso ter um ambiente favorável em políticas públicas. Temos que começar a ver a política não como um espaço de poder e de influência, mas como uma forma de transformar a vida das pessoas e a vida das cooperativas, por meio de políticas públicas”, explica o coordenador de Relações Governamentais do Sistema OCB, Eduardo Queiroz. 

O primeiro turno está marcado para o dia 6 de outubro, e um eventual segundo turno, em casos de disputa acirrada em cidades com mais de 200 mil eleitores, deverá ocorrer no dia 27 de outubro. Até lá, o processo eleitoral tem muitas etapas e as cooperativas brasileiras precisam estar preparadas para fazer parte desse momento de renovação política nos municípios e incluir o cooperativismo entre os temas prioritários das agendas dos candidatos a prefeituras e câmaras de vereadores. 

“As eleições municipais são um momento estratégico da nossa democracia. As pautas de costumes e de macroeconomia, que têm destaque nas eleições gerais, dão espaço para as pautas locais, em que a população realmente vê o impacto das políticas públicas no seu dia a dia, como saneamento, educação, saúde, segurança, infraestrutura. Por isso as eleições municipais são uma grande oportunidade para o cooperativismo, porque as cooperativas estão presentes e participam ativamente do desenvolvimento econômico e social das comunidades”, compara. 

Segundo Queiroz, a participação política muitas vezes é vista com receio ou como um tabu, por causa da quebra de confiança ou frustração gerada em algum momento por algum candidato ou partido político, mas é preciso reverter essa visão nas cooperativas e entre os cooperados.

“Nós, do Sistema OCB, acreditamos que para criar esse novo ambiente em relação à política é preciso informação. Quando a gente entende o sistema político, por que os políticos estão ali e como eles podem transformar a realidade das nossas cooperativas para melhor, a gente começa a valorizar cada vez mais a importância da política”, destaca. 

 

Informação e propostas

Para garantir que o cooperativismo ganhe espaço no debate eleitoral e que os candidatos defendam os interesses das cooperativas, o Sistema OCB vai lançar conteúdos especiais para as Eleições 2024, entre eles dois documentos com diretrizes para a participação do coop no processo eleitoral: um com recomendações para a participação das cooperativas no pleito; e outro com propostas para que os candidatos coloquem as cooperativas como parte central das estratégias de desenvolvimento sustentável, redução das desigualdades e inclusão financeira e produtiva. 

A cartilha Cooperativismo e Eleições será focada em boas práticas para a participação de cooperativas e cooperados nas eleições de forma íntegra, transparente e legítima. O Sistema OCB também vai disponibilizar materiais de comunicação para redes sociais e WhatsApp para promover o engajamento dos cooperados no processo eleitoral. 

Já a publicação Propostas para Cidades mais Cooperativas reunirá sugestões de como promover o cooperativismo como instrumento de desenvolvimento local e regional e de  inclusão produtiva e financeira nas cidades brasileiras. A ideia é que o caderno de propostas seja entregue a candidatos de cada município para subsidiar programas de governo que favoreçam o desenvolvimento do coop. 

Os materiais fazem parte do Programa de Educação Política do Sistema OCB, iniciativa criada em 2022 em preparação para as eleições majoritárias daquele ano, e que se tornou permanente. 

“O programa vai muito além das eleições. Ele nasceu da necessidade de criarmos uma cultura de participação, engajamento e representação institucional do cooperativismo. O foco é aumentar a representatividade do coop nos espaços de poder, principalmente no âmbito do Poder Legislativo, mas também fomentar o debate. Cidadania, voto consciente e o papel das políticas públicas podem e devem estar no cotidiano das cooperativas, nos debates entre dirigentes e nos diversos espaços de discussão, como em comitês de jovens e mulheres”, explica Queiroz. 

Atualmente, o programa está em seu segundo ciclo, que vai até 2026. Até o momento, conta com a adesão de 21 Organizações Estaduais do Sistema OCB. Todas as iniciativas seguem a diretriz nacional de ampliar a cultura da representação institucional do cooperativismo e aumentar a representatividade do coop no Poder Legislativo, mas cada entidade atua conforme a realidade e características locais, de acordo com as demandas das coops que representa. 

 

Como as cooperativas devem atuar na eleição

O principal instrumento de atuação política é o voto. Na democracia representativa, ele é a maior ferramenta para transformar a realidade ao nosso redor, e o cooperativismo deve estar atento a quem representa os interesses do setor. 

“O voto é um depósito de confiança que a gente dá aos políticos para que eles nos representem. Defendam os nossos valores, nossos propósitos, nossas causas. E no movimento cooperativista não é diferente, nosso voto deve ser em candidatos que vistam a camisa do do cooperativismo brasileiro”, explica Eduardo Queiroz. 

É importante destacar que as cooperativas e organizações cooperativistas não podem indicar voto em candidatos determinados. A atuação deve ter foco na conscientização política e na transparência, com informações públicas sobre o histórico de candidatos que tenham compromisso com o cooperativismo, sem que haja distinção no tratamento de diferentes candidaturas. 

“A cooperativa precisa ter cuidado no processo eleitoral para que ela tenha uma ação legítima e íntegra. Na legislação cooperativista existe um princípio que trata da neutralidade das cooperativas. Na prática, a cooperativa não pode ter um lado partidário ou a preferência por um espectro político. Mas não se pode confundir a neutralidade política - que as cooperativas precisam obedecer - com inércia política. A política faz parte do nosso dia a dia. Todos os dias agentes públicos nos Três Poderes tomam decisões que afetam diretamente as cooperativas, então a gente precisa sim participar do processo eleitoral”, destaca o coordenador de Relações Governamentais do Sistema OCB. 

 

5 recomendações do Sistema OCB para a participação de cooperativas e cooperados no processo eleitoral: 

1 - Convidar candidatos para conversar sobre propostas que atendam a interesses das cooperativas;

2- Estabelecer diálogo com candidatos para que assumam compromissos com pautas cooperativistas e as incluam em suas plataformas; 

3-  Pesquisar a trajetória de candidatos para avaliar como eles se posicionam em relação a políticas públicas que beneficiam ou afetam o cooperativismo;

4- Fomentar a conscientização política e busca por candidatos que  levantem a bandeira do cooperativismo; 

5- Promover a educação política com informação e eventos sobre representação, eleições, legislação e políticas públicas com impacto para o coop. 

 

 

Dirigentes de cooperativas podem ser candidatos? 

A participação política de cooperativas é legítima e necessária para ampliar a representatividade do cooperativismo. No entanto, para garantir que as coops não sejam utilizadas para promoção de candidaturas ou partidos, a legislação obriga o afastamento de candidatos de cargos ocupados nas cooperativas, com devida antecedência. 

Os candidatos devem ficar atentos aos prazos de desincompatibilização, ou seja, de afastamento de suas funções para participação no pleito. O tempo varia de acordo com a função ocupada e o cargo ao qual concorrerá, seja prefeito e vice-prefeito ou vereador. As informações oficiais do calendário eleitoral são divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral

Fotografia da esplanada dos ministérios

5 políticas públicas essenciais para o cooperativismo aprovadas com a ajuda do Sistema OCB

Aumentar a competitividade das cooperativas brasileiras e garantir que elas possam crescer de forma sustentável. Com esse objetivo, o Sistema OCB trabalha sistematicamente na representação institucional e defesa dos interesses do cooperativismo junto aos tomadores de decisão, seja no Congresso Nacional, no Executivo ou no Judiciário. 

“A representação é um pilar de competitividade. Quando a gente fala de representação, estamos falando de garantir um marco regulatório e de políticas públicas que sejam adequadas ao desenvolvimento do cooperativismo, que reconheçam a especificidades e a relevância do cooperativismo e que contribuam para o nosso desenvolvimento”, pondera a gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB, Clara Maffia. 

Essa mobilização tem sido responsável por conquistas essenciais para o cooperativismo nos últimos anos, influenciando a aprovação de leis e criação de políticas públicas que impactam diretamente o trabalho das cooperativas e beneficiam milhões de cooperados. 

“As leis e políticas públicas têm um impacto muito relevante na vida dos brasileiros, em qualquer setor. E não é diferente no cooperativismo, não estamos isolados da sociedade. Somos afetados profundamente pelo que é decidido nos Três Poderes. Então, nosso papel de representação é conseguir, de alguma maneira, influenciar decisões melhores para o cooperativismo, que sejam mais adequadas ao desenvolvimento das cooperativas”, explica. 

Em alguns casos, como na histórica atuação do cooperativismo na tramitação da Reforma Tributária, a atuação é transversal, ou seja, tem reflexos sobre todos os ramos do coop. Em outros, os cientistas políticos e equipes técnicas do Sistema OCB atuam na articulação de propostas ligadas a segmentos específicos, como as cooperativas agropecuárias, de infraestrutura, de crédito, entre outras. 

No Congresso Nacional, essa tarefa é feita em conjunto com a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), bancada suprapartidária formada atualmente por 285 deputados e 40 senadores que abraçaram a causa cooperativista. 

