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Debates reforçaram que tecnologia deve estar a serviço das pessoas e do futuro do coop
O World Coop Management (WCM) 2025, em Belo Horizonte (MG), manteve o cooperativismo brasileiro em evidência com uma série de ações promovidas pelo Sistema OCB. Além da participação nos painéis e patrocínios da programação oficial, a entidade também esteve presente com ativações voltadas à inovação, à formação de talentos e à divulgação do modelo cooperativista.
O videocast do InovaCoop recebeu, ao longo do evento, dirigentes e especialistas para discutir tendências e boas práticas.
Outro destaque foi ativação da CapacitaCoop, plataforma de educação a distância do Sistema OCB, que já alcança milhares de cooperativas e cooperados em todo o país. Já o Jornada Coop, game interativo, permite que cooperativas participantes verifiquem sua participação nos diagnósticos institucionais, explorem cases do InovaCoop, consultem o anuário e utilizem o carimbo SomosCoop. Além disso, oferece comparativos entre cooperativas do mesmo ramo, promovendo aprendizado, benchmarking e engajamento de forma lúdica.
Cooptech e RH Coop: debates estratégicos
No âmbito de conteúdo, o Sistema OCB esteve presente em dois palcos centrais da programação. O Cooptech Summit, dedicado à inovação e tecnologia, trouxe debates sobre o uso da inteligência artificial no cooperativismo de crédito; a transformação digital nos processos de gestão; e as oportunidades abertas pela nova Lei 213/2025, que regulamenta o setor de seguros. No primeiro dia, o bate-papo contou com Eduardo Jonathan Ramos, analista de Inovação do Sistema OCB, e com Hélio Gomes de Carvalho, especialista em inovação, que abordaram diagnóstico e sistemas de gestão da inovação. Já no segundo dia, a gerente DE INOVAÇÃO da ABGi, Fernanda Freitas aprofundou estratégias para fontes de fomento para inovação. Os painéis destacaram que a tecnologia deve estar sempre a serviço das pessoas e que o engajamento das lideranças é essencial para o sucesso de qualquer processo de inovação.
Já no RH Coop Conference, apoiado pelo CapacitaCoop, as discussões giraram em torno do papel estratégico da área de gestão de pessoas. Temas como integração de novos talentos, educação corporativa e cultura organizacional reforçaram que o futuro das cooperativas passa pelo investimento em lideranças preparadas e em ambientes de trabalho que valorizem diversidade, inclusão e desenvolvimento humano.
Fomento 
O Inovacoop videocast proporcionou um ambiente diferenciado para troca de ideias, com total de 16 gravações, e contou com a participação da gerente-geral da OCB, Fabíola Nader Motta. Ela destacou a importância da recente conquista legislativa que garante às cooperativas acesso direto a recursos de fomento à inovação. “Com a aprovação da Lei 15.184/2025, as cooperativas passam a ter acesso ao principal fundo de ciência e tecnologia do país. Isso abre uma janela de oportunidades para que o setor invista em soluções inovadoras, fortaleça sua competitividade e contribua para o desenvolvimento sustentável”, afirmou.
Segundo ela, o acesso a esses recursos permitirá que mais projetos inovadores sejam testados e escalados dentro das cooperativas, beneficiando diretamente os cooperados e a comunidade. “A inovação, quando feita no modelo cooperativista, é multiplicadora: não transforma apenas o negócio, mas gera impacto positivo em toda a rede de pessoas e territórios que participam dessa jornada”, destacou.
Presença institucional
O estande do Sistema OCB serviu como ponto de encontro para lideranças, autoridades e cooperativistas, além de reforçar a imagem institucional da organização e criar oportunidades de articulação estratégica.
As ações também demonstraram a capacidade do cooperativismo brasileiro de dialogar com pautas globais, como inteligência artificial, transição energética, sustentabilidade e intercooperação internacional, todas presentes na programação oficial do evento.
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Evento apresentou estratégias para fortalecer inovação, sustentabilidade e sucessão
O Coopera+MT 2025, realizado nesta terça-feira (23) no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá, foi marcado pela apresentação de propostas e reflexões estratégicas para o futuro do cooperativismo. Promovido pelo Sistema OCB/MT, o encontro reuniu dirigentes e especialistas de diferentes ramos em uma agenda que reforçou tanto a força econômica do setor quanto a necessidade de investir em inovação e na formação de pessoas.
Entre os destaques, estiveram as falas da superintendente do Sistema OCB, Tania Zanella, e da gerente de Desenvolvimento de Cooperativas, Débora Ingrisano, que abordaram dois pilares complementares: o portfólio de soluções do Sistema OCB e a gestão de talentos no cooperativismo.
Portfólio de soluções para um setor mais competitivo
Na abertura, Tania Zanella destacou o portfólio de soluções do Sistema OCB, construído para apoiar as cooperativas em suas principais demandas de governança, inovação, ESG e capacitação. Ela reforçou que essas iniciativas já impactam milhares de cooperativas em todo o Brasil, ampliando a eficiência de gestão e fortalecendo a competitividade do setor.
“Mais do que números, cada solução desenvolvida pelo Sistema OCB é uma resposta concreta às necessidades das nossas cooperativas. É um trabalho que soma forças, aproxima o movimento e projeta o cooperativismo brasileiro para o futuro”, afirmou Tania.
A superintendente também ressaltou a relevância dos dados do Anuário do Cooperativismo Brasileiro, que confirmam o peso do setor na economia nacional e reforçam o compromisso de continuar entregando resultados de impacto.
Talentos no cooperativismo: responsabilidade e coragem
Na sequência, Débora Ingrisano trouxe uma reflexão sobre o desenvolvimento de talentos, definindo-os como pessoas que reúnem alto desempenho e, ao mesmo tempo, disposição para aprender. A partir dessa perspectiva, ela relacionou o tema às
cinco competências do capitalismo de stakeholders, ressaltando que o cooperativismo já pratica esses princípios desde sua origem.
“Se essas competências funcionam no capitalismo de stakeholders, no cooperativismo funcionam ainda melhor, porque fazem parte da nossa prática desde a origem”, destacou.
Débora enfatizou especialmente o papel da liderança, que deve exercer responsabilidade e coragem na condução de pessoas e processos. Segundo ela, líderes cooperativistas não podem se limitar à gestão burocrática, mas precisam estar preparados para desenvolver equipes, inspirar talentos e criar ambientes favoráveis ao aprendizado contínuo.
Da origem do movimento às práticas atuais
Para ilustrar esse ponto, Débora relembrou a história dos pioneiros de Rochdale, que fundaram a primeira cooperativa moderna justamente em reação à má gestão de pessoas durante a Revolução Industrial. “O cuidado com as pessoas está na origem do cooperativismo. É isso que diferencia nosso modelo e o torna cada vez mais atual”, ressaltou.
Ela ainda destacou a diferença entre o RH operacional, fundamental para a organização interna, e o RH estratégico, capaz de orientar o desenvolvimento de lideranças e talentos. “Somente o departamento pessoal, por mais importante que seja, não garante o futuro das cooperativas. O que gera transformação é investir em pessoas para que se tornem líderes capazes de multiplicar conhecimento e resultados”, completou.
Sustentabilidade e futuro Coop
Ao final, Débora destacou as soluções do Sistema OCB voltadas ao fortalecimento da gestão de pessoas nas cooperativas. Entre elas, estão os programas voltados para futuras lideranças, inclusão, diversidade, equidade, cuidado com pessoas e certificação de conselheiros. Essas iniciativas são sustentadas e avaliadas pelos diagnósticos de governança e gestão, que permitem medir avanços e orientar melhorias contínuas.
O Coopera+MT 2025 se consolidou como espaço de debates estratégicos, reforçando que o futuro do cooperativismo brasileiro passa pela soma de soluções inovadoras, boas práticas de gestão e valorização contínua das pessoas que dão vida ao movimento.
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Evento internacional reúne lideranças cooperativistas para debater futuro do movimento
O cooperativismo brasileiro começou em evidência no World Coop Management (WCM) 2025, evento que reúne, em Belo
Horizonte/MG, lideranças do setor vindas de várias partes do Brasil para discutir inovação, tecnologia, liderança e gestão de pessoas. A programação reúne atividades nesta segunda e terça-feira (22 e 23), no Minascentro, e coloca o Brasil no centro das discussões sobre o futuro do movimento.
Logo na abertura, o presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, deu o tom do encontro ao reforçar a contribuição das cooperativas para a construção de sociedades mais justas e resilientes. “O WCM é uma chance para mostrar ao mundo o que o nosso movimento já realiza e, ao mesmo tempo, para aprendermos com experiências internacionais. As cooperativas têm soluções concretas para os grandes desafios do nosso tempo, e este é o espaço para reafirmar esse papel”, destacou.
