Energia sustentável com a marca da cooperação
Uma parceria entre as instituições de representação do cooperativismo no Brasil e na Alemanha mostrou um novo e pouco explorado caminho para a geração de energia limpa e sustentável: o protagonismo das pessoas e das cooperativas. Desde 2012, com a revisão da regulação brasileira de Geração Distribuída de Energia (REN 482/2012), é permitido que pessoas físicas e/ou jurídicas produzam sua própria energia de forma individual. Ao fazer isso, elas podem reduzir significativamente sua conta de luz e — caso haja excedente na produção —repassar os quilowatts remanescentes à distribuidora de energia em troca de créditos na fatura dos associados. Atenta à oportunidade desse novo modelo de geração de energia, a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) contribuiu, em 2015, na consulta pública de revisão da normativa que permite que os consumidores de energia possam se unir em cooperativas para gerar sua própria energia. O pedido foi inspirado no cooperativismo alemão de energias renováveis — referência internacional no assunto. Por lá, aproximadamente 50% da geração de energia renovável é de propriedade das pessoas, gerando independência, participação, desenvolvimento e democratização energética. A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) atendeu o pleito da nossa entidade de representação e incluiu as cooperativas na nova regulamentação. Aliás, vale destacar: o cooperativismo foi o único modelo aceito pela agência para realizar a atividade com pessoas físicas. Um reconhecimento da seriedade e qualidades do modelo cooperativista.
INVESTIMENTO COM RETORNO
O projeto de incentivo à geração distribuída de energia encabeçado pela OCB e pela Confederação Alemã das Cooperativas (DGRV) teve início em 2016 e focou na divulgação, capacitação e esclarecimento sobre a oportunidade de as cooperativas gerarem energia renovável. Foram investidos, no total, R$ 350 mil (R$ 100 mil da OCB e R$ 250 mil da DGRV). O trabalho conjunto entre as duas entidades permitiu o desenvolvimento de materiais informativos como cartilhas, publicações, vídeos e estudos, além da participação e organização de diversos eventos para sensibilizar as cooperativas e a população em geral sobre os benefícios da possibilidade de geração da própria energia de forma colaborativa. Por fim, também focamos na colaboração para expansão internacional do projeto, com iniciativas desenvolvidas junto a países como o Chile, Colômbia, México e Costa Rica. Os resultados vieram rápido: a capacidade instalada de energia renovável produzida por cooperativas aumentou de 0,075 MW, em 2016, para 8,1 MW em 2019. Ao final de 2020, já eram 11,4 MW em geração compartilhada. Também foi registrado crescimento no número de pessoas envolvidas nesse modelo de geração de energia. Terminamos o ano de 2020 contabilizando um total de 24 cooperativas de energia compartilhada. Já as unidades consumidoras aumentaram de 149, em 2019, para 238, em 2020. Ainda em andamento, o projeto quer ampliar o aspecto de sustentabilidade na geração de energia, focando em tecnologias (como biogás), que transformem passivos ambientais em ativos, por meio do protagonismo das pessoas.
SERVIÇO
Para saber mais informações sobre o mercado de geração de energia distribuída no Brasil, acesse o site www.energia.coop.
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Objetivo: Promoção da producão sustentável da soja por meio da certificação de pequenos agricultores em critérios de sustentabilidade. Resultados: Repasse de R$ 889 mil em prêmios pela certificão RTRS (Round Table on Responsible Soy). Incremento médio anual de R$ 13.443,27 na renda das famílias cooperadas. 29.111 toneladas de soja certificada 100% nos padrões RTRS, com base nos critérios de sustentabilidade do bioma cerrado. 24 famílias certificadas e comprometidas, em uma área produtiva total de 9.758,10 hectares. Aumento de 24,5% nas operacões de crédito e promocão de assistência técnica e extensão rural para 259 famílias na área de atuacão da Cresol Goiás.
A Cresol, com apoio de parceiros locais, criou um projeto para fortalecer a produção de mel de abelhas nativas sem ferrão. A iniciativa une a conservação da natureza com a geração de renda e a educação ambiental na comunidade. As ações incluem a criação da primeira agroindústria do país para produtos do tipo com selo SIF, capacitação técnica e a instalação de um apiário didático em uma escola.
Projeto: Olho D´Água Objetivo: Restauração de nascentes localizadas nas propriedades dos cooperados, na área de atuação da Cocari, presente nos estados do Paraná, Goiás e Minas Gerais, visando suprir as necessidades domésticas e agropecuárias, além da proteção, preservação, conservação e recuperação dos recursos hídricos, da fauna e da flora local. Resultados: Em 2021 o projeto alcançou a marca histórica de 1.000 nascentes recuperadas, comemorada no dia 28 de julho, Dia do Agricultor; Com a restauração, a vazão de água da nascente aumenta e se torna límpida, protegida e própria para o consumo; Projeto premiado e reconhecido pelo Ministério da Agricultura; Desde 2014 recebe o selo Chico Mendes de preservação; Em 2014, conquistou o troféu Cooperativa do Ano, em premiação da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB); Em 2019, recebeu o troféu Onda Verde – Prêmio Expressão de Ecologia, criado pela Editora Expressão, em 1993; É uma referência para outras instituições e municípios que procuram a Cocari, para aprender a técnica de restauração.
A Cooperativa Vinícola Aurora implementou um sistema de manejo sustentável do solo para seus 1.100 cooperados na Serra Gaúcha. A iniciativa, que começou em 2015, promove o uso de plantas de cobertura para reduzir a erosão, conservar a umidade e melhorar a saúde do solo, resultando em ganhos ambientais, como a diminuição do uso de herbicidas, e maior resiliência dos vinhedos às mudanças climáticas.