 

Conheça 5 leis e políticas públicas essenciais para o cooperativismo aprovadas com o apoio do Sistema OCB: 

 

1- Cooperativismo na Reforma Tributária: a mais recente das conquistas políticas do cooperativismo foi a histórica inclusão do adequado tratamento ao ato cooperativo na Reforma Tributária, promulgada pelo Congresso Nacional no fim de 2023, depois de quase 30 anos de discussão. A garantia de tratamento tributário diferenciado para as cooperativas foi resultado de uma grande mobilização do Sistema OCB e da Frencoop, em articulação com as representações estaduais e setoriais do coop brasileiro. O trabalho continuará em 2024 para influenciar a elaboração das leis complementares que regulamentarão o texto constitucional. 

2- Organização e modernização do cooperativismo de crédito: Para criar um ambiente de negócios mais seguro e competitivo para as cooperativas de crédito brasileiras, o Sistema OCB teve participação decisiva tanto na aprovação da Lei Complementar 130/2009, que instituiu o Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC), como da Lei Complementar 196/2022, que modernizou a regulamentação do setor. As regras garantem um ambiente regulatório adequado para que as coops de crédito ofereçam produtos e serviços financeiros justos aos mais de 15,5 milhões de cooperados em todo o país. 

3- Reconhecimento das cooperativas de trabalho: O Sistema OCB levou ao Congresso Nacional a necessidade de regulamentação das cooperativas de trabalho, discussão que deu origem à Lei 12.690/2012, que dispõe sobre a organização e o funcionamento das coops desse ramo. A lei corrige distorções e desconhecimento sobre a formação e atuação das cooperativas de trabalho e prevê a regulamentação de dispositivos específicos sobre os direitos dos cooperados organizados em cooperativas. 

4- Código Florestal: Um dos principais marcos regulatórios ambientais do país, o Código Florestal foi atualizado em 2012, com novas regras para proteção da vegetação nativa em áreas de preservação permanente, reserva legal, uso restrito, exploração florestal e assuntos relacionados. A tramitação no Congresso Nacional foi marcada pela polarização entre representantes do agronegócio e ambientalistas. Em meio a esse cenário, o Sistema OCB teve um papel central na articulação política e na garantia de equilíbrio entre os setores para garantir um texto que atendesse aos interesses da sociedade brasileira como um todo.

5- Plano Safra: Ano após ano, o Sistema OCB atua sistematicamente para garantir as melhores condições para as cooperativas agrícolas brasileiras no Plano Safra, que define as diretrizes da política agrícola de crédito e seguro rural no país. Para o período 2023/2024, o Plano Safra prevê um volume de crédito recorde de R$364,22 bilhões, 26,8% maior que o do período anterior. As coops agropecuárias estão entre as grandes beneficiárias do maior Plano Safra da história, graças ao trabalho de representação institucional do Sistema OCB, com apoio do Grupo Técnico de Crédito Rural da OCB. 

Esses resultados são parte de um trabalho institucional abrangente e minucioso em defesa  do cooperativismo brasileiro feito pela equipe de representação institucional do Sistema OCB. Em 2023, por exemplo, foram 5.344 proposições acompanhadas no Congresso Nacional, 46 delas listadas como prioritárias na Agenda Institucional do Cooperativismo. No Executivo, foram realizadas 277 reuniões com autoridades e mapeados 3.135 normativos com interesse para o cooperativismo.

 

 

Pautas prioritárias

Para definir as pautas de interesse do coop, uma ferramenta de Inteligência Artificial faz a leitura do Diário Oficial da União e acompanha a movimentação de projetos de lei no Congresso Nacional em busca de palavras-chave ligadas ao cooperativismo e aos setores de atuação das coops. Em seguida, a equipe técnica filtra as informações e avalia quais as proposições têm mais impacto sobre o modelo de negócio cooperativista para que as estratégias de atuação sejam definidas. 

Além dessa porta de entrada, as demandas de representação institucional também são apresentadas pelas Organizações Estaduais e pelos Conselhos Consultivos de Ramos e Câmaras Temáticas, órgãos representativos que funcionam como porta-vozes de cada segmento do coop. 

“Os Conselhos Consultivos de Ramos são fundamentais para que a gente possa entender demandas que ainda não existam em projetos de lei ou políticas públicas. A partir disso, nossa equipe constrói um texto e depois, estrategicamente, define qual parlamentar a gente vai procurar; ou, no caso do Executivo, qual ministério a gente vai buscar, qual caminho a gente vai trilhar”, explica a gerente de Relações Institucionais.

Para 2024, segundo Clara Maffia, o trabalho de articulação política do Sistema OCB terá entre as prioridades a regulamentação da Reforma Tributária, com a elaboração de leis complementares que garantam o tratamento tributário diferenciado para as cooperativas; e leis em tramitação sobre a participação do cooperativismo no mercado de seguros e de telecomunicações, além de normas que tratam da recuperação judicial de cooperativas.

 

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Construindo juntos estratégias para o coop

Ser a voz de milhões de brasileiros que escolheram o cooperativismo como fonte de trabalho e renda é, sim, uma grande responsabilidade. São mais de 20 milhões de pessoas, de Norte a Sul do país, que acreditam na união e na gestão democrática como caminho de crescimento. Dessa forma, cooperados de todo o Brasil conquistam diariamente o seu espaço no mundo dos negócios e na sociedade. E os números mostram a força do nosso movimento. Só em 2023, as cooperativas registraram R$ 966,6 bilhões em ativos. 

Por isso, defender as bandeiras do cooperativismo é uma missão que o Sistema OCB leva a sério e faz com muito orgulho. Esse é um trabalho feito por muitos, a partir da troca de ideias, do desenho de estratégias e da construção conjunta, bem no estilo coop. “E são as próprias cooperativas que definem suas pautas prioritárias e compartilham com o nosso time de especialistas nos estados e na Unidade Nacional. Um material que depois é transformado em um grande plano de ação anual com temas comuns a todas as cooperativas. E as particularidades de cada segmento são contempladas em planos específicos”, explica o coordenador de ramos do Sistema OCB, Hugo Andrade.  

Esse processo acontece dentro dos Conselhos Consultivos do Sistema OCB. Hoje, as 4.693 cooperativas brasileiras estão organizadas em sete ramos diferentes, de acordo com a atividade econômica que realizam. E cada um dos ramos tem o seu próprio conselho. Eles são formados por representantes de cooperativas regulares com a OCB, indicados pelas nossas Organizações Estaduais. A participação nos conselhos também é aberta a colaboradores dos estados. Nada mais justo, afinal eles estão bem próximos às coops e acompanham de perto as suas atividades. No caso específico dos ramos Crédito e Saúde, existem também as indicações feitas pelas confederações atuantes nesses segmentos. 

Coordenação

Para organizar ainda mais os processos e facilitar a interlocução entre as cooperativas e o Sistema OCB, cada conselho consultivo tem uma coordenação. Ela pode ser colegiada, ou seja, formada por dois ou mais conselheiros, como é o caso do Ramo Trabalho, Produção de Bens e Serviços. Existe também a possibilidade dessa coordenação ser exercida por um representante escolhido pelo grupo, como acontece, por exemplo, com o Ramo Consumo. A cada dois ou três anos, os coordenadores são alterados, podendo variar o tempo de permanência de um conselho para o outro. 

E qual seria exatamente o papel da coordenação? Os coordenadores ficam responsáveis por representar o conselho nos órgãos estatutários da OCB, convocar as reuniões, dar encaminhamento ou executar diretamente as deliberações definidas pelo grupo de conselheiros. É importante que os coordenadores busquem sempre o consenso nas discussões e reforcem os posicionamentos em todos os espaços de interação, mantendo uma posição uniforme no trato de todas as questões de interesse dos ramos.   

 Curiosidade
Você sabia que a atuação dos conselhos está prevista no Estatuto da OCB desde 1977? Eles foram criados pela própria diretoria da instituição, como uma estrutura auxiliar, trazendo contribuições diretamente da base. Com isso, ganha o cooperativismo e todo o sistema, com ações, projetos e planejamentos que espelham a realidade, as necessidades e os desafios de todas as cooperativas.     

É justamente isso que destaca o coordenador de ramos do Sistema OCB: “Os conselhos consultivos têm o papel essencial de trazer para os espaços de debate nacional as demandas que são prioritárias para cada ramo, espelhando também as especificidades de cada um dos estados. Portanto, é essencial que os conselheiros olhem para além das cooperativas às quais eles estão vinculados e proponham ações e projetos que possam fortalecer os ramos como um todo”, comenta Hugo Andrade.

Como os conselhos consultivos funcionam na prática? 

Via de regra, os conselhos consultivos se reúnem, pelo menos, uma vez por ano. E depois da pandemia, esses encontros passaram a acontecer, em sua maioria, no formato on-line. Esse tipo de definição, sobre a periodicidade dos encontros, consta no regimento interno de cada conselho. É neste mesmo documento que são descritas a missão, as competências, a forma de coordenação, entre outros pontos.

Existem estruturas complementares ligadas aos conselhos consultivos. São as câmaras temáticas, que têm funções ainda mais específicas, se reúnem mais vezes durante o ano e discutem temas mais peculiares. O Ramo Infraestrutura, por exemplo, conta com três câmaras temáticas – de Geração Distribuída, de Distribuição de Energia e de Habitação.  

