CCPR moderniza frota e otimiza logística para reduzir emissão de carbono no transporte de leite
Contexto e desafios
A Cooperativa Central dos Produtores Rurais, CCPR, nasceu em 1948 e se consolidou como uma das principais organizações do setor leiteiro no país. Hoje, a cooperativa integra 31 coops filiadas nos estados de Minas Gerais e Goiás, representando mais de 25 mil cooperados e uma captação de 90 milhões de litros de leite por mês.
Apesar de seu protagonismo histórico, a CCPR identificou um desafio crucial em suas operações: o impacto ambiental gerado pela logística de transporte de leite. Antes, a operação, realizada majoritariamente com caminhões de menor capacidade, resultou na emissão de 1.690.179 toneladas de gás carbônico em 2019.
Esse número refletia um cenário de rotas pouco otimizadas, uso intensivo de diesel e subaproveitamento da capacidade dos veículos. Além disso, gerava custos elevados e limitava a segurança e o monitoramento das operações.
Objetivos
Inserido no programa Enxergando Sentido Global, trocadilho da cooperativa com a sigla ESG, o projeto Logística Nota 10 nasceu da necessidade de reduzir o impacto ambiental das operações de transporte de leite. A iniciativa visava alinhar eficiência logística com sustentabilidade, diminuindo a emissão de gases de efeito estufa (GEE) e o consumo de combustíveis fósseis.
Os objetivos foram estruturados para gerar ganhos ambientais e econômicos simultaneamente. A meta principal era reduzir a emissão de gás carbônico e outros poluentes por meio da substituição da frota por veículos mais modernos e eficientes e da otimização das rotas de coleta.
Consequentemente, o projeto buscava diminuir os custos operacionais, aumentando a densidade de leite coletado por quilômetro rodado e aprimorando a eficiência de toda a cadeia logística.
Desenvolvimento
Para alcançar suas metas, a CCPR estruturou o projeto em uma abordagem multifacetada, envolvendo modernização, tecnologia e parcerias estratégicas. A iniciativa beneficia diretamente cerca de 3.000 fazendas de produtores de leite, 23 transportadoras parceiras e 300 agentes de coleta.
Dividido em quatro fases, o projeto começou a ser implementado em 2019 com a modernização da frota. Em parceria com as transportadoras, a cooperativa iniciou a substituição de caminhões antigos por veículos de maior capacidade e mais eficientes, como trucks, bi-trucks e composições Romeu e Julieta.
Na sequência, a cooperativa investiu na otimização das rotas de coleta. Com um aporte de mais de R$ 32 mil na tecnologia Axiodis, os trajetos foram redesenhados para aumentar a quantidade de litros coletados por quilômetro, reduzindo a distância percorrida e, consequentemente, o consumo de diesel.
Para validar os resultados e garantir a transparência do processo, a CCPR realizou, em 2024, o inventário de carbono corporativo, seguindo a metodologia do GHG Protocol, o padrão internacional para medir e gerenciar emissões de gases de efeito estufa.
Todo o processo é pautado pela melhoria contínua, com monitoramento constante das rotas e do desempenho dos veículos. A ideia é reduzir 28% das emissões de GEE até 2028.
A execução do projeto é viabilizada por uma equipe interna de 13 profissionais e fortalecida pela intercooperação, com destaque para a parceria com a Coopmetro, referência em transporte cooperativo.
Resultados e impacto
A implementação do Logística Nota 10 transformou a operação de coleta de leite da CCPR, tornando-a mais eficiente e sustentável. O resultado mais expressivo foi a redução de 275 mil toneladas de gás carbônico que deixaram de ser emitidas na atmosfera ao longo de cinco anos.
A otimização da frota permitiu captar mais leite em menos quilômetros, aumentando a eficiência e reduzindo o consumo de diesel. O projeto também fortaleceu o pilar social, com a capacitação contínua dos agentes de coleta das transportadoras parceiras por meio de treinamentos trimestrais sobre segurança, qualidade e boas práticas operacionais.
A iniciativa demonstrou ser um modelo de alta replicabilidade para outras cooperativas que dependem de logística. O projeto evidencia como é possível aliar produção sustentável de alimentos, segurança alimentar e inovação tecnológica, fortalecendo toda a cadeia produtiva e contribuindo diretamente para as metas climáticas.
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