A superintendente Tania Zanella participou de um dos painéis mais aguardados: O futuro que estamos construindo hoje. O debate contou com as contribuições de Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura e referência internacional no setor, e de José Roberto Ricken, presidente do Sistema Ocepar.
A proposta do painel foi discutir os cenários que se desenham para os próximos dez anos e como as cooperativas podem se
posicionar diante de mudanças tecnológicas, sociais e ambientais. A dinâmica aconteceu em formato de mesa-redonda, favorecendo um diálogo mais rico entre os painelistas.
Para Tania, o momento é de reafirmar a força do modelo cooperativista no enfrentamento dos desafios globais. “O futuro não é algo distante. Ele está sendo moldado hoje, a cada decisão e a cada iniciativa cooperativa. Nossa missão é garantir que esse futuro seja inclusivo, sustentável e inovador”, afirmou.
Pauta global e nomes de peso
Ao longo de dois dias, o WCM 2025 apresentará reflexões sobre temas que vão desde a inteligência artificial e o uso de novas tecnologias até questões de intercooperação internacional, desenvolvimento sustentável e gestão de pessoas. A programação está distribuída em diferentes palcos temáticos, como o Palco Mundo, voltado para debates globais; o Cooptech Summit, que concentra o olhar sobre tendências tecnológicas e inovação; e o RH Coop Conference, o palco sobre liderança e gestão de pessoas
Além dos debates, o WCM 2025 também funciona como um grande espaço de networking, aproximando dirigentes, executivos e especialistas. O ambiente favorece a troca de experiências entre cooperativas de diferentes países e abre espaço para a construção de parcerias estratégicas.
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Fórum destacou boas práticas, impacto da reforma tributária e experiências de gestão
As cooperativas do ramo Trabalho, Produção de Bens e Serviços (TPBS) estiveram reunidas nesta quinta-feira (18), em Maringá (PR), no Fórum Estadual do Ramo, promovido pelo Sistema Ocepar com o apoio da Unicampo. O encontro contou
com a participação do Sistema OCB e de cerca de 35 dirigentes e gestores de nove cooperativas paranaenses, que trocaram experiências e discutiram os principais desafios e oportunidades do setor.
Logo na abertura, a Unicampo apresentou seu modelo operacional, com foco em controles internos e no relacionamento com os cooperados. A cooperativa é referência na prestação de serviços de assistência e consultoria ao setor agropecuário, e sua experiência serviu de inspiração para as demais participantes. Ao longo da manhã, também foram discutidos o impacto da reforma tributária sobre o ramo e os números consolidados das cooperativas TPBS no estado.
O diretor da Unicampo e coordenador do Fórum Paranaense do Ramo TPBS, Luciano Ferreira Lopes, ressaltou a importância de receber o evento na nova sede da cooperativa em Maringá. Segundo ele, o fórum foi uma oportunidade de integração, com a participação de diversas cooperativas, “Foi uma honra sediar esse encontro e poder mostrar nosso modelo de trabalho. Além disso, tivemos uma programação bastante rica, que abordou desde os impactos da reforma tributária até os desafios e perspectivas das cooperativas de trabalho no Brasil. O saldo é extremamente positivo e fortalece ainda
mais a união do ramo”, afirmou.
Na parte da tarde, a programação contou a participação da analista da Gerência de Relações Institucionais do Sistema OCB, Priscilla Silva Coelho, que apresentou as ações e projetos desenvolvidos pela entidade em apoio ao ramo TPBS em todo o país. “O Fórum foi uma oportunidade para reforçar a integração e fortalecer a representatividade das cooperativas do ramo. Além de conhecerem de perto a experiência da Unicampo, os dirigentes puderam dialogar sobre os desafios comuns e compartilhar boas práticas de gestão e governança. Esse tipo de encontro presencial gera pertencimento e amplia a rede de apoio entre as cooperativas”, destacou Priscilla.
Um dos pontos altos do evento foi justamente a realização presencial, que permitiu maior interação entre os dirigentes. Após um período em que reuniões virtuais se tornaram mais frequentes, o contato direto foi avaliado pelos participantes como essencial para estreitar laços, promover a confiança e ampliar a troca de informações entre as cooperativas.
Atualmente, o Paraná conta com 16 cooperativas do ramo TPBS, atuando em segmentos que vão desde assistência técnica agrícola e pecuária até turismo, ensino de línguas, tecnologia da informação e prestação de serviços especializados. Juntas, elas reúnem mais de 8,2 mil cooperados, empregam 139 pessoas e registraram, em 2024, movimentação financeira de R$ 360,6 milhões.
O evento foi encerrado com um levantamento das principais demandas das cooperativas presentes, que irão compor a agenda de trabalho do ramo no estado.
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Encontro nacional discutiu temas como sustentabilidade, inovação e o papel no campo
O primeiro dia do 1º Jovem Coop — Encontro Nacional de Núcleos Jovens de Cooperativas do Agro, promovido pela Coplacana, movimentou a agenda desta sexta-feira (19) em Piracicaba (SP). O evento reuniu jovens lideranças, técnicos e dirigentes de diferentes regiões do país para debater os desafios e as oportunidades da juventude no cooperativismo agropecuário, com foco em inovação, sustentabilidade e sucessão no campo.
Representando o Sistema OCB, Eduardo Queiroz, coordenador de Relações Governamentais, destacou o caráter simbólico do encontro. “O Ano Internacional das Cooperativas reforça o reconhecimento global de que o modelo cooperativo é capaz de gerar prosperidade e transformar realidades”, afirmou.
Segundo ele, é preciso adaptar a forma de comunicar o cooperativismo para se conectar às novas gerações. “Precisamos investir em comunicação para dialogarmos com os jovens e mostrarmos, de forma objetiva, as oportunidades reais que o cooperativismo oferece”, completou.
Ao longo do painel, foram apresentados números que dimensionam a importância do setor no Brasil: mais de 25 milhões de cooperados em oito ramos de atuação, com oferta de serviços essenciais em milhares de comunidades. Só no agro, são 1,2 mil cooperativas, reunindo mais de um milhão de produtores rurais, responsáveis por parte significativa da produção e da comercialização de alimentos no país. “No setor agropecuário, esse papel é particularmente relevante e decisivo para a
economia nacional”, reforçou Eduardo.
Juventude no centro do debate
A dinâmica do encontro foi construída de forma participativa. Os organizadores incentivaram perguntas diretas e focadas em soluções, o que manteve a troca de ideias prática e aplicável às realidades locais. Entre os temas mais citados estiveram:
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a formação técnica voltada ao jovem cooperado;
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o acesso a crédito em condições adequadas para iniciantes;
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e a inserção efetiva dos núcleos jovens nos processos de decisão das cooperativas.
“Nenhuma medida isolada resolve a questão da permanência no campo. É preciso um conjunto de ações — residência técnica, linhas de crédito adaptadas, mentoria entre gerações e canais de comunicação eficientes — para que o jovem veja no cooperativismo uma alternativa viável e atrativa”, defendeu o representante do Sistema OCB, reforçando a necessidade de parcerias entre cooperativas, poder público e iniciativa privada.
Referência e inovação
A Coplacana, anfitriã do encontro, foi lembrada como exemplo da união entre tradição e modernidade. Fundada em 1948, em Piracicaba, a cooperativa possui hoje mais de 35 unidades em diferentes estados, oferecendo desde insumos agrícolas até assistência técnica, produção de ração e serviços de apoio à modernização do campo. Essa base estruturada tem permitido ampliar iniciativas voltadas à juventude, como o próprio 1º Jovem Coop.
“A Coplacana é referência em agregar valor ao cooperado, especialmente em sustentabilidade. A realização deste encontro, com a participação de representantes de mais de 20 cooperativas, é um marco que evidencia o compromisso com a formação de novas lideranças e com a sucessão nas famílias cooperadas”, afirmou Eduardo.
Recomendações e próximos passos
Entre os encaminhamentos do primeiro dia, os participantes destacaram a importância de:
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criar programas locais de residência técnica voltados a jovens;
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estruturar linhas de crédito cooperativo com condições diferenciadas;
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implementar programas de mentoria que conectem lideranças experientes a novos gestores;
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e estabelecer indicadores para acompanhar o impacto das ações juvenis.
Outra proposta que ganhou força foi transformar o Ano Internacional das Cooperativas em um roteiro de trabalho, com metas e indicadores específicos para ampliar a participação da juventude no cooperativismo brasileiro.