Números em destaque

7 conselhos consultivos, um para cada ramo do cooperativismo

20 câmaras temáticas discutindo temas específicos

Cerca de 300 pessoas – entre representantes de cooperativas e de organizações estaduais participando dos conselhos consultivos e das câmaras temáticas

Todos os debates contam com a participação ativa da equipe técnica dos Sistema OCB

 Conheça os 7 ramos do cooperativismo

  • *Agropecuário

  • *Consumo

  • *Crédito

  • *Infraestrutura

  • *Saúde

  • *Trabalho, Produção de Bens e Serviços

  • *Transporte  

 Conquistas na prática

O resultado desse trabalho feito em conjunto com as próprias cooperativas, as organizações estaduais da OCB e o nosso time de especialistas pode ser visto na prática. Acordos de cooperação técnica com órgãos do governo, realização de missões e elaboração de planos de ação estruturantes são alguns exemplos. Isso, sem falar na constante avaliação e proposição de políticas públicas e legislações que estimulem um ambiente favorável à atuação e ao desenvolvimento do cooperativismo em todo o país. E neste último ponto, em especial, contamos também com a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop). 

Perspectivas para 2024

Segundo Hugo Andrade, o objetivo é contar com os conselhos consultivos para o fortalecimento de todos os ramos do cooperativismo, a partir do compartilhamento de informações que subsidiem a atuação técnica do Sistema OCB. “Estamos constantemente atentos às necessidades e aos desafios das cooperativas brasileiras para ajudá-las a vencerem as dificuldades e construírem uma jornada de crescimento, contando com um ambiente que favoreça esse processo”.

O coordenador de ramos do Sistema OCB faz questão de complementar, chamando a atenção para um olhar direcionado também a novas oportunidades. “Não paramos por aí, estamos sempre em busca de novas oportunidades de atuação para todas as cooperativas, acompanhando todas as tendências. E o trabalho com os conselhos consultivos e as câmaras temáticas também contribui para isso”, ressalta.

Temas gerais que estarão em destaque para todos os ramos e conselhos consultivos em 2024:

Defesa do ato cooperativo – esse é um dos temas prioritários para o Sistema OCB, em uma atuação sistemática junto aos Três Poderes. E já tivemos vitórias importantes nesse sentido, como a previsão do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo, assim como de um regime específico para as cooperativas, no texto da Reforma Tributária, aprovado pelo Congresso Nacional em 2023. A ideia é evitar a duplicidade de cobrança e a ocorrência de uma tributação mais pesada ao modelo cooperativo, em relação aos demais modelos de negócios. 

Projeto de reorganização de cooperativas – as cooperativas têm legislação própria e não recorrem às normas previstas na chamada Lei de Falências (Lei 11.101/2005), em função de suas especificidades. Esse é um processo que pode colocar as cooperativas em desvantagem competitiva frente aos modelos societários empresariais. Para mudar essa realidade, o Sistema OCB trabalha pela aprovação de um texto que permita às coops a oportunidade de superar possíveis instabilidades financeiras, preservando suas características particulares.   

Participação de cooperativas no mercado de seguros – o objetivo é ampliar a possibilidade de atuação das cooperativas nesse mercado, beneficiando um número crescente de cooperados.  E fazer isso em conformidade com a legislação cooperativista, garantindo ao modelo de negócios coop seus direitos e deveres. Vale ressaltar que o cooperativismo tem uma presença global consolidada e significativa no mercado de seguros. São cerca de 5 mil cooperativas, presentes em 77 países, com 333 milhões de membros atendidos e aproximadamente R$ 11 trilhões em ativos totais, segundo dados de 2021 – da ICMIF (Federação Internacional de Cooperativas e Seguros Mútuos).  
 

Saiba mais
Nós lançamos em 2023 o Guia de Representantes do Sistema OCB. A ideia é promover boas práticas de relacionamento entre os representantes do cooperativismo e os mais diversos públicos estratégicos para o movimento, tanto dentro do próprio coop quanto externamente, no contato com diferentes instituições. Um material interessante também para quem atua nos conselhos consultivos e nas câmaras temáticas do Sistema OCB. Vamos juntos vestir a camisa e fortalecer o orgulho de ser coop!


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Representação institucional garante voz e visibilidade ao cooperativismo

Um em cada 10 brasileiros é coop. Com mais de 20 milhões de cooperados, nosso modelo de negócio está em todos os setores da economia e movimenta R$656 bilhões por ano — uma cifra que gera trabalho, renda e prosperidade de Norte a Sul do país, com produtos e serviços justos e de qualidade. 

Todos esses resultados são fruto do trabalho das 4.693 cooperativas brasileiras e precisam de um ambiente regulatório adequado para ganhar projeção e gerar todos os benefícios que o cooperativismo pode proporcionar. Para isso, é preciso informar e influenciar quem formula e decide as políticas públicas do nosso país. Incluem-se aí senadores, deputados, representantes do Poder Executivo, juízes, mandatários eleitos ou nomeados e formadores de opinião. E este é o principal desafio da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), entidade que representa e amplia a voz das cooperativas brasileiras, dentro e fora do Brasil.

"Nosso principal desafio, como entidade de representação oficial do cooperativismo no Brasil, é garantir que a elaboração de políticas públicas leve em conta o papel do cooperativismo para a sociedade brasileira, seja pela expressiva participação na economia, pela inovação, pelo impulsionamento de pequenos negócios ou pela redução de vulnerabilidades sociais por meio da inclusão produtiva", explica Tânia Zanella, superintendente do Sistema OCB. 

Na prática, o trabalho de representação institucional do Sistema OCB é realizado por uma  equipe de 21 cientistas políticos e especialistas técnicos que atuam estrategicamente para defender os interesses das cooperativas brasileiras e levar  informações sobre o poder transformador do coop aos principais tomadores de decisão do país e do exterior. É importante destacar que, além do time exclusivo de relações institucionais, outras equipes da OCB também apoiam  diretamente esse trabalho.

"A representação política é uma das mais sofisticadas e importantes engrenagens do mundo moderno", analisa Clara Maffia, gerente de relações institucionais do Sistema OCB. "Sem ela, a conquista de espaço, atenção e resultados se torna uma tarefa quase impossível. Ao mesmo tempo, a expansão do cooperativismo passa, necessariamente, pela definição de marcos regulatórios que sejam positivos para o movimento. É fundamental que a legislação em vigor incentive as práticas desse modelo de negócios, focado no coletivo, na justiça social e na sustentabilidade.”

Confira, a seguir, os dois pilares de atuação da representação institucional do Sistema OCB.

REPRESENTAÇÃO POLÍTICA NO BRASIL

Tânia Zanela - Superintendente do Sistema OCB
Para atuar junto à pauta política com demandas do cooperativismo, evitar medidas que possam afetar negativamente as cooperativas e garantir a defesa de interesses do setor, a representação institucional das cooperativas é feita junto aos Três Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.

No dia a dia, essa articulação se dá no relacionamento com deputados e senadores no Congresso Nacional, em agendas com autoridades do primeiro e segundo escalões do governo e no acompanhamento de processos relacionados ao coop nos tribunais superiores. 

 

“Oferecemos conteúdo, inteligência e outras formas de contribuição de forma unificada, garantindo assim, inclusive, maior escala para os nossos pleitos. Cuidamos para que as pautas necessárias para aprimorar nossas atividades sejam aprovadas e trabalhamos também para a rejeição daquelas que possam trazer algum tipo de prejuízo ao modelo de negócios cooperativo”, explica a superintendente do Sistema OCB, Tânia Zanella. 

Este ano, segundo dados do começo de dezembro, quase 5 mil propostas de lei foram monitoradas constantemente pela equipe do Sistema OCB, que acompanha cada passo da tramitação e atua para garantir que os projetos tenham resultados favoráveis ao cooperativismo. 

No Judiciário, o time jurídico acompanha a movimentação de processos de interesse do coop nos Tribunais Superiores. O Sistema OCB tem 13 amicus curiae (expressão em latim que significa amigo da Corte) junto ao STF e STJ, responsáveis por apresentar subsídios para apoiar os tribunais em temas que impactam diretamente às cooperativas. 

Além disso, são monitoradas, em média, 2.380 decisões por mês nos Tribunais Superiores. (veja mais números no box abaixo). 

APOIO QUALIFICADO

No Congresso, o trabalho de representação política das cooperativas brasileiras tem um aliado de peso: a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), bancada suprapartidária formada por deputados e senadores que abraçaram a causa cooperativista. 

Criada em 1986, na atual legislatura a Frente tem 325 parlamentares: 285 deputados e 40 senadores, mais da metade da bancada das duas Casas. O grupo atua de forma articulada e transparente com a equipe da OCB para garantir que o cooperativismo esteja na agenda do Parlamento na discussão de leis que impactam o setor, tanto nas comissões temáticas quanto nas votações em plenário. 

Em 2023, uma das grandes conquistas do Sistema OCB e da Frencoop foi a inclusão e a aprovação de dispositivos que consideram a necessidade do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo e permitem a criação de um regime específico de tributação para as cooperativas no texto da Reforma Tributária.


Números da representação política em 2023 

 4,7 mil 

 propostas de lei em monitoramento constante pela equipe do Sistema OCB 

 468 

 sessões deliberativas acompanhadas na Câmara e no Senado 

 269 

 reuniões com dirigentes do governo federal

 18 

 reuniões com ministros de estados

 

Atuação no Judiciário  

 43

 Ações Diretas de Inconstitucionalidade acompanhadas no STF

 2,3 mil

 análises de decisões envolvendo cooperativas monitoradas no STJ (média mensal)

 80

 análises de decisões envolvendo cooperativas monitoradas no STF (média mensal)

 


INFORMAÇÃO É PODER


Além do trabalho de interlocução nos gabinetes e da articulação direta, o Sistema OCB também produz informações para dar subsídios à representação política por outros integrantes do cooperativismo. A principal ferramenta é a Agenda Institucional do Cooperativismo, plataforma que reúne as demandas das 4.693 cooperativas brasileiras e detalha as principais iniciativas em andamento que possam influenciar o segmento no Legislativo, Executivo e Judiciário. 

