CCPR promove economia circular e gera renda para comunidade local
Contexto e desafios
Com mais de 70 anos de história e uma robusta estrutura industrial em Minas Gerais, a Cooperativa Central dos Produtores Rurais (CCPR) identificou em sua agenda estratégica de sustentabilidade um desafio crucial: a gestão de resíduos.
Antes de 2019, o manejo de resíduos nas unidades da cooperativa era fragmentado e pouco eficiente. Não havia um sistema organizado de coleta seletiva, e o alto consumo de descartáveis gerava um volume expressivo de lixo plástico.
Essa prática resultava no envio de grande parte dos materiais recicláveis para aterros sanitários, o que representava um desperdício de recursos, custos elevados com o descarte e um impacto ambiental negativo.
Além disso, a baixa conscientização interna sobre o tema e a falta de articulação com cooperativas de reciclagem da região limitavam o potencial da CCPR de gerar impacto social positivo em suas comunidades. Foi para solucionar essa questão que nasceu o projeto Recicla Mais, um dos braços do programa ESG "Enxergando Sentido Global".
Objetivos
O Recicla Mais foi criado em 2019 com o objetivo inicial de transformar a gestão de resíduos nas unidades industriais da CCPR. Entre as metas iniciais estavam: implantar um sistema de coleta seletiva eficaz, eliminar o uso de copos descartáveis, reaproveitar resíduos orgânicos em uma horta comunitária e conscientizar os colaboradores sobre a importância do descarte correto.
Com o tempo, os objetivos do projeto evoluíram e se ampliaram. Além de reduzir o impacto ambiental, a cooperativa buscou tornar a iniciativa autossustentável, revertendo a receita obtida com a venda dos recicláveis em benefícios para a própria organização.
O projeto também assumiu responsabilidade social, buscando estabelecer parcerias com associações e cooperativas de catadores para doação de materiais, gerando inclusão e fortalecendo a economia circular na comunidade.
Desenvolvimento
O projeto foi implementado em fases, começando com um diagnóstico da geração de resíduos. Para engajar seus mais de 700 colaboradores, a CCPR realizou campanhas de conscientização e criou os "Agentes de Coleta", funcionários responsáveis por orientar as equipes.
A gestão de resíduos foi gamificada por meio do "Reciclômetro", uma auditoria mensal que estimulava a adesão com pontuações e premiações. A receita gerada pela venda dos recicláveis passou a ser reinvestida em melhorias nas áreas de convivência, palestras e eventos para os funcionários, consolidando a autossustentabilidade do programa.
O passo seguinte foi fortalecer o impacto externo. A CCPR firmou parcerias estratégicas com cooperativas e associações sociais, como a Asmac e a Reciclarte, para a doação de materiais como caixas de leite e sucatas de EPIs, gerando renda para famílias de catadores.
Em 2024, a iniciativa fechou uma parceria com a certificadora eureciclo, garantindo a compensação de 100% das embalagens utilizadas nas unidades fabris de Contagem, Coromandel, Curvelo e Silvânia e passando a estampar o selo em seus produtos.
Resultados e impacto
Desde sua implementação, o Recicla Mais alcançou ganhos expressivos. O volume de resíduos destinados corretamente saltou de 350 toneladas em 2019 para mais de 1.100 toneladas em 2024, um aumento de mais de 200%. A receita gerada com a venda desses materiais cresceu na mesma proporção, passando de R$ 44 mil para R$ 190 mil no mesmo período, valor totalmente reinvestido no projeto. Apenas em 2024, a reciclagem evitou a emissão de 256,3 toneladas de CO₂.
O impacto social do projeto é igualmente notável. A iniciativa beneficia direta e indiretamente mais de 25 mil pessoas, incluindo os colaboradores da CCPR, os mais de 23 mil cooperados e as comunidades locais.
As parcerias com cooperativas de reciclagem, como a Reciclarte, que apoia cerca de 300 mulheres em tratamento oncológico por meio do artesanato, promovem inclusão produtiva e geração de renda. O maior ganho, no entanto, foi a profunda mudança cultural na cooperativa, que consolidou a responsabilidade socioambiental como um valor central em sua operação.
Você também tem um case ou uma história de sucesso?
Conte-nos sua história
Veja mais
A Lar Cooperativa Agroindustrial implementou o Sistema de Manejo de Solos (SMS) para oferecer aos seus cooperados um diagnóstico detalhado das propriedades rurais. Com base em análises de solo, a iniciativa promove o uso racional de insumos, a redução de impactos ambientais e o aumento da produtividade, aliando ganhos econômicos e sustentabilidade na produção de grãos.
Região: Brasil Categoria: Inclusão e diversidade Ação: O projeto Juventude Conectada engaja os jovens à cooperativa, de forma a apoiar o rejuvenescimento do quadro de cooperados, fomentar o surgimento de novos líderes e dar apoio à sucessão familiar. ODS: 4 - Educação de qualidade 8 - Trabalho decente e desenvolvimento econômico Resultados: Iniciado em 2020, o projeto Juventude Conectada já soma a participação de mais de 1.200 jovens de 14 estados. O engajamento dos jovens com a cooperativa aumentou e agora eles estão mais presentes nos conselhos de administração e conselhos fiscais.
Região: Sudeste Categoria: Produção sustentável Ação: Criação do Protocolo Gerações, que busca melhorar continuamente a cafeicultura levando em conta a sustentabilidade ambiental e os preceitos éticos. ODSs: 2 - Fome zero e agricultura sustentável 12 - Consumo e produção responsáveis 13 - Ação contra a mudança global do clima Resultados: O Protocolo Gerações foi desenvolvido em parceria com uma empresa internacional especializada em certificações ambientais, de sustentabilidade e qualidade de alimentos. Ao todo, 400 cooperados participam do projeto; a produção deles pode integrar a linha de cafés especiais da cooperativa. O Protocolo Gerações aumentou o engajamento e o interesse dos produtores nas certificações de sustentabilidade. A produção sustentável com base no protocolo já está ganhando mercado e até mesmo começou a ser exportada.
A Federação das Cooperativas de Garimpeiros do Pará (FECOGAP) atua para formalizar e tornar sustentável a atividade garimpeira na região do Tapajós, combatendo a ilegalidade e a degradação ambiental. Por meio de cooperativas, promove a legalização dos trabalhadores, o uso de tecnologias limpas para reduzir o mercúrio e a recuperação de áreas com novas cadeias produtivas, como açaí e piscicultura.