Além das discussões, foram compartilhadas experiências de sucesso que já estão em curso em diferentes bases. Projetos de assistência técnica adaptada ao perfil jovem, iniciativas de comercialização coletiva e plataformas de capacitação demonstraram que há soluções em andamento, prontas para serem ampliadas e replicadas.
O 1º Jovem Coop segue neste sábado (20), com uma programação dedicada à formação de lideranças jovens, à apresentação de cases de inovação no agro e ao fortalecimento da rede de núcleos jovens cooperativistas de todo o Brasil.
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Desafios como Proagro, subvenção e fundo de catástrofe dominaram os debates
O Seminário Técnico Nacional – Gestão de Riscos Agropecuários e Seguros Paramétricos, realizado pela Sociedade Rural Brasileira, reuniu autoridades, especialistas e lideranças do agronegócio, nesta sexta-feira (19), para debater os desafios e soluções do seguro rural no Brasil. O Sistema OCB marcou presença com João José Prieto, coordenador do Ramo Agro, que reforçou a necessidade de políticas estruturadas para proteger produtores de diferentes perfis, especialmente pequenos e médios cooperados.
“Ouvimos experiências relevantes, como o caso de São Paulo, que tem investido de forma consistente em seguro rural, e as contribuições do governo federal e do Congresso Nacional. É preciso reconhecer o trabalho de lideranças. Mas, ao mesmo tempo, temos de lembrar que ainda há desafios importantes, como as limitações do Proagro, as questões orçamentárias do programa de subvenção ao prêmio do seguro rural e a necessidade de estruturar um fundo de catástrofe. Sem soluções ordenadas, corremos o risco de deixar milhares de produtores desamparados”, destacou Prieto.
Destaques do seminário
O evento contou com a participação de nomes de peso da política agrícola brasileira. A senadora Tereza Cristina (MS), vice-presidente da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), defendeu o seguro rural como ferramenta indispensável para garantir segurança ao produtor. Para ela, a agricultura, embora seja um dos principais motores da economia nacional, está permanentemente exposta a riscos climáticos e de mercado.
Já o senador Jayme Campos (MT), relator do PL 2.951/2024 (Modernização do seguro rural) e membro da Frencoop, destacou que a proposta em discussão no Congresso pretende viabilizar a criação de um fundo privado de seguro rural, considerado fundamental para ampliar a oferta e a competitividade no setor.
O deputado Arnaldo Jardim (SP), presidente da Frencoop, chamou atenção para a baixa adesão ao seguro no país e reforçou que é preciso mudar a percepção do produtor em relação ao tema. “O seguro ainda é visto como um custo adicional. Precisamos criar uma cultura de seguros no agro, até porque estamos falando de segurança alimentar para todo o Brasil”, disse.
Programação ampla
Ao longo da manhã, o seminário promoveu uma série de painéis com representantes do poder público, parlamentares, seguradoras e entidades do setor produtivo. Foram discutidos temas como o papel do Proagro, a importância da subvenção ao prêmio do seguro rural, as perspectivas de criação de fundos privados e de catástrofe, além das oportunidades de inovação tecnológica aplicadas ao seguro agrícola.
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Grupo conheceu a sede do Sistema OCB e o trabalho de representação institucional da entidade
A sede do Sistema OCB abriu as portas nesta quarta-feira (17) para receber um grupo especial de visitantes: os Produtores Destaques do Ano da Aurora Coop. Ao todo, 17 associados de Chapecó (SC) participaram da programação do Portas Abertas, iniciativa que aproxima cooperados da rotina institucional do cooperativismo nacional.
Logo na abertura, o presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, deu as boas-vindas e compartilhou com os visitantes um pouco da história da organização. Em tom de memória e inspiração, ele recordou os desafios enfrentados pelo movimento cooperativista no final da década de 1960. “Naquele tempo, as cooperativas tinham muita dificuldade de diálogo com o governo. Foi nesse contexto que lideranças visionárias se reuniram em Belo Horizonte, em 1969, e decidiram criar a OCB para que o setor tivesse uma voz única. A partir daí, começamos a construir uma trajetória que levou à Lei 5.764 e
à consolidação das cooperativas no país”, destacou.
Ele ainda fez questão de ressaltar que o Sistema OCB pertence às cooperativas e que seu trabalho, como presidente, há mais de duas décadas à frente da instituição, é fruto da confiança depositada por todo o setor. “Essa casa é de vocês. O que fazemos aqui é representar o cooperativismo brasileiro, seja no diálogo com o governo, seja na defesa de melhores condições para os nossos cooperados”, afirmou.
Após a fala do presidente, os produtores tiveram espaço para se apresentar e contar suas histórias, reforçando o espírito de pertencimento que caracteriza o movimento. A programação seguiu com exposições técnicas conduzidas por equipes do Sistema OCB, que apresentaram a estrutura de atuação nacional em temas como políticas públicas, sustentabilidade, meio ambiente, agricultura familiar e defesa do setor agropecuário.
O analista técnico Rodolfo Jordão apresentou as principais frentes do Ramo Agro, destacando o papel do Sistema OCB em apoiar cooperativas em pautas de crédito, seguro rural, defesa agropecuária e políticas públicas. Ademais, foram abordados temas inerentes à área ambiental e seuss desafios, tais como emissões, biocombustíveis e às novas exigências internacionais de mercado, como a legislação europeia sobre desmatamento.
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Evento marcou início da gestão de Guilherme Theo, com foco em modernização e integração logística
O Sistema OCB participou, nesta terça-feira (16), da cerimônia de posse da nova diretoria da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), realizada em Brasília. O evento oficializou Guilherme Theo Sampaio como diretor-geral da
autarquia e Alex Antônio de Azevedo Cruz como diretor, ambos com a missão de conduzir a agência em um cenário de grandes desafios e transformações para a logística nacional.
Na mesma ocasião, também tomou posse o diretor substituto, José Aires Amaral, que exercerá a função de forma temporária, inicialmente por seis meses. Reconhecido como parceiro do cooperativismo, Amaral tem se destacado pela defesa dos pleitos do setor e pela atuação próxima às demandas das cooperativas de transporte. Sua presença na diretoria reforça a expectativa de maior diálogo e alinhamento da agência com o segmento.
Em seu discurso de posse, Guilherme Theo apresentou os pilares que orientarão sua gestão, destacando concessões modernas, inovação regulatória, avanços tecnológicos voltados à experiência do usuário, atração de investimentos privados, fortalecimento interno da equipe e integração logística nacional. Para o novo diretor-geral, a condução da agência deve se apoiar em um tripé fundamental: estabilidade, previsibilidade e segurança. “São elementos indispensáveis para gerar confiança nos agentes do setor e viabilizar projetos estruturantes no longo prazo”, afirmou.
Tiago Barros, analista do Ramo Transporte do Sistema OCB, que acompanhou a solenidade, destacou que esses princípios dialogam diretamente com as demandas do cooperativismo de transporte. “O setor defende, há anos, a necessidade de marcos regulatórios claros, modernização da legislação do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) e aprimoramento da fiscalização, de forma mais eficiente e transparente. A perspectiva apresentada pela nova diretoria da ANTT traz novo fôlego para essas pautas, com a possibilidade de maior alinhamento entre os objetivos da autarquia e as necessidades das cooperativas”, afirmou.
Ainda segundo Tiago, o momento é muito importante para o futuro do setor. “O discurso do novo diretor-geral demonstra sensibilidade aos principais desafios da logística no Brasil. Para as cooperativas de transporte, a defesa de estabilidade, previsibilidade e segurança representa a oportunidade de avançarmos em um ambiente regulatório mais claro, eficiente e favorável ao desenvolvimento. Esse alinhamento é fundamental para que possamos contribuir cada vez mais com a modernização da infraestrutura nacional”, acrescentou.
A fala de Guilherme Theo também destacou temas como inclusão, sustentabilidade e modernização regulatória, caminhos que convergem com os valores do cooperativismo. “Ao unir inovação, eficiência e responsabilidade socioambiental, as cooperativas têm potencial para se inserir de forma qualificada nos grandes projetos de mobilidade e logística integrada que o país demanda”, concluiu Tiago.
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Evento reuniu mais de 80 cooperativas do estado e destacou dados e diretrizes do setor
Nos dias 11 e 12 de setembro, o Sistema OCB marcou presença no 1º Fórum das Cooperativas Alagoanas, realizado em Maceió, que reuniu lideranças de mais de 80 cooperativas do estado. O encontro foi promovido pelo Sescoop/AL e teve como objetivo construir diretrizes conjuntas para fortalecer o cooperativismo local, promover integração e estimular novas oportunidades de negócios.