Com a plataforma, é possível acompanhar diariamente onde serão debatidos temas de interesse do cooperativismo, a tramitação de projetos de lei e medidas governamentais que impactam o setor e decisões judiciais com repercussão sobre o nosso modelo de negócio. 

“Por ser um movimento tão diversificado, o cooperativismo possui pautas distintas dentro de cada um dos seus segmentos, com especificidades que precisam ser levadas em consideração pelos representantes dos Três Poderes nas suas tomadas de decisão. Por isso, o Sistema OCB aposta em diversos canais e ações para aumentar a representação do coop diante dos tomadores de decisões do país”, explica a gerente de Relações Institucionais. 

Semanalmente, o informativo Panorama do Coop reúne os principais avanços da representação institucional, acompanhados de boletins de Análise Política, Tributária e Sindical. Já a publicação Direito no Coop traz um panorama da atuação no Judiciário, com um giro pelas principais decisões de tribunais superiores com impacto no coop, análises de processos e dicas processuais para a atuação das cooperativas em seus processos judiciais e demandas jurídicas. 

 

REPRESENTAÇÃO INTERNACIONAL

Apresentar o cooperativismo para o mundo, apoiar a internacionalização das operações comerciais das cooperativas e abrir novos mercados para os produtos coop brasileiros também está entre as tarefas da representação institucional da OCB. 

Para começar, o Brasil está muito bem representado na Aliança Cooperativa Internacional (ACI), a voz mundial do cooperativismo, que representa 3 milhões de cooperativas em todo o mundo, num total de 1 bilhão de cooperados. Desde 2022, o presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, é um dos integrantes do Conselho de Administração da ACI, onde trabalha pelo fortalecimento global do modelo cooperativista. A ACI tem um escritório global, em Bruxelas, e quatro representações regionais: Europa, África, Américas e Ásia-Pacífico. 

Além da cadeira na ACI, o Sistema OCB integra outros grupos multilaterais do cooperativismo, como a Reunião Especializada de Cooperativas do Mercosul (RECM) e a Organização das Cooperativas dos Países de Língua Portuguesa (OCPLP), além de promover intercâmbio e cooperação técnica com sistemas cooperativistas nacionais de outro países. 

PROSPECÇÃO DE NEGÓCIOS

O Sistema OCB também atua diretamente para abrir fronteiras e ampliar oportunidades para as cooperativas no exterior. Nossa equipe trabalha para incluir cooperativas em programas de apoio à exportação, garantir a participação do coop em feiras e rodadas internacionais de negócios e facilitar a inserção no mercado exportador por meio de assistência especializada. 

Em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), por exemplo, por meio do Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX) Coop, mais de 20 cooperativas brasileiras estão recebendo capacitação para a exportação e o número deve chegar a 50 até 2024.

Segundo dados consolidados da Apex, em 2022, 207 cooperativas foram apoiadas pela agência e 73 delas exportaram. A parceria com o Sistema OCB também garante a reserva de vagas para cooperativas iniciantes nas exportações em ações de promoção de negócios internacionais da agência estatal. Em 2022, por exemplo, 11% das vagas em feiras internacionais do agronegócio promovidas pela ApexBrasil foram destinadas para cooperativas. 

O acordo de cooperação com a agência foi renovado até 2025 e prevê novas prioridades para o apoio a cooperativas no exterior, como o desenvolvimento de iniciativas que incorporem a perspectiva de igualdade de gênero e foco em produtos relacionados à biodiversidade da Amazônia e do Cerrado. 

PROTAGONISMO GLOBAL

COP28

Além do suporte na área comercial, a representação do coop brasileiro no exterior também tem a missão institucional de mostrar que o nosso modelo de negócio está alinhado com preocupações globais, como garantia de direitos humanos, trabalho digno, comércio justo e desenvolvimento sustentável.

Recentemente, durante a 28° Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP 28, o cooperativismo brasileiro foi protagonista em painéis que destacavam as contribuições das cooperativas para a sustentabilidade ambiental, segurança alimentar e combate às mudanças climáticas. 

De acordo com o coordenador de Relações Internacionais do Sistema OCB, João Martins, dar visibilidade a histórias bem-sucedidas de cooperativas brasileiras em fóruns internacionais contribui para o fortalecimento do setor no cenário global. “É uma grande oportunidade de mostrar quão preparadas nossas cooperativas estão para a temática da sustentabilidade, mostrar uma nova marca Brasil para o mundo. E também de criar parcerias estratégicas, construir alianças que permitam acessar novos mercados, além de mostrar nossa capacidade de liderança internacional, de congregar cooperativas de diversos países em torno do debate sobre a sustentabilidade”, afirma. 

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Lição de vida

Elizeth Pelegrini é uma mulher em constante construção. Cada aprendizado é um tijolo que sustenta sua personalidade e define a sua essência. Ela ergue um pouco de si mesma a cada dia, como uma propriedade sendo levantada aos poucos: por um novo conhecimento, por meio de uma nova profissão ou pela troca de experiências. “É como se eu tivesse construindo uma casa, e esses tijolos de conhecimento fazem parte da estrutura que vai receber um telhado”, define. “Mas eu não quero por o meu telhado agora”, avisa logo.

Aos 56 anos, ela quer mais. Assume gostar de mudanças. Profissionalmente, nunca temeu desafios. Por uma década, foi funcionária de banco privado. Passou pelo atendimento, abriu contas, trabalhou no mercado de ações e orientou aplicações dos clientes. Formada em Ciências da Computação, fez parte da construção de uma Usina Hidrelétrica em Minas Gerais, onde transformava, por meio do desenvolvimento de softwares, a força das águas em energia para iluminar as casas.  

Também se formou em Letras e foi parar na sala de aula. Tornou-se cooperativista e se especializou em Gestão de Sociedades Cooperativas. Entre tantas versões de si mesma, Elizeth Pelegrini é também associada na Cooperativa de Trabalho Magna – Colégio CEM, com sede em Concórdia, Santa Catarina.

Desde março de 2004, ela assumiu o cargo de Presidente do Conselho de Administração da Cooperativa — reconhecida nacionalmente pela excelência em gestão, com destaque para a governança. Desde então, comanda a escola que nasceu, há 25 anos, pautada pelos princípios do cooperativismo e, hoje, conta com 38 associados, todos profissionais da educação. Ao todo, são 480 alunos, com idade entre 5 meses e 18 anos, matriculados na educação infantil, no ensino fundamental e no ensino médio. 

O colégio CEM oferece um serviço diferenciado. Em 2018 e 2020, recebeu o Prêmio SomosCoop Melhores do Ano. Também foi reconhecido em 2019 e 2021 no Prêmio SomosCoop Excelência em Gestão – premiação vinculada ao diagnóstico Governança e Gestão – Avaliacoop. É considerado um modelo de inovação, principalmente por ser o único do Brasil a ter uma minicidade.

Idealizada na gestão de Elizeth, o projeto levou para dentro da escola a simulação de uma cidade com Prefeitura, Câmara de Vereadores, Casa Cultural, Casa da Ciência, Livroteca, Centro de Convenções, Casa da Ocesc (Representando o Sistema Cooperativista), Cooperativas de Crédito, por exemplo. Tem regras de trânsito e até eleição de prefeito. A proposta é que os estudantes e os professores vivam experiências reais em que possam colocar em prática os princípios do cooperativismo e, assim, aprimorem as habilidades exigidas para viver em sociedade.  

Queremos que os nossos alunos desenvolvam valores e princípios que os levem a perceber e a efetivar mudanças de comportamento, de paradigma e a transformação de sua realidade política e social. Queremos incentivá-los a terem respeito com o outro e com a comunidade que está a sua volta e a entenderem, por exemplo, que se tem um mendigo na praça isso também é problema nosso. Nós temos que nos preocupar. Temos que ser melhores”, diz a gestora. 

O FRUTO NUNCA CAI LONGE DO PÉ

 

O cooperativismo sempre esteve presente na vida de Elizeth.  O pai dela era cafeicultor e associado a uma cooperativa de café em Araguari, Minas Gerais. Ela o acompanhava no trabalho e nas assembleias dos cooperados. Desde então, se apaixonou pelo conceito.  “Ela é uma cooperativista do fundo do coração. Defende não só os princípios do cooperativismo, mas age, realmente, cooperativamente. Ela é a pessoa mais receptiva e inclusiva que eu conheço”, descreve o amigo Elvio Silveira, que, por 35 anos, dedicou-se ao sistema cooperativo. 

E Elizeth seguiu os caminhos do pai, mais por vocação do que por planejamento. Quando ela deixou a companhia hidroelétrica em que trabalhava e enviou o currículo para uma vaga de professora de informática, não imaginava que o Colégio CEM era resultado de uma mobilização de 22 professores que queriam encontrar uma solução para que a Escola de Aplicação da Universidade do Contestado, em Concórdia, mantivesse as portas abertas. Surgia então, em 1998, uma instituição sem fins lucrativos, regida por princípios cooperativistas. 

Pelo destino, Elizeth se associou ao colégio em 2001, com a missão de ensinar crianças e adolescentes a usarem software e linguagem de programação. Logo, se viu ministrando aulas de inglês, português e matemática para os alunos de 6 e 7 anos.

“Foi um grande desafio porque eu nunca tinha estado em sala de aula, mas fui descobrindo outras habilidades, outras aptidões e me adaptando. Coloquei em prática muitas competências que eu já sabia e aprendi outras mais”, lembra.

CONQUISTA POR MÉRITO

 

Ensinar e aprender, aliás, é um dos muitos talentos dessa mineira. Quem a conhece, diz que ela tem uma capacidade ímpar de mediar conflitos, de se fazer ouvida e também de ouvir. “Ela tem um dom muito lindo de falar. Eu admiro vê-la falando, ver como ela impacta e cativa as pessoas. Ela sempre busca compartilhar conhecimento. Ela sempre transborda”, relata a filha, Natália, ao se referir a mãe, a dona de uma voz suave e fala pausada sempre entremeada por um sorriso. 

Resultado de estudo, técnica e talento nato, logo descobriram que Elizeth tinha “didática e metodologia” para desempenhar as tarefas e, três anos depois, foi convidada para ser presidente da cooperativa, cadeira que ocupa até hoje. Um cargo de destaque ainda é ocupado por poucas mulheres. 

Na nossa cooperativa somos a maioria e nunca tivemos um homem presidente. Mas, no contexto do sistema cooperativo, a presença da mulher ainda é pequena. Elas estão nos cargos executivos, nos conselhos, na diretoria, mas não na presidência. É um sistema masculino, mas que passa por um processo de mudança com as gerações que se adequam às transformações culturais e sociais”, analisa a presidente. 

Também por isso, Elizeth tornou-se exemplo para outras mulheres também assumirem comandos. É atual vice-presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC), e, há 16 anos, atua como representante do Ramo junto aos Conselhos Estadual e Nacional. Além disso,  faz parte da Associação de Empresárias de Concórdia. 

A cooperativista foi também a primeira mulher em Santa Catarina a assumir um cargo no Conselho de Administração da Organização do Estado, mas se recusa a reproduzir a fala de que “é preciso dar mais lugares às mulheres”. A professora prefere reformular a tese e diz que “a mulher conquista espaços porque realmente tem as habilidades necessárias para ocupá-los. Ela só precisa ter acesso a essas oportunidades.”

Como cooperativista que é, Elizeth prefere a união de esforços e de diferentes pontos de vista. Masculino e feminino somados por um resultado de equilíbrio. “Não vejo uma disputa entre homens e mulheres. A mulher, além de ter uma sensibilidade maior, estuda e se prepara mais. Ela é mais sensível e comedida na tomada de decisões. O homem já é mais arrojado e penso que isso equilibra. Os dois ganham. Então, parceria para mim é par”, avalia.

E ser vencedor no coletivo é um dos princípios do cooperativismo. Cooperar e construir em grupo é o que leva o colégio CEM a ocupar o pódio quando avaliado. O segredo está em entender que se trata de um grupo de associados em prol da oferta de um serviço de excelência. Trata-se de uma mudança de mentalidade que deixa de lado o papel de funcionário para assumir que todos são donos. 

“Quando o nosso professor entende que ele é um associado e que quanto mais qualidade ele exerce em sala de aula, mais retorno financeiro terá. O resultado é que agrega mais valor ao produto dele como professor, tem mais reconhecimento profissional e retorno econômico. Isso também é gestão.”

CHIMARRÃO COM PÃO-DE-QUEIJO

 

Nascida no município de Indianópolis, em Minas Gerais, Elizeth viveu até os três anos de idade na roça. Foi criada em Uberlândia, mas sempre voltava para o campo nas férias. Lá, estão as mais saborosas e perfumadas lembranças da infância. O “cheiro do café invadindo a cozinha”, o sabor do biscoito frito ou da comida roubada do fogão da mãe para fazer “cozinhadinha” nas panelas de criança.

Filha caçula de seis irmãos,  deixou a cidade natal para escolher uma nova terra, onde fincou raízes. Um trabalho temporário a levou para Concórdia, no Sul, com filhos e o ex-marido. O trabalho acabou, o casamento chegou ao fim, mas ela resolveu ficar naquela região onde tem geadas, entre gente que fala português misturado com dialetos vindos do italiano ou do alemão.

Achava que ali teria mais qualidade de vida para os filhos crescerem e decidiu deixar o resto da família em Uberlândia. “Foi uma ruptura para eles porque fui a primeira a sair do seio familiar”, lembra. E não se arrepende. Foi quando “saiu da caixinha”, nunca mais voltou. “A minha caixinha já queimou... joguei fogo nela”, ri. Mas quando pode, visita essa mesma caixa e vai rever irmãos, tios e sobrinhos. Pai e mãe já não estão por aqui.

Não posso deixar de amar o lugar que eu nasci, onde tenho a minha família”, afirma com o sotaque mineiro já misturado com o cantado tão característico de quem nasceu no Sul.

Versátil, facilmente Elizeth adaptou-se ao novo Estado. Tanto que toma chimarrão, mas não abre mão do pão de queijo. Aliás, faz questão de dizer que a receita que faz da iguaria mineira é apreciada pelo paladar dos amigos catarinenses. Não falta quem se convide para um lanche na casa dela só para comer um pãozinho desses saído do forno.

E a mineira gosta de casa cheia. Tradição familiar de manter gente amada reunida em volta da mesa. Gosta de conversa, da pizza em família no sábado à noite, do almoço de domingo ou das tardes com pipoca. Ela faz questão da presença dos filhos Augusto, 35, e Natália, 30. A caçula diz que a mãe é boa de prosa, companhia ideal para compartilhar pensamentos e ensinamentos. É assim desde sempre.

Se é uma mãe docemente firme, Elizeth não nega que amoleceu com os netos Alice,6, e Bernardo 5. “Meu Deus do céu! Ri. Eu não estrago meus netos. Eu me estraguei!”, dá uma risada, daquelas que terminam em covinhas. “Acho que toda a pedagogia, todo limite, caiu por terra. É um amor que a gente não sabe falar o que é. Não tem palavras. Não me pergunte porque não sei escolher uma palavra para definir isso, mas é muito bom.”

Quando está com eles, Elizeth literalmente se joga no chão, rola na grama. Perde a conta da velocidade do tempo. Eles brincam juntos. As crianças levam seus brinquedos e a avó tem os dela, aqueles que os netos levaram de presente para ela. É farra garantida. 

UMA MULHER EM MOVIMENTO

 

Elizeth tem asas nos pés. Ela acorda e pedala. Fim de semana caminha. Não são passos apressados e distraídos, mas uma jornada atenta e aprazível, assim como ela conduz a vida. Durante o confinamento imposto pela pandemia, ela e alguns amigos decidiram andar ao ar livre, espairecer a mente. A prática deu tão certo que virou o grupo “Liga Cacopé” e hoje soma mais de 50 pessoas que se encontram aos sábados para conhecerem as comunidades próximas a Concórdia a pé.  

O destino são pequenos povoados que se reúnem em torno de uma escola, de uma igreja e de um centro comunitário. De alguns, restam apenas ruínas. Elizeth e os amigos caminham entre 20 km a 25 km por fim de semana. No trajeto, conhecem gente, comem frutas direto do pé, fazem fotos das paisagens... “É um momento para desestressar”, define. 

Ela nunca para. A filha Natália diz que uma das maiores qualidades da mãe, às vezes, também pode ser um defeito. Ela se entrega demais aos projetos. Falta tempo. Elizeth concorda que é perfeccionista. Mas faz parte dela querer saber mais, estudar sempre e jamais estacionar. 

Quando está em repouso físico, ela acelera o cérebro. Estuda piano e ama música clássica. A professora está aprendendo grego, hebraico e história. E para conhecer mais sobre o assunto, ela faz como sempre: pesquisa, destrincha, lê, debate. Até que chegue ao ponto final, porém, ela ainda tem muito a fazer. Não restam dúvidas.

“Até lá, quero fazer o melhor enquanto avó, mãe e profissional no colégio CEM. Ser a melhor que eu puder para o sistema cooperativo sem querer nada em troca. Não é uma barganha financeira. É sentimento. É algo maior. Eu faço porque eu amo. Eu amo isso aqui”, repete três vezes. 

 


Esta matéria foi escrita por Flávia Duarte e está publicada na Edição 41 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação


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Dialogando com o Poder

No universo da comunicação e da política, existe uma máxima que diz muito sobre  o trabalho de quem trabalha para defender uma marca, uma organização ou até mesmo um setor da economia: “quem não é visto, não é lembrado”. E é exatamente para garantir que os pleitos e os interesses do coop brasileiro sejam vistos, ouvidos, lembrados e atendidos , que existe, em Brasília, a equipe de Relações Institucionais do Sistema OCB — entidade que representa as cooperativas brasileiras há 54 anos, no Brasil e fora dele. 

Na representação junto aos Três Poderes, a Gerência de Relações Institucionais do Sistema OCB (Gerin) é composta por um time de cientistas políticos e especialistas técnicos nos ramos do cooperativismo, que trabalham de forma coordenada e sistêmica pela aprovação de leis e políticas públicas que ajudem a fomentar o crescimento do setor.