Representando o Sistema OCB, o gerente do Núcleo de Inteligência e Inovação, Guilherme Souza Costa, apresentou dados inéditos do AnuárioCoop 2025 e destacou os impactos do modelo de negócios na economia e na vida das pessoas. A
publicação mostra que as cooperativas brasileiras movimentaram R$ 757,9 bilhões em 2024, reuniram 25,8 milhões de cooperados e geraram mais de 578 mil empregos diretos.
Em Alagoas, os números também impressionam: foram R$ 2,7 bilhões em ingressos, R$ 112,4 milhões em sobras e mais de 94 mil cooperados, com 4,5 mil empregos diretos. “Esses resultados reforçam a força do cooperativismo como modelo econômico sustentável e de impacto social. Nosso compromisso é transformar dados em estratégias que ajudem as cooperativas a serem mais competitivas e prósperas, sempre conectadas às demandas regionais e nacionais”, afirmou Guilherme.
Além da análise de indicadores, o gerente destacou o papel das diretrizes estratégicas construídas pelo movimento cooperativista brasileiro. Entre 2018 e 2023, por exemplo, o impacto do crédito concedido pelas cooperativas gerou R$ 135 bilhões em atividade econômica no país, ampliando empregos, renda e inclusão social. “O planejamento estratégico até 2030 nos aponta metas ousadas para impulsionar o cooperativismo. Além disso, temos o desafio BRC 1 Tri, de chegar a R$ 1 trilhão de faturamento, 30 milhões de cooperados e 630 mil empregos diretos. Esse futuro é possível porque já estamos construindo-o agora, com união e cooperação”, completou.
A programação do Fórum também contou com palestras sobre governança, encantamento de clientes, oficinas de planejamento e cases de sucesso com aplicação da Solução NegóciosCoop. Nesse contexto, a coordenadora de Negócios do Sistema OCB, Pâmella Jerônimo de Lima, destacou a importância de iniciativas que aproximam teoria e prática. “O NegóciosCoop tem mostrado que, quando cooperativas se conectam, elas multiplicam resultados. É uma solução que fortalece os negócios, amplia a competitividade e traz impacto direto para os cooperados”, relatou.
O Fórum foi marcado pela construção coletiva de um plano de trabalho para 2026, resultado das oficinas realizadas durante o evento. A expectativa é que esse documento se torne um guia estratégico para as cooperativas alagoanas, alinhado às diretrizes nacionais do cooperativismo.
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Evento destacou impactos da Reforma Tributária e importância de segurança jurídica para coops
O Sistema OCB marcou presença na XVII Convenção de Contabilidade da Bahia, realizada entre 10 e 12 de setembro, em Salvador. O analista tributário da organização, Yann Santos Teixeira, foi um dos palestrantes do Fórum das Normas Contábeis
sobre Sociedades Cooperativas, e abordou o tema Ato Cooperativo referente à Reforma Tributária e o novo cenário.
A participação reforçou a importância de discutir os desafios e oportunidades trazidos pela Emenda Constitucional nº 132/2023, que alterou o modelo de tributação sobre o consumo no país. Durante a exposição, Yann destacou a relevância do ato cooperativo – instrumento que diferencia as sociedades cooperativas das demais organizações empresariais – e os reflexos práticos da Reforma Tributária para o setor.
Segundo ele, a clareza sobre o conceito e a proteção do ato cooperativo são fundamentais para a devida aplicação do novo sistema tributário. “O ato cooperativo é o coração da identidade das cooperativas. A cooperativa atua como extensão dos cooperados, agindo com o mercado em sua representação, obrigando-se por eles como se os próprios estivessem praticando o referido ato para exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro”, afirmou.
Ao longo da apresentação, Yann explorou a escrituração contábil das cooperativas e detalhou o funcionamento do novo regime de tributação sobre o consumo, destacando pontos de atenção para as cooperativas. “O desafio agora é garantir a segurança jurídica na regulamentação infralegal, seguindo as prescrições normativas presentes no texto constitucional e na legislação complementar. Esse é um compromisso que o Sistema OCB continuará acompanhando de perto”, ressaltou.
A convenção reuniu profissionais, acadêmicos e representantes de entidades do setor contábil de todo o país, em uma programação marcada por fóruns, painéis temáticos e debates sobre inovação, tecnologia, normas e sustentabilidade.
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Setores financeiro, saúde e agro discutiram impactos da tributação no cooperativismo
Encerrando a programação do V Seminário Jurídico do Sistema OCB, que ocorreu nesta terça (9), três painéis simultâneos reuniram especialistas, dirigentes e tributaristas para debater como os regimes específicos da Reforma Tributária vão impactar diretamente o cooperativismo nos setores de crédito, saúde e agropecuário. A proposta foi trazer um olhar prático sobre a Lei Complementar já aprovada e abrir espaço para a troca de experiências entre advogados, assessores jurídicos, contadores de cooperativas e das OCEs e acadêmicos da área.
Os debates aconteceram em um momento crucial, já que a transição para o novo modelo de tributação sobre o consumo começa a ganhar forma. Para o Sistema OCB, acompanhar cada detalhe dessa implementação é essencial para assegurar que as especificidades do ato cooperativo sejam preservadas e que as cooperativas mantenham sua competitividade em relação aos demais agentes de mercado.
Instituições financeiras
No painel sobre instituições financeiras, o debate foi conduzido pelo superintendente jurídico do Sicredi, Evandro Kotz, e contou com a exposição de Hélio de Mello, auditor fiscal da Receita Federal e membro titular do GT-3 do PAT-RTC. Hélio
destacou os desafios globais de tributar serviços financeiros, especialmente aqueles remunerados por margem, como no crédito bancário. “Diferenciar os juros puros da remuneração de serviços é fundamental para evitar distorções e garantir neutralidade ao sistema”, afirmou.
O auditor lembrou que, embora a maioria dos países adote o modelo de isenção, o Brasil avançou ao rejeitar essa alternativa. A isenção, segundo ele, gera graves distorções econômicas, como a sobretributação do crédito empresarial e a subtributação do crédito ao consumo. “Optamos por uma solução mais próxima do que já conhecemos com o PIS/Cofins, o que preserva segurança jurídica e garante continuidade”, explicou. Para ele, ainda que não seja um modelo perfeito, o caminho escolhido oferece mais previsibilidade às instituições financeiras, incluindo as cooperativas de crédito.
A relevância do tema ficou clara nas perguntas dos participantes, que trouxeram preocupações sobre como a regulamentação poderá afetar a neutralidade do ato cooperativo e a competitividade das cooperativas de crédito em relação aos bancos. Kotz destacou o papel desses espaços de diálogo. “Estamos todos aprendendo juntos nesse processo. O que importa é garantir que as especificidades do cooperativismo estejam sempre no centro das soluções construídas”, afirmou.
Custos assistenciais
O setor de saúde também esteve em pauta, com moderação do advogado tributarista João Muzzi e palestra do Doutor André Branco, da Uniodonto. O grupo discutiu os efeitos da nova tributação sobre os custos assistenciais e a sustentabilidade das cooperativas médicas. André Branco destacou que o princípio da não tributação de determinadas atividades cooperativas já é reconhecido há anos, mas sua aplicação ainda gera controvérsias. “O grande desafio é lidar com a complexidade regulatória, que muitas vezes cria obstáculos práticos para que os direitos constitucionais das cooperativas sejam plenamente aplicados”, avaliou.
Ele lembrou que as cooperativas operadoras de planos de saúde já enfrentam um ambiente desafiador, com custos crescentes e a necessidade de manter a lógica mutualista no atendimento. Nesse contexto, segundo ele, a Reforma Tributária pode trazer tanto riscos quanto oportunidades. “Assim como navegar sem mapa em uma cidade desconhecida, lidar com leis tributárias pouco claras pode levar cooperativas a erros caros. Precisamos de clareza para seguir em frente”, reforçou. Os debates conduzidos pelo Doutor João Muzzi ressaltaram a importância de a agenda política e jurídica se manter atenta, para evitar que o novo modelo crie custos adicionais que possam comprometer a sustentabilidade das cooperativas médicas.
Produtor rural contribuinte e não contribuinte 
Já o painel sobre o setor agropecuário foi moderado por Rogério Croscato, coordenador jurídico da Ocepar, e teve apresentações dos advogados tributaristas Doutor Fábio Calcini e Doutor Marcelo Jabour. O foco esteve na operacionalização da alíquota zero entre cooperados contribuintes e não contribuintes e as cooperativas e nos impactos da transição para o IVA. Os especialistas lembraram que o agronegócio brasileiro é altamente competitivo no mercado internacional e não pode ser prejudicado por uma tributação mal calibrada.
“A reforma tributária é um verdadeiro quebra-cabeça coletivo. Se uma peça não encaixar, todo o sistema pode perder equilíbrio”, afirmou Calcini, ao comentar a necessidade de regulamentações claras e de transição suave para as novas regras. Jabour complementou destacando a importância de preparar produtores e cooperativas para o novo cenário. “As mudanças exigirão ajustes contábeis, adaptação de estratégias e, sobretudo, proximidade ainda maior entre cooperativas e seus associados, para garantir conformidade e competitividade”, disse.
Visão unificada
Ao final dos debates, os participantes se reuniram novamente no plenário para a conclusão e compartilhamento dos painéis
simultâneos, momento conduzido pela assessora jurídica do Sistema OCB, Ana Paula Ramos. Ela destacou que a divisão em salas paralelas buscou aprofundar a especialização, atendendo tanto profissionais jurídicos quanto contábeis dos oito ramos do cooperativismo, e que o retorno ao plenário foi essencial para reunir visões distintas em uma lógica única. “O cooperativismo se rege por uma lógica societária própria, que impacta todas as demais dimensões, inclusive a tributária. Por isso, é fundamental que todos compreendam as discussões em sua totalidade”, reforçou.
Ana Paula também registrou agradecimento especial aos moderadores que, segundo ela, “desde 2019 vêm se dedicando integralmente ao estudo das questões tributárias do cooperativismo, construindo de forma coletiva soluções para garantir segurança jurídica e sustentabilidade às cooperativas”. Em sua fala, enfatizou a importância da participação ativa de cooperativas na base, das Organizações Estaduais (OCEs) e do Sistema OCB nacional no processo que resultou na aprovação da reforma. “Se não foi a reforma sonhada, foi a possível, construída com diálogo e protagonismo do cooperativismo”, complementou.
Síntese
O encontro foi encerrado com a síntese das contribuições apresentadas nos três painéis, seguida de um sorteio de livros jurídicos entre os participantes. A atmosfera final foi de reconhecimento mútuo pelo esforço coletivo que envolveu dirigentes, advogados, técnicos e cooperativas de todo o país. Como destacou Ana Paula, o trabalho não termina com a aprovação da lei. “Temos ainda um longo caminho na regulamentação. Mas o cooperativismo está pronto para seguir unido, vigilante e colaborativo, honrando sua essência e seu compromisso com o desenvolvimento sustentável.”
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Debates trataram de sigilo, citação eletrônica, fraudes e impactos da inteligência artificial
O Sistema OCB recebeu, nesta quarta-feira (10), dirigentes, advogados e especialistas para o I Encontro Jurídico Intersistêmico das Cooperativas de Crédito, um evento criado para alinhar estratégias, aprofundar debates técnicos e antecipar tendências que impactam diretamente o setor. Com cerca de 125 participantes de diferentes instituições, entre eles
representantes do Sicredi, Sicoob, Unicred, Cresol, Ailos, Cooperativas independentes, FGCoop e do próprio Sistema OCB, o encontro mostrou a diversidade e a representatividade do setor.
A abertura ficou por conta da superintendente da entidade, Tania Zanella, que relembrou o esforço coletivo para garantir a inclusão do cooperativismo de crédito na Reforma Tributária. “Foram 45 dias intensos de trabalho. Cada ponto, cada vírgula importava”, contou. Para ela, a conquista foi resultado da união e da atuação sistêmica do movimento. “No projeto original, o Ramo Crédito estava fora. Avançamos porque nos mantivemos alinhados e soubemos defender nosso modelo de negócios. Essa vitória mostra a força do cooperativismo”, acrescentou.
Tania também lembrou a importância de não perder de vista a essência cooperativa, destacando uma frase que considera inspiradora: “Aproximem-se cada vez mais do modelo cooperativo, porque é nele que vocês fazem a diferença. Isso deve ser seguido como nosso norte”, afirmou. Ao encerrar, fez questão de agradecer às equipes envolvidas na organização do encontro.
Novo layout da quebra de sigilo (IN BCB 636/2025)
O evento seguiu com uma série de painéis que abordaram temas centrais para o futuro das cooperativas de crédito. Carlos Eduardo e Denis Carvalho, representantes do Departamento de Atendimento Institucional do Banco Central, apresentaram a IN BCB 636/2025, que redefine o layout da quebra de sigilo bancário e exige atenção redobrada das instituições. O painel foi conduzida por Ricardo Senra (superintendente jurídico do Centro Cooperativo do Sicoob) e contou com a análise e provocações do debatedor Rodrigo Marques, do Sicoob, que destacou pontos de atenção para a aplicação prática da norma.
Citação Eletrônica
O juiz auxiliar do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Adriano da Silva Araújo, discutiu os impactos e riscos da citação eletrônica. O painel foi moderado por Mayara Schramm Strube (gerente jurídica da Ailos), com participação de Andressa Gudde, gerente jurídica da Sicredi, e Fernando Arndt, coordenador jurídico da Ailos, que trouxeram a perspectiva das cooperativas sobre os desafios da digitalização nos processos judiciais.
Tribunais Superiores
A atuação estratégica nos Tribunais Superiores foi o tema do debate mediado por Ana Paula Ramos, assessora jurídica do Sistema OCB. Os advogados Fabiano Jantalia (Jantalia Advogados), João Caetano Muzzi Filho (BMAS Advogados) e Stella Castro (Demarest Advogados) compartilharam experiências da atuação em Brasília e reforçaram a importância de consolidar
entendimentos favoráveis ao cooperativismo de crédito nos tribunais.
Fraudes financeiras
A exposição da advogada Camilla Jimene (Opice Blum Advogados) trouxe ao centro da discussão o aumento das fraudes financeiras, golpes digitais e riscos em jogos online. A mediação ficou a cargo de Vinícius Lima Marques, assessor jurídico da Unicred, e Sandreia Dorr, gerente institucional da Cresol. O debate foi enriquecido ainda pela análise de Marco Túlio de Rose (advogado e fundador da De Rose Advogados), que reforçou a necessidade de protocolos internos e treinamentos preventivos.
Inteligência Artificial
Já o advogado Fabrício da Mota (Serur Advogados) apresentou reflexões sobre os impactos da inteligência artificial no direito e nas decisões judiciais, destacando mudanças já em curso no sistema de justiça. O painel contou com moderação de Taíse Ribeiro, consultora jurídica da FGCoop, e Jefferson Thomé, gerente jurídico na Cooperforte, além da contribuição de Edson Rodrigues, superintendente-executivo de TI do Sicoob, que trouxe a visão prática de como a tecnologia pode ser aplicada ao ambiente das cooperativas de crédito.
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Encontro discute futuro do cooperativismo com integração entre teoria e prática
As inscrições para a 8ª edição do Encontro Brasileiro de Pesquisadores em Cooperativismo (EBPC) vão até 03 de outubro, por meio do formulário disponível no site do evento. Pesquisadores, gestores de cooperativas, dirigentes e profissionais do setor têm a oportunidade de participar de um dos principais espaços de debate e troca de conhecimento sobre cooperativismo no país.
O EBPC consolidou-se como um evento essencial para fortalecer a integração entre teoria e prática, incentivando a produção e a disseminação de conhecimento científico aplicado ao cooperativismo. A edição deste ano tem como tema Ano Internacional das Cooperativas: Integração, Impacto e Perspectivas para o Cooperativismo Brasileiro, e será realizada de forma presencial entre os dias 6 e 8 de outubro, em Brasília.
O evento promove debates sobre pesquisas acadêmicas e experiências práticas, contribuindo para a geração de novas abordagens e soluções aos desafios enfrentados pelo setor. Além de apresentar estudos que aprimorem a eficácia e a eficiência dos processos cooperativos, o EBPC oferece um ambiente de troca de experiências e avaliação de boas práticas, fortalecendo a formação de redes de colaboração entre pesquisadores e profissionais.
“O EBPC é uma oportunidade única de integrar pesquisa, prática e inovação no cooperativismo brasileiro, fomentando debates que fortalecem todo o setor”, destaca Guilherme Souza Costa, gerente do Núcleo de Inteligência e Inovação do Sistema OCB.
Confira a programação completa:
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06/10 (segunda-feira)
14h00 – 17h00 | Credenciamento
17h00 – 19h00 | Abertura oficial
19h00 – 21h00 | Momento Integração
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07/10 (terça-feira)
08h00 – 10h00 | Painel 1 – Impacto social das cooperativas: qual prosperidade para redução de iniquidades?
10h00 – 10h30 | Coffee Break
10h30 – 12h30 | Painel 2 – O crescimento das cooperativas e os desafios à manutenção da sua identidade
12h30 – 13h30 | Almoço
13h30 – 15h30 | Painel 3 – Cooperativismo e Meio Ambiente: estratégias para um futuro sustentável
15h30 – 16h00 | Coffee Break
16h00 – 18h00 | Sessão 1 – Apresentação de Trabalhos
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08/10 (quarta-feira)
08h30 – 10h00 | Mesa de discussão – O cooperativismo e as pesquisas do futuro
10h00 – 10h30 | Coffee Break
10h30 – 12h30 | Sessão 2 – Apresentação de Trabalhos
12h30 – 13h30 | Almoço
13h30 – 15h30 | Sessão 3 – Apresentação de Trabalhos
15h30 – 16h00 | Coffee Break
16h00 – 17h30 | Encerramento
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Evento discutiu governança, regimes específicos e desafios das novas legislações
O V Seminário Jurídico do Sistema OCB, realizado nesta terça-feira (9), trouxe ao centro do debate os aspectos jurídicos e societários das cooperativas de seguros, além de um amplo painel sobre os impactos da reforma tributária no cooperativismo. Juristas, autoridades da Receita Federal e dos governos federal e estaduais apresentaram análises sobre governança, regimes específicos e inovações que estão sendo implementadas com a nova legislação.
Seguros
A advogada e consultora jurídica, Angélica Carlini, destacou que a atividade securitária tem total afinidade com os princípios
cooperativistas, por estar baseada em solidariedade e mutualismo. Ela explicou que a Lei Complementar nº 213/2025 estabeleceu novas exigências de governança para cooperativas que atuarão nesse segmento, incluindo conselhos de administração, diretorias e conselhos fiscais, lembrando que a regulamentação dessas exigências deverá ser proporcional ao porte e à complexidade das operações. “No seguro, dois pontos exigem máxima transparência: a subscrição de riscos e a regulação de sinistros. Sem governança adequada, esses processos não se sustentam”, ressaltou.
Na mesma linha, o diretor da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Carlos Roberto Alves de Queiroz, reforçou a confiança da autarquia no papel do cooperativismo dentro do mercado segurador. “O cooperativismo mostrou estar preparado para assumir uma função relevante na sociedade, e a Susep está convicta de que ele terá protagonismo no setor. A Lei Complementar 213 trouxe dispositivos importantes para garantir solvência e segurança, e vejo que o aspecto de conduta de mercado será uma contribuição essencial da comunidade jurídica cooperativista”, afirmou.
Reforma Tributária
O secretário extraordinário da Reforma Tributária, Bernard Appy, trouxe uma abordagem técnica sobre a incidência do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). Ele explicou que a neutralidade tributária é
um princípio que precisa ser respeitado, evitando que o uso da cooperativa seja desincentivado. “O conceito é que o imposto não deve prejudicar ou favorecer formas específicas de organização econômica. O desafio é aplicar isso em um sistema onde parte dos cooperados não está no regime regular de débito e crédito, o que gera complexidade”, apontou.
Em seguida, José Evande Carvalho Araújo, consultor da Câmara dos Deputados, apresentou um panorama histórico das tentativas de reforma desde 1988 até a aprovação da Emenda Constitucional 132/2023. Ele elencou críticas ao sistema atual, como carga elevada, regressividade e guerra fiscal, e mostrou como o modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) moderno busca simplificar, ampliar a base de incidência e reduzir litígios.
Na visão de Vanessa Canado, coordenadora do Núcleo de Tributação do Insper, essa mudança tem ligação direta com o contencioso das cooperativas: 67% das decisões judiciais analisadas tratam de tributos que serão substituídos pela nova sistemática. “Um bom desenho legal do IVA é essencial para reduzir disputas e dar segurança jurídica ao setor”, observou.
O auditor fiscal da Receita Federal, Fernando Mombelli detalhou o regime específico das sociedades cooperativas previsto na legislação. Ele lembrou que a Constituição exige tratamento adequado ao ato cooperativo, e que a lei complementar recente permite aplicar alíquota zero em operações entre cooperados e cooperativas, assegurando neutralidade.
Split Paymentt
No período da tarde, o evento contou com a participação de Sheyne Leal, integrante do Grupo de Trabalho do Split Payment no Programa de Assessoramento Técnico à Implementação da Reforma da Tributação do Consumo (PAT-RTC). A especialista explicou o funcionamento dessa metodologia de pagamento, que será central na operacionalização do novo sistema de tributação do consumo no Brasil.
Segundo ela, o Split Payment tem como base a Lei Complementar nº 214/2025, que determina como os débitos do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) serão pagos. O modelo exige que o valor da operação seja automaticamente fracionado, garantindo transparência e rastreabilidade no recolhimento dos tributos.
O processo envolve diretamente fornecedor e adquirente: enquanto a transação é realizada, a parcela correspondente aos impostos é separada e destinada ao Comitê Gestor do IBS e à Receita Federal. Para isso, de acordo com Sheyne, estão previstas três modalidades de aplicação: a inteligente, em que o contribuinte informa os valores e eventuais excessos são ajustados em até três dias úteis; a superinteligente, em que o próprio governo calcula os valores, levando em conta créditos e pagamentos anteriores; e a simplificada, que utiliza percentuais pré-estabelecidos sobre a transação.
A implementação do modelo será gradual, começando pelas operações business-to-business (B2B) e em caráter opcional. Para a especialista, um dos pontos mais desafiadores será a integração dos sistemas de pagamento — como boleto, Pix e TED — ao mecanismo de divisão automática dos tributos.
Ela destacou ainda os princípios que orientam a adoção do Split Payment, como a necessidade de minimizar impactos financeiros, assegurar a fluidez no caixa das empresas e reduzir riscos operacionais. “A proposta é modernizar a arrecadação sem comprometer a atividade econômica, trazendo mais segurança jurídica para todos os envolvidos”, afirmou.
Painéis simultâneos
Encerrando a programação, o seminário promoveu três painéis simultâneos, cada um dedicado a um setor específico: instituições financeiras, operadoras de saúde e agropecuário.
No painel de instituições financeiras, advogados e dirigentes de cooperativas de crédito discutiram como os regimes específicos previstos na lei complementar dialogam com a atuação dessas entidades, em especial no que se refere à neutralidade do ato cooperativo e à competitividade das cooperativas de crédito.
O debate sobre operadoras de saúde reuniu especialistas em direito tributário e representantes de cooperativas de saúde. O grupo analisou como o novo sistema de tributação pode impactar os custos assistenciais, a sustentabilidade do modelo e a preservação da lógica mutualista na prestação de serviços de saúde.
Já o painel do setor agropecuário, que contou com tributaristas e especialistas, teve como foco a operacionalização da alíquota zero nas operações entre cooperados e cooperativas, a transição para o IVA e os desafios para manter a competitividade do agronegócio brasileiro no cenário global.
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Superintendente do Sistema OCB ressaltou desafios e oportunidades presentes no movimento
A superintendente do Sistema OCB, Tania Zanella, participou, nesta terça-feira (9), do 20º Encontro Estadual de Mulheres Cooperativistas, um dos eventos mais tradicionais do calendário cooperativista catarinense. Promovido pelo Sistema Ocesc, o encontro reuniu mais de 1,2 mil mulheres de 48 cooperativas nos dias 9 e 10 de setembro.
A edição de 2025 é considerada especial, uma vez que marca duas décadas de uma iniciativa que tem contribuído para fortalecer a participação feminina no movimento cooperativista. O tema escolhido, Raízes fortes, asas livres, simboliza a
Foto: Cassius Souza
ligação das mulheres com os valores do cooperativismo, ao mesmo tempo em que reforça a autonomia, a leveza e a inspiração que elas espalham nos diversos ramos de atividade.
A programação inclui palestras, apresentações artísticas e culturais, rodas de conversa e momentos de convivência. Entre os destaques do primeiro dia, a superintendente do Sistema OCB, Tania Zanella, ministrou a palestra Cooperativismo: desafios e oportunidades. Primeira mulher a ocupar o cargo de superintendente da entidade, Tania compartilhou dados sobre a força do cooperativismo no Brasil e no mundo, além de refletir sobre o papel das lideranças femininas no futuro do setor.
Inicialmente, ela destacou que o cooperativismo brasileiro já reúne 25,8 milhões de cooperados e gera 578 mil empregos diretos, com movimentação financeira acima de R$ 757 bilhões em 2024. “Esses números mostram que somos parte fundamental da economia e da vida das pessoas. Mas, ainda mais importante, é lembrar que por trás de cada indicador estão histórias de trabalho coletivo, de inclusão e de impacto positivo nas comunidades”, afirmou.
Segundo Tania, ampliar a presença feminina em cargos de decisão é um dos grandes desafios do movimento. “As mulheres já representam uma parcela expressiva da base cooperativista, mas precisamos avançar na ocupação de espaços estratégicos. Isso não é apenas uma questão de justiça social, mas de competitividade. Diversidade gera inovação e resultados mais sustentáveis”, ressaltou.
A superintendente lembrou ainda que o Sistema OCB tem desenvolvido iniciativas específicas para promover a inclusão, diversidade e equidade, como os comitê Elas pelo Coop. “O que queremos é que cada mulher cooperativista se reconheça como parte essencial dessa jornada. Nossos comitês e programas são ferramentas para abrir portas, mas o verdadeiro protagonismo acontece quando cada uma se sente capaz de transformar sua realidade e o da sua comunidade”, disse.
Para Tania, o simbolismo de celebrar 20 anos do encontro é um chamado para o futuro. “Estamos aqui para honrar as raízes, mas também para abrir caminho para novas gerações de mulheres no cooperativismo. Esse é um movimento que não para de crescer, e as mulheres têm muito a contribuir para que ele seja cada vez mais forte, justo e inovador”, concluiu.
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Participantes discutem caminhos para ampliar proteção e garantir equilíbrio jurídico das cooperativas
O V Seminário Jurídico do Sistema OCB reúne nesta terça-feira (9), em Brasília, advogados, contadores e especialistas de todo o país para debater os principais avanços e desafios do cooperativismo nos campos jurídico e tributário. A abertura foi conduzida pelo presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, que destacou a importância do encontro como um
fórum de alto nível para consolidar conhecimentos e fortalecer a segurança jurídica das cooperativas brasileiras. “Quero agradecer a todos os participantes e palestrantes que se dedicam a construir esse ambiente de troca e aprendizado. É assim que fortalecemos o nosso modelo de negócio, criando bases sólidas para o futuro”, afirmou.
O presidente destacou três pontos centrais que estarão no foco do seminário: a regulamentação do ramo de seguros, os avanços alcançados com a Reforma Tributária e a consolidação da rede de profissionais que atuam na área jurídica e contábil do movimento. Segundo ele, a criação do ramo Seguros é uma oportunidade única de ampliar o acesso da população a esse tipo de serviço. “Estamos muito atentos ao processo regulatório, em diálogo com a Susep e nossos consultores, para que esse novo ramo nasça bem estruturado e seja capaz de cumprir sua missão de maneira responsável. O seguro cooperativo pode ser uma ferramenta essencial para ampliar a proteção da população, mas precisa nascer com qualidade e inteligência”, reforçou.
Márcio também destacou a conquista recente do reconhecimento do ato cooperativo no âmbito da Reforma Tributária. Ele lembrou que, após décadas de debate, a nova legislação trouxe maior segurança ao modelo, resultado de um esforço conjunto de todo o movimento. “Alcançamos maturidade no diálogo com a Receita Federal e com a equipe responsável pela Reforma. Ainda temos regulamentações a enfrentar, mas conquistamos um marco que traz justiça e equilíbrio para as nossas operações”, avaliou.
Por fim, o presidente reforçou a importância de o seminário contribuir para a formação de uma rede nacional de excelência jurídica e contábil. “O cooperativismo já movimenta uma economia trilionária e reúne mais de 25 milhões de cooperados. Precisamos construir inteligência, procedimentos acertados e uma comunicação mais clara sobre o nosso modelo de negócios. O futuro do cooperativismo depende dessa união”, concluiu.
Palestra magna: recuperação judicial e a exclusão do ato cooperativo
Logo após a abertura, o evento recebeu a palestra magna do ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do Superior Tribunal de Justiça (STJ)
, que abordou um tema de grande relevância: a exclusão dos atos cooperativos dos processos de recuperação judicial.
Segundo Cueva, três fundamentos principais justificam essa exclusão. O primeiro é a natureza jurídica diferenciada: a cooperativa de crédito não atua como banco tradicional, mas em uma lógica em que os associados são, ao mesmo tempo, donos e usuários da instituição. O segundo é a proteção do sistema cooperativo: submeter os créditos de uma cooperativa à recuperação judicial significaria transferir o prejuízo para todo o conjunto de cooperados, o que distorceria a lógica do modelo. O terceiro ponto é a coerência legislativa e constitucional: o ato cooperativo é protegido pela Constituição Federal e pela Lei 5.764/1971, que há mais de 50 anos estabelece suas particularidades.
“A exclusão dos atos cooperativos da recuperação judicial não é um privilégio, mas uma consequência da própria natureza do sistema. Esse entendimento garante segurança para que as cooperativas sigam cumprindo seu papel econômico e social sem comprometer a proteção de seus associados”, afirmou o ministro.
Com uma programação intensa ao longo do dia, o V Seminário Jurídico segue com debates sobre regime tributário, split payment, aspectos societários e painéis específicos sobre cooperativismo financeiro, de saúde e agropecuário.
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XIV Encontro Elas Pelo Coop BA teve como foco em inovação e formação feminina
Na última sexta-feira (5), mulheres cooperativistas da Bahia se reuniram em Salvador para o XIV Encontro de Mulheres Cooperativistas – Elas Pelo Coop BA. Realizado pelo Sistema Oceb, em parceria com o Comitê Elas Pelo Coop BA, o evento teve como objetivo capacitar lideranças femininas e dar continuidade ao planejamento estratégico construído coletivamente em 2024.
O evento contou com aproximadamente 100 participantes, e a programação combinou reflexões sobre o papel das mulheres no setor e temas de inovação, com destaque para a palestra sobre Inteligência Artificial (IA), ministrada por Rodrigo Rangel, analista de estudos econômicos do Sistema OCB.
IA como aliada da produtividade
Com o tema Inteligência Artificial e seu potencial para produtividade, Rodrigo apresentou conceitos básicos, desmistificou ideias equivocadas e trouxe exemplos práticos de uso das ferramentas digitais. Ele explicou como a IA pode apoiar tanto processos internos das cooperativas quanto estratégias de comunicação e marketing.
Segundo ele, compreender e dominar a interação com essas tecnologias já se tornou uma competência essencial. “A Inteligência Artificial não substitui as pessoas, mas potencializa aquelas que sabem usá-la. É uma ferramenta que amplia nossa capacidade de análise, de criação e de tomada de decisão”, afirmou.
A palestra abordou desde mitos e verdades sobre a IA até as diferenças entre machine learning e IA generativa, além de exemplos de aplicações no cotidiano das organizações. Rodrigo também explicou como funcionam os prompts – comandos que direcionam as respostas da IA – e deu dicas para torná-los mais eficientes.
“Um bom prompt é como uma boa pergunta: quanto mais claro e contextualizado, mais assertiva será a resposta. É isso que torna a IA uma parceira estratégica, seja para elaborar um plano de ação, resumir informações complexas ou gerar insights de mercado”, destacou.
Além do debate sobre inovação, o encontro deu continuidade à execução do planejamento do Comitê de Mulheres, elaborado em 2024 a partir de uma ampla escuta das cooperativistas baianas. O documento prevê ações de capacitação, promoção de lideranças e fortalecimento da rede de apoio entre mulheres.
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Debates abordaram ainda sustentabilidade e desafios para o futuro do cooperativismo no Ceará
O Sistema OCB teve papel de destaque no 2º Encontro Cooperativo Cearense – CoopCE 2025, realizado em Fortaleza, nesta sexta (5). O evento, promovido pelo Sistema OCB/CE, reuniu dirigentes, cooperados e parceiros institucionais sob o tema O Cooperativismo que o Ceará Precisa.
Com a presença de Guilherme Souza Costa, gerente do Núcleo de Inteligência e Inovação, e Débora Ingrisano, gerente de Desenvolvimento de Cooperativas, o Sistema OCB contribuiu com reflexões estratégicas sobre os rumos do setor. A
participação aconteceu em dois dos três painéis temáticos que nortearam a programação.
Inovação como motor de transformação
No painel Inovação e futuro: o cooperativismo como protagonista da transformação, Guilherme destacou que as cooperativas brasileiras já reconhecem a inovação como prioridade, mas ainda enfrentam desafios para estruturar processos e ampliar resultados.
Segundo ele, a transformação digital, a inteligência estratégica e a capacidade de adaptação a megatendências como inteligência artificial, economia circular e diversidade são fundamentais para garantir competitividade. “A inovação precisa ser entendida não apenas como tecnologia, mas como cultura organizacional, capaz de gerar impacto econômico e social de longo prazo. O cooperativismo tem tudo para liderar essa agenda no Brasil”, afirmou.
Ele também compartilhou dados da Pesquisa de Inovação do Cooperativismo Brasileiro 2024, que mostram que 84% das cooperativas consideram inovação um tema muito importante e
79% já incluem a prática em seus planejamentos estratégicos.
Propósito e identidade como diferenciais
Já no painel Cooperativismo com propósito: sustentabilidade, diversidade e identidade, Débora Ingrisano ressaltou que a identidade cooperativista é, por si só, um compromisso com a Agenda ESG e com o desenvolvimento sustentável.
“Uma organização sustentável é aquela que se preocupa com o presente sem comprometer as gerações futuras. Isso significa ser economicamente viável, ambientalmente correta e socialmente justa. O cooperativismo já comprova, por indicadores concretos, que conseguimos equilibrar essas três dimensões. Somos um movimento com mais de 25 milhões de cooperados e que administra cerca de R$ 800 milhões, mostrando que é possível unir propósito, impacto social e solidez econômica”, destacou Débora.
A gerente também lembrou que 2025 foi proclamado pela ONU como o Ano Internacional das Cooperativas, reforçando o papel estratégico do movimento para enfrentar desigualdades e propor alternativas econômicas mais justas.
O CoopCE 2025 contou ainda com a palestra magna de Marcio Callage, diretor de Marketing da Vulcabras, e com a participação de Robson Mafioletti, superintendente do Sistema Ocepar, que conduziu o painel de encerramento com reflexões sobre o futuro do cooperativismo no Ceará.
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Evento reuniu lideranças para debater inclusão, equidade e futuro do cooperativismo
A valorização da liderança feminina no cooperativismo foi pauta central nesta quarta-feira (3), durante o Encontro do Comitê Elas pelo Coop, realizado na Casa do Cooperativismo, na Expointer 2025, em Esteio (RS). O evento reuniu cooperativistas de diferentes ramos, dirigentes e representantes institucionais em um espaço de diálogo e inspiração sobre inclusão, equidade e
diversidade no movimento. A programação contou com a participação da superintendente do Sistema OCB, Tania Zanella, e teve objetivo promover a troca de experiências, incentivar novas lideranças femininas e reforçar o papel estratégico das mulheres no futuro do cooperativismo.
Em sua participação, Tania destacou a relevância do encontro no Rio Grande do Sul, estado que tem se tornado referência no fortalecimento do Elas pelo Coop. “O cooperativismo gaúcho mostra, mais uma vez, sua força e capacidade de liderar agendas transformadoras. O protagonismo das mulheres no Rio Grande do Sul inspira todo o Brasil e reforça que estamos no caminho certo para construir um movimento mais justo, diverso e representativo”, afirmou.
Presença em ascensão
De acordo com o AnuárioCoop 2025, as mulheres representam hoje 41,78% do quadro social das cooperativas brasileiras, com presença majoritária em ramos como Trabalho (57%) e Saúde (50%). No mercado de trabalho, a participação feminina também vem crescendo de forma expressiva: em 2024, elas já correspondiam a 52% dos empregados em cooperativas, somando mais de 301 mil trabalhadoras, contra 190 mil em 2021 — um crescimento de 58%.
Para a superintendente, esses avanços refletem o potencial transformador das cooperativas, mas também evidenciam que
ainda há espaço para evoluir. “Não se trata apenas de garantir oportunidades iguais, mas de reconhecer que a diversidade de olhares é fundamental para a inovação e para o desenvolvimento sustentável. Quando as mulheres estão à frente, o cooperativismo se torna ainda mais forte”, declarou.
Liderança
Apesar do aumento no número de cooperadas e empregadas, os dados sobre liderança ainda revelam um desafio. Apenas 22% dos dirigentes de cooperativas no Brasil são mulheres, proporção que pouco mudou nos últimos anos. Em contrapartida, o fato de 28% dessas dirigentes terem menos de 40 anos, contra apenas 14% dos homens, sinaliza uma renovação geracional importante.
O Comitê Elas pelo Coop atua justamente para acelerar esse processo. Criado a partir de uma deliberação do 14º Congresso Brasileiro do Cooperativismo (CBC), o comitê tem como missão fortalecer a presença feminina nos espaços de decisão estratégica. Para isso, desenvolve ações em quatro eixos: intercooperação, elaboração de diretrizes, formação e capacitação, e representação institucional. Atualmente, já existem 17 comitês estaduais espalhados pelo país, que promovem oficinas, mentorias e participação ativa em fóruns regionais e nacionais.
Pioneirismo
O Rio Grande do Sul foi um dos pioneiros na criação do comitê estadual, coordenado por Agueda Kunz, e tem se destacado por sua capacidade de mobilização. “O engajamento das cooperativas gaúchas é um exemplo para todo o Brasil. Aqui vemos mulheres ocupando espaços de representação, investindo em capacitação e mostrando que a diversidade não é apenas um discurso, mas uma prática concreta”, ressaltou Tania.
Segundo ela, a meta institucional do Sistema OCB é avançar para um equilíbrio de 60/40 na representatividade de gênero nas lideranças cooperativistas. “Esse objetivo é ambicioso, mas plenamente possível. Cada comitê estadual criado, cada mulher que assume um cargo de liderança e cada espaço de voz conquistado nos aproxima dessa meta. O Elas pelo Coop é uma semente que já está germinando e que, com certeza, dará frutos cada vez mais consistentes”, acrescentou.
Atualmente, o cooperativismo brasileiro está presente em 64% do território nacional, reúne 25,8 milhões de cooperados e gera 578 mil empregos diretos, além de movimentar R$ 757,9 bilhões em ingressos. Dentro desse universo, a crescente participação feminina mostra que a inclusão e a diversidade são estratégias de fortalecimento do setor.
“O futuro do cooperativismo é diverso, inovador e inclusivo. E as mulheres têm papel central nessa construção. Seguiremos firmes nesse compromisso, porque acreditamos que o cooperativismo só é verdadeiramente cooperativo quando todas e todos têm espaço para crescer”, concluiu Tania.
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Conferência em San José, na Costa Rica, destaca avanços do país no cooperativismo de seguros
A presença brasileira na 30ª Conferência da Federação Internacional de Cooperativas e Mútuas de Seguro (ICMIF Américas), realizada entre os dias 27 e 29 de agosto em San José (Costa Rica), marcou um momento histórico para o cooperativismo nacional: é a primeira vez que a OCB participa como membro oficial da ICMIF — organização global que reúne cooperativas e mútuas de seguro — elevando o país ao centro de discussões internacionais do setor. A entidade foi representada por Tiago Barros, analista técnico da Gerência de Relações Institucionais e Daniel Antunes, advogado.
A conferência teve como tema Rooted resilience (Resiliência enraizada) e explorou como as cooperativas de seguros podem resistir, se adaptar e inovar em meio a transformações socioeconômicas e ambientais. O evento reuniu lideranças das Américas para trocar experiências, debater políticas regulatórias e apresentar boas práticas para modernizar o setor em tempos de rápidas mudanças globais.
Para o cooperativismo brasileiro, agora como membro ativo da entidade, a presença no ICMIF representa a confirmação de
sua capacidade de contribuir com soluções robustas e sustentáveis também no âmbito internacional.
Nova era do seguro cooperativo no Brasil
A promulgação da Lei Complementar nº 213/2025 foi um divisor de águas. A nova legislação abre caminho para que cooperativas possam atuar no mercado segurador com mais liberdade, gerando oportunidades inéditas de crescimento e democratização do acesso à proteção. Esses avanços regulatórios permitem ao país se aproximar das cooperativas de seguro que respondem atualmente por mais de 26% do mercado global, conforme dados da ICMIF.
Durante a conferência, o Brasil foi apontado como um case emergente de transformação regulatória, com destaque especial à participação técnica do Sistema OCB.
Painel com participação brasileira
No painel Opening up and diversifying an insurance market: challenges and opportunities, (Abertura e diversificação do mercado de seguros: desafios e oportunidades) Tiago Barros compartilhou a experiência brasileira frente às mudanças legais. Ele sublinhou que a nova lei permitirá que o mercado se torne mais competitivo, acessível e cooperativo.
“Estamos diante de uma oportunidade histórica. O Brasil agora pode mostrar que o seguro cooperativo não é apenas eficiente, mas também inclusivo e socialmente transformador. O Sistema OCB está pronto para apoiar o setor com inovação, governança e segurança institucional”, afirmou.