Um dos papéis do Sistema OCB é justamente o de mostrar para os representantes do poder público, de maneira detalhada e simplificada, as especificidades do sistema cooperativista e de cada um dos seus sete ramos. Com isso, é possível garantir representantes ainda mais engajados com a causa do cooperativismo e alinhados com o discurso do Sistema na defesa das pautas das cooperativas", explica a gerente-geral do Sistema OCB, Fabíola Nader Motta.  

Para tanto, a equipe atua em diferentes frentes de trabalho. Uma parte do time cuida do relacionamento com deputados e senadores. No Congresso, solicitam aos parlamentares que firmem compromisso com as causas cooperativistas, ingressando na Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), incluindo pautas prioritárias do coop em suas plataformas e votando a favor de projetos que beneficiem os cooperados e as cooperativas brasileiras. 

Nosso diálogo com os Três Poderes engloba, ainda, a participação em grupos de trabalho, conselhos e outros fóruns consultivos e decisórios do Poder Executivo, e uma extensa agenda de autoridades do primeiro e segundo escalões do governo. Para completar, acompanhamos de perto os principais processos relacionados ao coop que tramitam nos Tribunais Superiores. 

Existe, ainda, um time da Gerência  de Relações Institucionais do Sistema OCB dedicado a trabalhar pelo fortalecimento de cada um dos sete ramos do cooperativismo. "Esses profissionais ficam encarregados de entender as demandas das cooperativas, trabalham para abrir novas oportunidades de negócios e levantam dados que ajudam a subsidiar a atuação da equipe política da instituição e dos Conselhos Consultivos dos Ramos", enumera Fabíola. Quer mais? Eles também realizam análises e estudos de inteligência de mercado que estão ajudando a facilitar o processo de tomada de decisão em muitas cooperativas.

Para completar, o time da Gerin busca tanto aproximar os cooperados do processo de representação política, quanto sensibilizar e conscientizar legisladores, formadores de opinião e lideranças — da política e da sociedade civil organizada —  sobre a importância das políticas públicas que incentivem e contribuam para a expansão e o fortalecimento do cooperativismo no Brasil. Esse trabalho envolve o diálogo com jornalistas para a promoção do cooperativismo junto à sociedade e à opinião pública.

VOZ DO COOPERATIVISMO
Defesa organizada no Congresso Nacional

De forma conjunta com o Sistema OCB, a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) — bancada suprapartidária formada por deputados e senadores — é quem levanta a bandeira do segmento cooperativista junto às autoridades públicas. Atualmente, a Frencoop conta com 308 parlamentares (51,8% do Congresso Nacional) e é reconhecida como uma das bancadas mais atuantes do Legislativo. Basta mencionar a recente aprovação de importantes políticas públicas para o coop, como o novo Marco Legal das Cooperativas de Crédito (Lei Complementar 196/2022). 

A Frencoop tem atuado para que projetos que possam impactar negativamente o cooperativismo não sejam deliberados. Somente em 2022, foram retiradas de pauta 45 proposições que teriam impacto negativo para as cooperativas.

Na visão do deputado Arnaldo Jardim (SP) —, atual presidente da Frencoop —, o cooperativismo brasileiro tem uma pauta legislativa muito propositiva e voltada para o bem comum. "O cooperativismo tem tido o cuidado de priorizar projetos positivos não só para o segmento, mas para o desenvolvimento econômico e social do país. É um salto pensar que hoje nos colocamos em um patamar diferenciado, como instrumento para impulsionar o Brasil por meio do cooperativismo. Os temas prioritários foram divulgados pelo Sistema OCB, no último dia 18 de abril, no lançamento da Agenda Institucional do Cooperativismo", esclarece. "Para este ano, nosso 'marco zero' é garantir o reconhecimento do Ato Cooperativo na Reforma Tributária." 

O parlamentar explica que as especificidades desse modelo de negócios exigem um tratamento tributário ajustado à sua lógica operacional. "É preciso respeitar a característica das cooperativas enquanto sociedades de pessoas, que não visam lucro para si e que, portanto, possuem neutralidade fiscal. Por isso, a inclusão do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo, como chamamos, é fundamental para evitar que haja duplicidade de cobrança dos impostos ou a ocorrência de uma tributação mais gravosa, o que poderia inviabilizar a continuidade desse modelo de negócios."

Jardim destaca que, sem o apoio do time da Casa do Cooperativismo, não seria possível realizar as atividades da Frencoop de forma coordenada e estratégica.

O trabalho que o Sistema OCB desenvolve é imprescindível, não só para aumentar a assertividade da nossa atuação em defesa do cooperativismo, mas para tornar nossas atividades mais conhecidas e próximas da base cooperativista", considera

COOP NA POLÍTICA

O trabalho de representação política desenvolvido pelo Sistema OCB é realizado de forma estratégica e contínua, exigindo muito estudo e preparo de diferentes equipes da instituição. Apesar disso,  ainda é pouco conhecido pelo nosso público (cooperativas e cooperados), que nem sempre compreende a relevância política dessas atividades.

Disposto a reverter essa situação, o Sistema OCB lançou, em 2019, o projeto Coop na Política. A iniciativa busca aumentar a visibilidade da atuação política do cooperativismo na imprensa e junto à base cooperativista.  

Quanto mais a população —, em especial os cooperados e funcionários de cooperativas —, souber a respeito da atuação dos parlamentares da sua região, mais bem representada e mais próxima das decisões poderá se sentir. Além disso, essa proximidade e o conhecimento podem contribuir para a escolha de representantes que realmente mostram compromisso com os temas importantes para cooperativas e cooperados", conclui Clara Maffia, gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB. 



AGENDA INSTITUCIONAL DO COOOPERATIVISMO

Todos os anos, o Sistema OCB lança uma publicação que reúne as demandas prioritárias do cooperativismo brasileiro nas três esferas do Poder: Executivo, Legislativo e Judiciário. Trata-se da Agenda Institucional do Cooperativismo, que neste ano explica de forma didática e detalhada os principais projetos de lei que impactam, positiva ou negativamente, o nosso modelo de negócios.

Disponível nas versões impressa e digital, a Agenda permite a consulta dos conteúdos de acordo com o Ramo. O site da publicação também traz a programação de votações, audiências públicas e eventos de interesse do coop nos Três Poderes. Confira


CULTURA DA PARTICIPAÇÃO POLÍTICA
Educação Política em Foco

Com o objetivo de fomentar o voto consciente e o exercício da cidadania, o Sistema OCB lançou, no último ano, o Programa de Educação Política para o Cooperativismo Brasileiro. Com cartilhas, cursos a distância, vídeos e outros conteúdos, a ação estimula, de forma isenta, a reflexão sobre a necessidade de maior representatividade do modelo cooperativista —, em especial, nos poderes legislativos federal e estaduais. 

Ações permanentes

Como fruto desses resultados, a partir de 2023, o Programa de Educação Política passa a estar contemplado como um dos resultados-chavesdo planejamento estratégico do Sistema OCB, com indicadores e metas a serem alcançados. A ideia é que as ações de engajamento político e da participação ativa do movimento cooperativista não estejam restritas apenas ao processo eleitoral, mas com a realização de ações continuadas, com um horizonte de médio e longo prazos

Clara Maffia explica como o Sistema OCB tem planejado as ações do Programa de Educação Política para os próximos anos.

O momento, agora, é de fortalecer este trabalho com a estruturação e formação de equipes dedicadas à representação nas Organizações Estaduais do Sistema OCB. A partir do próximo ano, trabalharemos para fomentar a expansão da cultura de participação e representação do cooperativismo por todo o país, promovendo uma trilha de aprendizagem adequada a diferentes níveis de amadurecimento.”


Esta matéria foi escrita por Letícia Cotta e está publicada na Edição 42 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação


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A nova cara do cooperativismo

Cledir Magri não para. Um dia está na estrada. "Ligo quando chegar!", diz. O retorno demora dias. Outra tentativa de contato e agora ele avisa que está em um hotel em Brasília, para uma série de reuniões de trabalho. Tenta marcar um encontro presencial em um dos cafés da capital. "Não vou conseguir estar lá", lamenta no dia seguinte. A entrevista acaba sendo por meio da tela do computador. São 7h da manhã e o cooperativista tem a agenda repleta de compromissos. "Terminamos a conversa em outro dia", deixa previamente combinado. Uma semana depois,  ele já se encontra no aeroporto de São Paulo rumo à Europa. "Mande as perguntas que respondo por áudio", pede pouco antes do embarque. E lá vai ele, mais uma vez. 

O presidente do Sistema Cresol, uma das principais cooperativas financeiras do Brasil, viaja para fazer palestras, estar em encontros pelo mundo para troca de conhecimento e apresentar a experiência de sucesso que comanda. Apesar do tempo apertado, Cledir fala pausado. Uma calma peculiar na hora de pronunciar palavras bem escolhidas. Tom de quem tem talento para fazer sermões. Direto e certeiro. Faz parte de sua habilidade falar com o público, tocar as pessoas pelos verbos, adjetivos e substantivos sabiamente selecionados. Um dom que o levou a ser seminarista. Ou o contrário. Talvez o predicado tenha sido resultado dos anos de preparo para o sacerdócio. 

Cledir quase foi padre, mas entendeu que era necessário ter uma outra vivência. "Tomei uma decisão difícil, mas muito madura, de sair do seminário", conta. Foi quando começou a traçar outros caminhos, entre eles o que o levou a se destacar como líder cooperativista. Antes disso, estudou filosofia e teologia. Fez mestrado na área de educação, doutorado em filosofia da economia e especializações que exigiriam um parágrafo só para citá-las. 

Modesto, diz que talvez não tenha sido o mais inteligente da turma, mas sempre esteve entre os mais esforçados. Dedicação que fez com que fosse convidado a trabalhar, há quase 18 anos, com um professor universitário, presidente de uma organização que prestava serviço para a Cresol. Uma das missões do ex-seminarista era ajudar o docente a conduzir alguns projetos junto à cooperativa parceira.

Assim foi até que, no dia de uma palestra para os funcionários da Cresol, o  coordenador responsável pela tarefa adoeceu. O tema era algo sobre desenvolvimento regional a partir da participação da agricultura familiar, e o novo palestrante escolhido foi Cledir, justamente por sua desenvoltura ao falar e pela afinidade que demonstrava com o tema. 

Afeito a desafios, Cledir teve só uma noite para preparar o material, mas não se intimidou. Como conhecia bem o assunto e tinha prática de transformar calhamaços de teorias e dados de pesquisa em apresentações, elaborou uma palestra que transformaria a sua vida.

No seminário, passávamos meses estudando um evangelho para fazermos um sermão de seis ou sete minutos. Éramos treinados para termos a capacidade de ser assertivos e compartilharmos as informações mais relevantes." 

Ainda que nervoso no papel de palestrante, Cledir conduziu a apresentação com desenvoltura. "Na época, meus amigos eram mais conservadores; então, levei outra dinâmica do trabalho em grupo, mais participativa, e aquela região ficou extremamente encantada", lembra. Tamanha maestria chamou atenção dos dirigentes da Cresol, que solicitaram sua participação em mais projetos e em novas palestras.

Finalmente, em 2007, Cledir Magri foi convidado a fazer parte da cooperativa como auxiliar administrativo. Anos depois, ele passou a ocupar a cadeira mais importante da cooperativa.

Por isso, digo: na vida, as oportunidades surgem e precisamos estar sempre preparados para aproveitá-las. E isso não é um jargão ou uma manifestação tão somente formal", garante. 

De fato, Cledir agarrou a chance que teve, como o menino esforçado que sempre foi teria feito. Ele defende a tese de que o esforço é resultado da necessidade. "O esforçado é aquele que trabalha por um prato de comida", define. 

LIDA NO CAMPO

Filho de "pequeníssimos" agricultores do também pequeno município no interior do Rio Grande do Sul, Frederico Westphalen, Cledir é o sexto de oito irmãos. A dura lida de seus pais nunca deixou que faltasse o que comer e foi lição farta para que os filhos "aprendessem a valorizar o pouco que tínham", lembra.  

Essa visão de mundo sempre o ajudou a se dedicar intensamente ao trabalho. Começou como faz tudo, uma "espécie de office boy" na cooperativa; aos poucos, foi conquistando espaços maiores. Um crescimento proporcional à sua dedicação. 

Logo, já dava suporte e apoio na execução de projetos, na formação, na capacitação e no treinamento das equipes. Em 2009, foi para Chapecó, no noroeste do Rio Grande do Sul, fazer parte da equipe de uma das centrais. Em 2012, dedicava-se exclusivamente à assessoria da diretoria, do ponto de vista mais estratégico, e tinha papel importante na elaboração de planejamentos. Até que, em 2016, aos 36 anos, foi convidado a assumir a presidência do sistema. Aliás, ele é o mais jovem presidente da história da Cresol — diga-se de passagem. Cargo que ocupa até hoje. 

ESSÊNCIA COOPERATIVISTA

Quando não está no trabalho, Cledir gosta da calmaria que lhe traz a leitura. Estabeleceu consigo mesmo um propósito: ler dois livros por mês. E tem mantido a meta. Aos 41 anos, é casado e sem filhos. A rotina de descanso inclui ir à igreja e fazer exercícios físicos. Além disso, mantém o forte vínculo com a terra e se dedica às atividades de agricultura na propriedade da qual é dono, com os irmãos, na cidade onde nasceu e cresceu.  

A afinidade com a atividade cooperativista veio da infância. O pai era sócio da cooperativa. A essência do cooperativismo, carrega na alma. Cledir acredita que a criação deste modelo de negócios  nasceu da solução encontrada coletivamente para os problemas individuais. Ele menciona a Inglaterra de 1844, onde as pessoas não conseguiam comprar o básico para sobreviver. Até que, para driblar a fome, um grupo de 28 trabalhadores da cidade de Rochdale-Manchester se uniu para montar seu próprio armazém. Nascia ali a primeira cooperativa do mundo. 

Com uma moeda, aquelas pessoas não conseguiriam se alimentar, mas, se juntassem todas as moedas que tinham, poderiam comprar comida para todos. Por isso, podemos dizer que o cooperativismo é filho da necessidade e nasce em ambientes de grandes adversidades. É uma visão disruptiva, de romper o ordinário e pensar coletivamente", afirma. "Esse é o pilar de sustentação do cooperativismo: soluções coletivas para os problemas individuais. É um sistema feito de pessoas, para pessoas". 

Unir esforços, agir em conjunto e pensar no bem comum é o que Cledir acredita como líder, como gestor e como ser humano. Defende o pensamento focado no bem de todos e a prática como exemplo para o próximo lição que ele, aliás, aprendeu no seminário e levou para a vida. "O padre sempre nos ensinava algo que irá valer até o dia em que minha memória estiver ativa. Ele nos dizia o seguinte: 'jamais, nunca, em hipótese alguma, lá no sermão da missa, fale de algo que você não vai conseguir fazer fora da igreja, porque as pessoas vão te cobrar'." 

SISTEMA RENOVADO

Foi também a união coletiva em uma adversidade que deu origem ao Sistema Cresol. O ano era 1995 quando 27 "pequeníssimos agricultores com baixa escolaridade da região sudoeste do Paraná", como define o atual presidente, se propuseram a criar uma organização de crédito. Cada um deles poderia ter ido a um banco privado e tentado solucionar individualmente suas dificuldades, mas eles preferiram unir esforços e investir em uma "visão disruptiva e empreendedora da mais alta qualidade: o cooperativismo", acrescenta.

De lá para cá, são 28 anos de um sistema cooperativo que, atualmente, reúne mais de 800 mil sócios e 740 agências espalhadas por 18 estados brasileiros. Nasceu com a vocação de atender o mercado agro, mas ampliou a clientela. Hoje, 70% dos cooperados estão ligados à produção de grãos, proteínas, hortaliças e fruticultura, por exemplo. Os outros 30% estão vinculados ao segmento urbano. 

Cledir faz parte dessa história há 18 anos. Por ser uma jovem liderança, imprimiu inovação e modernidade à sua gestão. Foi o único na história da Cresol a ser reeleito, e segue propondo novidades para o Sistema. 

Essa nova fase da Cresol representa uma ruptura, não dos valores da cooperativa, mas uma ruptura do ponto de vista da estrutura e organização do sistema. Essas mudanças permitiram que a gente pudesse, de fato, participar do mercado em condições diferentes", conta. 

Cledir não nega que, no começo, suas ideias esbarravam no perfil um pouco mais conservador de algumas lideranças cooperativistas. Aos poucos — pelo resultado de um trabalho que propunha o reposicionamento da marca Cresol no cenário nacional — conquistou a confiança também dessas lideranças. 

Entre as conquistas da gestão de Cledir, destacam-se as novas estratégias de marketing e de comunicação, a modernização do leiaute da logomarca, das fachadas e dos modelos das agências, que agora têm um visual mais clean, transmitindo mais leveza e confiabilidade. A mudança fez a Cresol se destacar ainda mais no mercado — mais um sinal  de que o presidente de "cabeça diferente" estava pensando direitinho. 

Sob seu comando, gestores e demais funcionários passaram por processos de capacitação e de treinamento; investiu-se em tecnologia; em planejamento estratégico; ampliou-se a oferta de serviços, produtos e soluções financeiras oferecidas aos cooperados. Cledir trouxe uma gestão conduzida, como ele próprio afirma, "por uma mente mais leve e sem grandes vícios". Por isso, abriu o espaço de fala e de poder, garantindo a participação de um grupo maior de pessoas nas decisões, desmontando modelos antigos de centralização de poder.

Outra conquista de Cledir foi a criação de projetos voltados para os jovens. Um deles é o Juventude Conectada, em que jovens de todo o Brasil passam 14 meses envolvidos em atividades e em treinamentos para discutir e praticar temas como empreendedorismo, cooperativismo, profissões do futuro e projetos de vida. Também nomeou um Comitê Estratégico Jovem para debater a participação deles no sistema cooperativista. 

Quando a gente pensa na entrada maior dos jovens nas cooperativas, como associados, e, em especial, no espaço de tomada de decisões, há um desafio a ser superado:  entender que existem milhões de jovens que estão, sim, preparados, e têm condições de exercer posições de destaque dentro das cooperativas. Basta dar a eles uma oportunidade. Aí, entra um elemento chamado política de sucessão. Se eu nunca abrir espaço, é pouco provável ter novas lideranças se destacando", defende. 

A liderança feminina foi outra bandeira levantada pelo presidente da Cresol. Ele incentivou a participação delas nos conselhos das cooperativas e deu oportunidade para que a caneta estivesse na mão delas na hora de assinar as últimas decisões. Era a proposta de transformação em um cenário que ele considerava extremamente masculino. 

Ele próprio pode ser visto como uma "minoria" de pouca idade dentro do cooperativismo. Começou como faz tudo, recém-saído do seminário, com pouco mais de 20 anos, e, quando presidente, trouxe renovação e mudança de conceitos. 

No começo, alguns tinham a ideia de que o jovem chega e joga fora tudo o que foi feito para começar algo novo. Eu nunca fiz isso. Entendo que a gente precisa valorizar sobremaneira a nossa história, e que, quanto mais você faz isso, mais elementos de decisão você tem para pensar o futuro", afirma. 

A essência da ideia proposta por aqueles 27 agricultores que criaram a Cresol, há pouco mais de duas décadas,  ainda é mantida viva e norteia os caminhos da cooperativa comandada por ele. 

"A organização que esquece a sua história perde a sua referência e pode ser qualquer coisa, menos aquilo para que ela foi pensada e concebida", reconhece Cledir. "Com o passar do tempo, o criador e a criatura não se reconhecem mais. É aí que entra o papel dos líderes." E Magri, sem dúvidas, é uma grande liderança, antenada com o papel estratégico da comunicação.


Esta matéria foi escrita por Flávia Duarte e está publicada na Edição 42 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação


A força de uma marca

Um é pouco, dois é bom e três — pelo menos no cooperativismo — é ainda melhor. Essa é a experiência da Unium, marca que nasceu da união de três cooperativas paranaenses: Frísia, Castrolanda e Capal. Reconhecidamente, um dos mais bem-sucedidos projetos de intercooperação do Brasil. 

A Unium nasceu oficialmente em 2017, para dar maior escala e competitividade a três cadeias produtivas das cooperativas envolvidas: carne suína, produtos lácteos e trigo. Mas a ideia de somar forças é ainda mais antiga, como recorda Auke Dijkstra Neto, gerente executivo de Estratégia e Inovação da Frísia, e responsável pela marca Unium.

Nosso processo de intercooperação começou em 2011, com a cadeia de lácteos. A lógica por trás [da decisão] surgiu de um princípio de quase concorrência entre as cooperativas. Cada uma tinha sua planta de beneficiamento de leite, sua marca de lácteos. A pergunta feita foi: ‘Por que vamos competir, se podemos cooperar e ir ao mercado com uma única marca?’”, diz. 

Após a cadeia de lácteos, as cooperativas se uniram na produção de trigo, em 2014, e de carne suína, em 2015. Finalmente, em 2017, elas decidiram lançar a marca guarda-chuva Unium, que representa a união das três organizações. 

Na avaliação de Neto, uma das principais vantagens de uma nova marca foi a otimização dos investimentos em marketing. Agora, em vez de disputar a atenção do público, as três cooperativas somam forças para dar maior visibilidade à marca Unium e ao portfólio comum (veja quadro).

“Hoje, podemos fazer ações conjuntas entre as indústrias, participação em feiras, campanhas de marketing. Esse é o principal objetivo da criação de uma marca institucional, baseada na  intercooperação”, afirma. 

COLHEITA

Os números da marca Unium são verdadeiramente impressionantes. São mais de R$ 7 bilhões em faturamento anual e R$ 800 milhões em investimentos, resultado dos esforços de 5 mil famílias de cooperados que trabalham com lácteos, suínos e trigo. 

Atualmente, o modelo de negócios da marca Unium se divide em duas etapas. “A parte da gestão dos cooperados, da porteira para dentro das propriedades rurais, é responsabilidade de cada cooperativa”, pontua Auke Dijkstra Neto. “A partir do momento em que o produto é entregue na plataforma da planta industrial, começa realmente a intercooperação. As indústrias são das três cooperativas e cada uma tem um percentual diferente em cada negócio. Assim, existe uma cooperativa majoritária para cada negócio.” 

Ainda segundo o gestor, a cooperativa majoritária de cada segmento faz a gestão daquela planta, do processo de industrialização, da logística e da venda do produto. O resultado é distribuído de acordo com o percentual de cada cooperativa naquele negócio. 

No modelo de intercooperação, conseguimos ser eficientes em relação aos custos, devido à escala que a gente consegue alcançar. Ela também faz com que a gente reduza muito os riscos da entrada em um novo concorrente no mercado, pois esse risco é dividido com outros parceiros”, afirma Auke Dijkstra Neto. 

O gerente executivo destaca que, hoje, a intercooperação para a industrialização e venda de produtos da marca Unium representa mais de 34% do faturamento das cooperativas envolvidas. “Isso mostra quão importantes são essas parcerias”, comenta.A eficiência gerada pela união dessas três gigantes do Paraná também permitiu à Unium se fazer presente não apenas no mercado nacional, mas no exterior. “O foco principal das vendas é o B2B [business to business, ou seja, venda para outras empresas]. A gente faz muita prestação de serviços, industrialização para outras marcas. E, quando se fala em carne suína, a gente também tem uma presença internacional. Com a unidade industrial de carnes, nós exportamos  para mais de 34 países, atualmente”, afirma o gerente executivo.

FUTURO

Em meio aos bons resultados, a Unium tem planos para o futuro. Alguns novos projetos já estão em andamento, como a construção de uma queijaria e de uma maltaria. Além disso, segundo Auke Dijkstra Neto, os objetivos são manter e ampliar a aposta na intercooperação. 

O futuro é continuar essa intercooperação, buscando cada vez mais a verticalização dos negócios e a agregação de valor para o produtor rural, para que o resultado possa ser distribuído para ele. Também queremos mais intercooperação com outros parceiros de negócios, mas também investindo em mais sinergia entre as cooperativas [que integram a Unium]”, explica o gerente executivo. 

Segundo Neto, a ideia é usar a intercooperação em outros processos, além da industrialização. “O objetivo é buscar cada vez mais processos que podem ser feitos de forma conjunta, para que a gente possa ser cada vez mais competitivo no mercado.” 


Esta matéria foi escrita por Renato Crozzatti e está publicada na Edição 42 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação


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Segmentação com propósito

Uma outra forma de destacar as cooperativas da concorrência é reforçando o compromisso do nosso jeito diferente de fazer negócios com o desenvolvimento das pessoas e das comunidades onde atuamos. Um bom exemplo de como fazer isso é dado pela Cafesul, cooperativa de produtores de café do Espírito Santo. 

Fundada em 1998, a cooperativa ganhou uma importante certificação internacional de comércio justo, chamada de Fair Trade, com um prêmio em dinheiro. Isso possibilitou à Cafesul investir em projetos na área ambiental (como a recuperação de nascentes) e social (criação de um abrigo para idosos, em parceria com a Secretaria de Saúde do estado). 

Entre esses projetos sociais, nasceu um que se tornaria o carro-chefe da Cafesul: a Póde Mulheres. Criado inicialmente para ajudar as mulheres dos produtores rurais a terem renda extra, com cursos de artesanato e culinária, logo se tornou um projeto para que elas também se tornassem produtoras de cafés especiais. 

Até então, não existia uma produção 100% feminina de Conilon, a variedade de café mais presente no Espírito Santo. Fomos as pioneiras nesse mercado”, conta a gerente administrativa e coordenadora fundadora do Grupo de Mulheres da Cafesul, Natércia Rodrigues. 

Desde que foi lançada, em 2018, a marca Póde Mulheres já beneficiou 31 cooperadas, que produzem diariamente cafés especiais, vendidos para todo o Brasil. “Estamos fazendo uma diferença e tendo muito reconhecimento por isso. Antes, só o homem era visto como responsável pelo sustento da família. Mas a mulher sempre trabalhou lado a lado com ele, no terreno, na lavoura, na colheita e fazendo comida. Hoje, demos um protagonismo maior para essas mulheres”, afirma Natércia. 

Além do carimbo SomosCoop, a Cafesul foca em mostrar para o consumidor que tipo de produto está sendo consumido — a começar pela embalagem da Póde Café, uma ilustração baseada em uma foto antiga de uma das primeiras mulheres a produzir café especial para a cooperativa. 

As mulheres se identificaram. Percebo que elas se enxergam no projeto e isso já nos abriu muitas portas, no estado e fora dele, contando até com visitas de políticos importantes do Espírito Santo”, relembra Natércia. 

Além da melhoria nas vendas e expansão de mercado para outros estados brasileiros — que é o objetivo estratégico da comunicação —, o Póde Mulheres trouxe mudanças importantes para dentro da cooperativa. “Quando comecei a trabalhar na Cafesul, há mais de 10 anos, éramos apenas duas mulheres. Hoje, as mulheres são a maior parte do corpo de funcionários da cooperativa”, comemora a fundadora do grupo. Ponto para o cooperativismo e para todas as organizações que se declaram coop

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FICHA TÉCNICA
Cafesul

Estado: Espírito Santo

Projeto: Póde Mulheres

Desafio: criar uma linha de café 100% produzida por mulheres para aumentar o protagonismo feminino na cooperativa

Resultados: Desde que foi lançada, em 2018, a marca Póde Mulheres beneficiou 31 cooperadas, que produzem diariamente cafés especiais, vendidos para todo o Brasil. 

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Esta matéria foi escrita por Renato Crozzatti e está publicada na Edição 42 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação