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Especialistas trataram sobre a importância do conceito para mitigar riscos e aproveitar oportunidades

Papel da governança no ESG ganhou destaque no 15º CBC

Especialistas trataram sobre a importância do conceito para mitigar riscos e aproveitar oportunidades

 

Durante o segundo dia do 15º Congresso Brasileiro do Cooperativismo (CBC), os participantes foram convidados a participar de uma série de palestras que traçaram perspectivas para o futuro do cooperativismo. Em um ambiente propício à troca de ideias e conhecimentos, os congressistas tiveram a oportunidade de participar de salas temáticas, cada uma com foco em temas importantes para o avanço do movimento cooperativista. 

O tema ESG se subdividiu em Social, Ambiental, Governança e Gestão. Na sala de Governança, o painel O papel da governança na Agenda ESG, permitiu aos presentes aprofundar seus conhecimentos sobre sua função na implementação eficaz de processos administrativos. Foram convidados para a discussão, Rosilene Rosado, consultora em ESG, e Marcelo Cerino, superintendente da Frimesa. Os dois esclareceram pontos de entendimento acerca de como as cooperativas podem integrar a agenda da sustentabilidade em suas práticas de negócios.

Rosilene Rosado ressaltou a importância do ESG dentro das organizaçõesRosilene Rosado ressaltou a importância do ESG dentro das organizaçõesRosilene Rosado contextualizou o conceito e deu destaque para a relevância crescente do tema nas organizações. Ela enfatizou que o ESG vai além de simples critérios e representa uma abordagem que visa mitigar riscos e promover uma atuação sustentável e ética. Com exemplos práticos e análises de regulamentações globais, ela mostrou como a governança desempenha papel fundamental na gestão dos riscos e oportunidades, protegendo os interesses dos cooperados e demais partes interessadas. "A governança representa uma atuação ética, que minimiza riscos e impulsiona uma performance equilibrada. Nesse contexto, ela gerencia os impactos que podem se traduzir em riscos financeiros e que exige dos membros uma capacidade de identificação e avaliação precisa desses fatores", disse. 

Para ela, a temática possui uma responsabilidade que inclui a definição de diretrizes claras, a supervisão eficiente e metas tangíveis para a mitigação dos desafios. "A transparência e a conformidade são pilares fundamentais que garantem que a prestação de contas esteja alinhada com os padrões internacionais, enquanto a busca pela melhoria contínua impulsiona o aprimoramento do desempenho", concluiu. 

A Frimesa é uma das principais cooperativas agroindustriais do Brasil. Sediada no Paraná, é reconhecida pela sua produção diversificada de lácteos, carnes suínas e aves. Com modernas instalações de processamento e uma cadeia de produção integrada, a coop mantém um compromisso crescente com a sustentabilidade e a responsabilidade social corporativa. Seus programas de ESG abordam questões ambientais, sociais e de governança corporativa. 

Marcelo Cerino, superintendente da Firmeza falou compromisso da coop com a sustentabilidadeMarcelo Cerino, superintendente da Firmeza falou compromisso da coop com a sustentabilidadePara Marcelo Cerino, reduzir o impacto ambiental, promover o bem-estar das comunidades locais e garantir práticas éticas de negócios, são pontos relevantes para a execução dos programas de ESG. "A Frimesa alinha seu crescimento com valores de sustentabilidade e responsabilidade. Buscamos uma governança sólida e responsável para garantir operações sustentáveis em todos os níveis da organização e da cadeia de valor", afirmou. 

Além disso, ele enfatizou a necessidade de estabelecer objetivos claros, métricas e metas ESG, bem como promover a transparência e a prestação de contas para todas as partes interessadas.

 

 

 

 

 

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Imagem estática com escrita Diagnóstico Coop
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GT ESGCoop busca congregar as boas práticas do cooperativismo

Intuito é alinhar projetos e implementar soluções para as dimensões ambientais, sociais e de governança

 

Débora Ingrisano explica os objetivos do Grupo de Trabalho ESGCoop Débora Ingrisano explica os objetivos do Grupo de Trabalho ESGCoop O Grupo de Trabalho ESGoop se reuniu nesta quarta-feira (07). O GT marca um importante passo em direção à ampliação do Programa para o movimento cooperativista. A gerente-geral da OCB, Fabíola Nader Motta, realizou a abertura do encontro e enfatizou a importância do diagnóstico. "A análise envolve a atuação da cooperativa na agenda ESG, considerando sua singularidade, e se torna coletiva ao avaliar o cooperativismo por ramo de atividade e de forma sistêmica. O objetivo é alavancar práticas sustentáveis em todas as cooperativas e gerar impactos positivos nas questões ambientais, sociais e de governança", disse. 

O programa ESGCoop visa capacitar lideranças e técnicos, mapear boas práticas e implementar soluções em consonância com os critérios ESG, para que as cooperativas possam atuar de forma comprovadamente sustentável e, ainda, estejam aptas a divulgar, por meio de relatórios qualificados, suas práticas nas três dimensões. Débora Ingrisano, gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB, destacou o papel do GT e explicou que reunir os representantes das cooperativas e entidades sistêmicas colabora para a identificação das necessidades e soluções que aprimoram o ESG. "Os grupos de trabalho, em consonância com os princípios cooperativistas, promovem a intercooperação, a educação, a formação e a informação. O intuito é beneficiar o cooperado, ao final do processo", explicou. 

Ainda segundo ela, a análise realizada pelo GT ESGCoop vai consolidar a conexão entre cooperativismo e sustentabilidade. "É possível medir como o cooperativismo contribui para o ESG em razão do seu modelo de negócio, que busca, por princípio, ser ambientalmente correto e socialmente justo, ao mesmo tempo em que é economicamente viável".

Tomás Nascimento, analista do Sistema OCB, explicou o funcionamento do Avaliacoop ESG, sistema que abrange e avalia o grau de aderência das cooperativas à agenda ESG. "Trata-se de um questionário com perguntas sobre as práticas e/ou processos de desenvolvimento nas três dimensões e um quarto bloco com perguntas transversais a toda pauta ESG. Está dividido em 22 critérios + questões complementares. São cerca de cem perguntas, dependendo do ramo de atuação da cooperativa, e com quatro opções de resposta para a maioria delas. O Diagnóstico visa mapear, sugerir ações e contribuir para o próximo passo que é o desenvolvimento da relação de temas materiais e prioritários (Matriz de Materialidade)”.

O diagnóstico piloto promovido pelo Programa ESGCoop analisou 365 cooperativas de 19 estados. Seus resultados mostraram uma aderência ESG de 51,37%. 

O encontro continua nesta quinta-feira (08), quando serão apresentados cases de sucesso sobre sustentabilidade e ESG. Os cases comprovam que as soluções implementadas pelas cooperativas participantes do programa são efetivas e eficientes.  

 
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Câmara Temática discute desafios da Geração Distribuída no Brasil 

Reunião tratou sobre avanços para o desenvolvimento das cooperativas no segmento

 

Na última quinta-feira (25), a Câmara Temática de Geração Distribuída (GD) promoveu uma reunião repleta de discussões e análises sobre o atual cenário do segmento no Brasil, com foco nas cooperativas que fazem parte do setor. O encontro contou com a participação de representantes cooperativistas de diversas regiões do país e especialistas do Sistema OCB para tratar de temas que impactam diretamente o desenvolvimento desse setor.

Thayná Côrtes, analista trainee do Ramo de Infraestrutura, ressaltou que o ano de 2023 foi marcado por avanços significativos no programa de Geração Distribuída (GD) no Brasil. Ela pontuou que a implementação de mais de 625 mil sistemas de Micro e Minigeração Distribuída (MMGD) adicionou expressivos 7,4 GW de potência ao setor. "Essa ascensão é atribuída à Lei 14.300/2022, que promoveu alterações no Marco Legal da Geração Distribuída. A legislação estabeleceu normas e permitiu que os consumidores pudessem gerar sua própria energia para economizar na conta de luz, por meio do sistema de compensação de créditos", afirmou. 

Ainda de acordo com Thayná, a partir do ponto de vista da Geração Distribuída, o cooperativismo brasileiro obteve um crescimento notável em todos os ramos. O número de cooperativas que geram sua propria energia saltou de 725 para 820 entre julho de 2023 e janeiro de 2024. Esse crescimento representa 17,5% do total de cooperativas brasileiras que geram sua própria energia, com uma soma de potência instalada de 70,3 MW. Os ramos Agro e Crédito também se destacaram. O Agro, que contava com 185 cooperativas de Geração Distribuída, passou a ter 215, enquanto o Crédito cresceu de 218 para 251 cooperativas em sete meses. Entre os estados, Minas Gerais  contabilizou um aumento significativo de 19 para 24 cooperativas de Geração Distribuída entre setembro de 2023 e janeiro de 2024.

Desenvolvimento

Comprometido com o desenvolvimento das cooperativas de Geração Distribuída, o Sistema OCB lançou o Projeto Piloto de Energias Renováveis, desenvolvido pelo Grupo de Trabalho Ambiental, que busca aprimorar a identidade cooperativista, oferecer instrução, planos de ação, execução e acompanhamento trimestral às cooperativas participantes. Além disso, promove a troca de boas práticas entre cooperativas de diferentes ramos.

O diagnóstico assistido, parte do projeto conduzido pelas consultoras da Confederação Alemã das Cooperativas (DGRV) Tatiana Francisco e Fabíula Torres, é uma ferramenta que colabora com a autoavaliação das cooperativas. Essa é uma metodologia que envolve mobilização, reúne documentação, realiza reuniões de repasse, elabora um plano de ação, faz devolutivas e acompanhamento trimestral dos inscritos. Os resultados desse processo são revertidos na conformidade legal, aproximação com dirigentes, compreensão do modelo de negócios e  fortalecimento do cooperativismo no setor de energia renovável.

 

Ambiente regulatório

Em uma análise do contexto regulatório, foi destacada a tomada de subsídios 018/2023, feita pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A iniciativa quer explorar as questões que se relacionam com a comercialização de excedentes ou créditos de energia na Geração Distribuída. A discussão enfatizou a necessidade de padronizar os entendimentos e conceitos de cooperativismo no setor, tendo em vista a redução de empresas que se autodenominam cooperativas sem o devido registro no Sistema OCB. 

A intenção da Aneel é receber esclarecimentos acerca de temas como situações de mercado que se enquadram como comercialização de energia e compreender quais são os elementos indicativos desse processo, como a viabilidade de contratos padronizados e o tratamento regulatório em relação à vedação de divisão. Para o coordenador de Meio Ambiente e Energia do Sistema OCB, Marco Morato, a tomada de subsídios é o início de um processo que reforça a importância de compreender como a Geração Distribuída funciona no âmbito cooperativo. "Existe a necessidade de criar mecanismos para evitar conflitos de interesse, especialmente quando consumidores também são investidores. O intuito é garantir que exista segurança jurídica para o modelo de negócios cooperativista de Geração Distribuída", enfatizou.

Saiba Mais: 

- Câmara de Geração Distribuída ouve pleitos de dirigentes estaduais

- Sistema OCB promove capacitação sobre geração distribuída  

 

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Cooperativismo ressoa sua voz na COP 28

Participação reafirmou protagonismo do movimento na busca por um mundo mais sustentável

 

A participação de representantes do Sistema OCB e das cooperativas brasileiras na COP 28, realizada entre os dias 30 de novembro e 12 de dezembro, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos,  representou mais um marco importante do movimento na busca por uma sociedade mais justa, equilibrada e sustentável. A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas possibilitou o compartilhamento de boas-práticas que ressoaram em todo o mundo e reafirmaram o protagonismo do cooperativismo com a preservação dos recursos naturais e a produção responsável, inclusiva e ambientalmente correta.

Sob a coordenação do Sistema OCB e o apoio da ApexBrasil, o primeiro painel, intitulado Cooperativas: Aliadas da sustentabilidade ambiental e segurança alimentar, apresentou evidências de que o crescimento sustentável passa necessariamente pelo cooperativismo. Tania Zanella, superintendente do Sistema OCB, enfatizou a natureza tripla do modelo de negócios como socialmente justo, economicamente viável e ambientalmente correto. “O cooperativismo é extremamente importante nas ações para enfrentar as mudanças climáticas e a participação ativa das pessoas comuns é essencial para atingir, por exemplo, a neutralidade de carbono”, explicou.

O painel também contou com a participação de Sebastião Nascimento de Aquino, membro do conselho da Cooperativa Central de Comercialização Extrativista no Acre, a Cooperacre; de Marcelo Cerino, superintendente de Logística Integrada da central cooperativa Frimesa; e de Ênio Meinen,  diretor de Coordenação Sistêmica e Relações Institucionais do Sicoob, que apresentaram cases de sucesso no desenvolvimento sustentável no agronegócio e as contribuições do cooperativismo de crédito para a agenda. Contou ainda com relatos de representantes da Aliança Cooperativa Internacional (ACI) da África e Europa.

Em painel coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MME)  e pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS) com o tema Proteção, Promoção e Participação de Povos e Comunidades Tradicionais na construção da agenda climática global, a analista de Sustentabilidade do Sistema OCB, Laís Nara Castro, enfatizou a participação ativa das comunidades na construção da agenda climática global. "O cooperativismo gera renda para a população, preserva a cultura dessas comunidades e garante a proteção das florestas, que são seus principais ativos econômicos", afirmou.

Promovido pela Organização Mundial do Comércio (OMC), o painel As contribuições da Economia Social e Solidária para os ODS: o papel da política comercial (em inglês), contou com a participação de  Fabíola Nader Motta, gerente-geral do Sistema OCB. Ela destacou os diferenciais do cooperativismo na busca pelo desenvolvimento sustentável e enfatizou a necessidade de maior reconhecimento sobre os benefícios oferecidos pelas cooperativas, bem como da inclusão do movimento na formulação de políticas públicas. "Os formuladores de políticas públicas precisam entender que nosso modelo de negócios leva algo a mais para a mesa e que ele deve ser incluído e não excluído dessas políticas. Esse é, com certeza, o principal obstáculo que precisamos vencer”.

O comprometimento do movimento com uma agricultura mais resiliente, rentável e capaz de mitigar as emissões dos gases de efeito estufa foi o tema do painel Plano ABC+ e seu papel na segurança alimentar, promovido pelo Ministério da Agricultura (Mapa). A gerente-geral, Fabíola Nader Motta, foi a representante do Sistema OCB também nesse debate e lembrou que o cooperativismo é um aliado fundamental para o alcance dos objetivos do programa. “A transição para uma economia verde exige o envolvimento não só de governos ou organizações, mas das pessoas como um todo. O cooperativismo é um caminho importante nesse sentido. Ele se destaca ao congregar pessoas e oferecer conhecimentos e assistência necessária para alcançarmos os objetivos de uma economia verde e sustentável”, ressaltou.

Gerente Geral da OCB, Fabíola Nader, sentada junto com os outros participantes do painel

Cooperativas impulsionam Plano ABC+

Exemplos de sucesso foram apresentados pelo Sistema OCB na COP 28.

As cooperativas agropecuárias são protagonistas na adoção de práticas que garantem a preservação ambiental e a sustentabilidade da produção rural. Ações voltadas para a baixa emissão de carbono, por exemplo, fazem parte do cotidiano das atividades desenvolvidas há décadas. Em painel promovido  nesta segunda-feira (11) pelo Ministério da Agricultura (Mapa), durante a 28ª Conferência sobre Mudanças Climáticas da ONU, a COP 28, a gerente-geral do Sistema OCB, Fabíola Nader Motta, apresentou cases de sucesso que demonstram o comprometimento do movimento com uma agricultura mais resiliente, rentável e capaz de mitigar as emissões dos gases de efeito estufa.

O tema abordado pelo painel foi Plano ABC+ e seu papel na segurança alimentar. Fabíola lembrou que o Plano ABC+ é primordial para a segurança alimentar e que a transição para uma economia verde exige o envolvimento não só de governos ou organizações, mas das pessoas como um todo. Para ela, o cooperativismo é um caminho importante nesse sentido. “As cooperativas se destacam ao congregar as pessoas e oferecer os conhecimentos e assistência necessária para alcançarmos os objetivos de uma economia verde e sustentável. A força do cooperativismo permite levar as melhores tecnologias aos produtores. Temos nove mil extensionistas no nosso quadro, o que torna o produtor cooperado o mais assistido no Brasil”, ressaltou.

A proteção da vegetação nativa, a geração de emprego e renda e a prosperidade impulsionadas pelas cooperativas, inclusive para as comunidades onde estão inseridas, foi salientada por Fabíola como fatores importantes para garantir o desenvolvimento sustentável e as seguranças alimentar, energética e climática. “A busca pela preservação faz parte da natureza do cooperativismo. Temos o prazer de fazer parte dessa iniciativa do Plano ABC+ desde o início da sua implementação, em 2011, e os impactos desse programa são evidentes. Nossos cooperados se tornaram, com certeza, mais produtivos, utilizam as melhores tecnologias e são ainda mais sustentáveis”, acrescentou.

Entre as histórias de sucesso, Fabíola citou a Cooperativa Agrícola Água Santa (Coasa), a Cocamar Cooperativa Agroindustrial e a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (Camta).  Localizada no Rio Grande do Sul, a Coasa adota, desde 1995, a Operação 365, que mantém a cobertura verde no solo todos os dias do ano. As técnicas utilizadas promovem a redução de fertilizantes sintéticos, preservam a umidade da terra e aumentam a qualidade química, física e biológica da produção, garantindo maior estabilidade em todo o processo de plantio e colheita. “Os cooperados da Coasa possuem um mote muito significativo, que permeia todas as suas atividades: o solo é o maior bem de um produtor”, explicou a gerente.

A Cocamar, do Paraná, por sua vez, utiliza a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta ILPF) em suas 110 unidades operacionais para garantir a policultura. De acordo com Fabíola, essa tecnologia permite o cultivo de diferentes grãos em uma mesma área, evitando esgotamento do solo e reduzindo a emissão de gases que contribuem para o efeito estufa. “Além disso, ela reduz em cerca de 30% os gastos com energia elétrica, ação fundamental para a transição da economia verde. Até 2030, a Cocamar planeja alcançar 35 milhões de hectares plantados com a tecnologia”.

Já a Camta, conforme apresentou a gerente, é referência em sustentabilidade econômica e ambiental a partir do Sistema de Agroflorestal de Tomé-Açú (Safta), no qual as culturas semeadas convivem em harmonia, dividindo terreno umas com os outras e também com a floresta nativa. “Essa tecnologia, desenvolvida exclusivamente pela cooperativa, auxilia na recuperação da biodiversidade porque mantém o solo úmido e fértil, respeita o clima, aumenta a produtividade e reduz em mais de cinco vezes a emissão de gases poluentes. Outros países, como a Bolívia, aprenderam e adotaram a técnica em suas lavouras também.

A adoção de matrizes energéticas sustentáveis também foi citada por Fabíola. “A produção de biogás, biogás, biometano e CO² , bem como investimentos em energia solar são algumas das iniciativas adotadas pelas cooperativas brasileiras para a ampliação de projetos de energia renovável”, completou.

O painel também contou com a participação de Ratan Lal, professor da Univesidade de Ohio e embaixador da Boa Vontade do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) para o desenvolvimento sustentável. Ratan também é prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) em 2007 e laureado pelo Prêmio Mundial de Alimentação (World Food Prize) em 2020. Para ele, o Brasil é uma força agrícola mundial e um exemplo a ser seguido. “Fico impressionando ao observar a como o país transformou seu mode de produção ainda na década de 1960 e se tornou o maior exportador de alimentos líquidos do globo”, afirmou.

O professor elogiou o Plano ABC+ e reafirmou seus benefícios para a redução das emissões de gases de efeito estufa, aprimoramento das práticas agrícolas e o aumento do armazenamento de carbono. “As estratégias adotadas incentivam o crescimento da proteção ambiental, geram renda para a população rural e reduzem o desmatamento nos biomas da Amazônia e Cerrado. O Plano ABC é, portanto, um instrumento efetivo para a promoção de uma agricultura sustentável que adota estratégias reais para a mitigação dos gases de efeito estufa”, acrescentou.

Bruno Brasil, diretor do Departamento de Produção Sustentável e Irrigação do Mapa foi o responsável pela mediação da apresentação. O debate também contou com a participação de Ana Paula Mello, assessora de Sustentabilidade da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Saiba mais sobre a presença do cooperativismo na COP 28 no site Cooperação Ambiental.

Crescimento sustentável passa pelo cooperativismo

Painel coordenado pelo Sistema OCB na COP 28 reafirma protagonismo do modelo de negócios

 

O crescimento sustentável passa obrigatoriamente pelo cooperativismo. Essa foi a principal conclusão do painel Cooperativas: aliadas da sustentabilidade ambiental e segurança alimentar, coordenado pelo Sistema OCB, neste sábado (9), no Espaço Brasil da 28ª Conferência sobre Mudanças Climáticas da ONU, a COP 28. As apresentações, mediadas pela superintendente Tania Zanella, destacaram as contribuições das cooperativas para o desenvolvimento socioeconômico e o crescimento inclusivo de comunidades no Brasil, África e Europa, com troca de experiências e detalhamento de cases de sucesso. 

“O cooperativismo, para além de socialmente justo, é economicamente viável e ambientalmente correto”, salientou Tania em sua fala. Ela lembrou que a relação de confiança que o modelo de negócios oferece é um dos ativos que melhor pode explicar os impactos positivos e as significativas contribuições geradas nas atividades realizadas. “A solução para as alterações climáticas não está apenas nas mãos dos governos e das organizações, mas também nas mãos das pessoas comuns. Acreditamos que o envolvimento ativo e consciente por meio do cooperativismo é essencial para alcançar a neutralidade de carbono e assim enfrentarmos de forma eficaz e inclusiva esses desafios”, complementou.

Laudemir Muller, gerente de Agronegócio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), apresentou dados para exemplificar a importância da valorização da floresta em pé e das soluções proporcionadas pelo cooperativismo. Segundo ele, estudo coordenado pela agência, com 64 produtos compatíveis com a floresta, mostrou que eles representam um mercado de 178 bilhões de dólares, sendo que o Brasil participa em apenas 0,2% desse mercado (300 milhões de dólares).  “Se aumentarmos essa participação de forma proporcional ao tamanho do país, podemos chegar a atingir 1,3% desse mercado, ou seja, 2,3 bilhões de dólares. E não há como fazer isso sem passar pelo cooperativismo”, declarou.

Cases

Sebastião Nascimento de Aquino, membro do conselho da Cooperativa Central de Comercialização Extrativista no Acre, a Cooperacre, compartilhou as ações da cooperativa que se tornou referência sustentável pela  valorização da floresta amazônica, promoção da bioeconomia e inclusão social de seus cooperados. Responsável pela maior produção de castanha-do-Brasil beneficiada do Brasil, suas atividades abrangem 18 municípios e beneficiam mais de quatro mil famílias, a maioria de pequenos produtores extrativistas. “Nossa atividade preserva 87% das florestas. Somos líder na produção orgânica e livre de toxinas, e investimos em tecnologia e inovação para garantir a qualidade e segurança dos nossos produtos”, relatou.

Apesar do sucesso, Aquino destacou desafios que ainda precisam ser superados para que a cooperativa possa aumentar sua contribuição para a melhoria da qualidade de vida de seus cooperados e das comunidades da região onde atua, para a continuidade da preservação ambiental e para a promoção da segurança alimentar. “Precisamos de mais apoio e recursos para financiar as famílias de produtores extrativistas, além de assistência técnica diferenciada para garantirmos uma produção cada vez mais sustentável e eficiente. Outro ponto que consideramos fundamental é o aumento das possibilidades de pagamento pelo diferencial da preservação. Esses recursos precisam realmente chegar nas mãos dos extrativistas”, afirmou. 

As inovações sustentáveis e o compromisso ambiental no cenário agropecuário brasileiro da Frimesa foram apresentadas por Marcelo Cerino, superintendente de Logística Integrada da central cooperativa. Considerada uma das maiores marcas de produtos de carne suína e lácteos do país, a Frimesa se destaca por ações na redução do impacto ambiental de suas atividades. “Nosso programa ESG prevê o alcance total de carbono neutro até 2040. Investimos na produção de biogás, biometado e Co2, substituímos o uso de combustíveis fósseis e reduzimos em 33% as emissões de gases do efeito estufa. Somos considerados a segunda organização mais inovador do Brasil e nossos programas também incluem o investimento em energia solar, conservação de florestas e redução do consumo de água potável. Temos 187 projetos de inovação em andamento”, descreveu.

As contribuições do cooperativismo de crédito também foram ressaltadas durante o painel. Ênio Meinen,  diretor de Coordenação Sistêmica e Relações Institucionais do Sicoob falou sobre o papel transformador do segmento na construção de um sistema financeiro inclusivo e justo. “Promovemos prosperidade com responsabilidade. Consideramos a sustentabilidade uma questão estratégica e transversal. Apoiamos o empreendedorismo inovador e a economia compartilhada, temas fundamentais para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a paz social, meta maior da Organização das Nações Unidas, a ONU”.

Ênio reforçou ainda que as cooperativas de crédito são a maior rede de proximidade  e principais provedoras de crédito dos pequenos negócios no Brasil, com destaque para o financiamento do setor rural, responsável pela segurança alimentar. “Estudos comprovam que, nas localidades onde as cooperativas de crédito estão presentes, há um incremento de 5,6% no PIB, além de um acréscimo de 16% nos estabelecimentos comercias por ano. A inclusão financeira que proporcionamos gerou, entre 2016  e 2021, uma economia de 17,4 bilhões de dólares para aqueles que nos escolheram na busca de recursos para seus negócios”, acrescentou.

África e Europa

Susane Westhausen, presidente da Aliança Cooperativa Internacional para a Europa, e Sifa Chiyoge, diretora-geral da Aliança Cooperativa Internacional para a África, também participaram do painel e apresentaram relatos sobre como as cooperativas de seus continentes têm atuado em prol da preservação ambiental e sustentabilidade. Para Susane, o cooperativismo tem como um de seus principais diferenciais o fato de combinar coração e cérebro. “Essa característica torna o modelo de negócios mais democrático e a melhor opção quando consideramos que as questões climáticas precisam ser trabalhadas como um todo, com um olhar completo sobre a cadeia de valor”. 

Sifa, por sua vez, disse que o cooperativismo faz parte do cotidiano africano desde a sua criação e que a busca pela sustentabilidade se revela em todos os seus ramos de atividade. “O cooperativismo é nossa maneira natural de viver. A capacidade de compartilhamento que ele promove alia produção e preservação. Por isso, ele é o melhor modelo para agregar valor à cadeia produtiva”, relatou. Sifa também detalhou diversos cases desenvolvidos pelas cooperativas africanas nas áreas de reciclagem de resíduos sólidos, reflorestamento, redução de uso de recursos fósseis e reaproveitamento de materiais.

Saiba mais sobre a presença do cooperativismo na COP 28 no site Cooperação Ambiental.

Seminário destaca importância do cooperativismo para o garimpo responsável

Evento discutiu segurança jurídica, rastreabilidade e boas práticas na mineração

 

O Sistema OCB promoveu, em parceria com a Aliança pela Mineração Responsável (ARM), nesta quinta-feira (07), o Seminário Virtual Cooperativismo e o Garimpo Responsável - CRAFT Brasil, que reuniu especialistas, autoridades e representantes de organizações comprometidas em promover práticas responsáveis na mineração, com destaque para a extração de ouro. O evento abordou temas como a rastreabilidade, a regulamentação, a segurança jurídica e as boas práticas no setor. O Ministério de Minas e Energia (MME), a Agência Nacional de Mineração (ANM), o Movimento de Joalherias Responsáveis: Conscious Mining e a FECOGAP apoiaram institucionalmente o evento. 

O seminário foi mais um marco do Projeto Rastreabilidade e cadeia responsável no cooperativismo mineral brasileiro: implementação de uma primeira infraestrutura para identificação e mitigação de riscos ambientais, sociais e comerciais no marco do Código CRAFT.

Fabíola Nader Motta, gerente-geral do Sistema OCB, reiterou o compromisso da entidade em promover a transformação do mundo em um lugar mais próspero e justo. Ela destacou a parceria estratégica com a Agência Nacional de Mineração (ANM) para desenvolver iniciativas em prol do avanço na rastreabilidade da comercialização do ouro no Brasil.  "Com esse intuito, faço o anúncio de um curso virtual oferecido pelo Sistema OCB para a capacitação e conhecimento na formação de técnicos qualificados na mitigação da lavagem de dinheiro e de riscos no setor. A construção de uma rede nacional de profissionais será um recurso valioso para impulsionar o desenvolvimento sustentável e a promoção da integridade em todas as fases da comercialização de minerais, especialmente do ouro", comunicou.

O diretor executivo da Aliança para Mineração Responsável (ARM), Marcin Piersiak, por sua vez, enalteceu a parceria com o Sistema OCB e afirmou que essa união possibilitou sinergias significativas, com a conexão de pequenos produtores no contexto global e com a promoção de práticas legítimas, responsáveis e lucrativas. "Essa coalizão tem impactado positivamente o setor da mineração. Nós estamos comprometidos em fomentar uma abordagem sustentável, ética e com a garantia de práticas que beneficiem não apenas a indústria, mas também as comunidades envolvidas", disse.

 

Regulação e Fiscalização

 

Guilherme Sannuti Pais, gerente técnico na Gerência de Supervisão de Cooperativas e de Instituições Não Bancárias do Banco Central do Brasil (BCB), destacou a importância de focar na primeira aquisição dos mineradores para facilitar o controle e a fiscalização do setor. "O Bacen busca iniciativas que convergem com boas práticas para garantir a procedência legal do ouro”, afirmou.

Louis Marechal, representante da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), ressaltou a importância do Sistema OCB na orientação do trabalho relacionado aos minerais e garimpos e o papel crucial do Brasil na cadeia de suprimentos de minerais. “A transparência das ações é uma necessidade vital para evitar atividades ilegais e crimes ambientais”.

Como coordenador operacional de fiscalização da Receita Federal, Adriano Pereira Subirá, assegurou que a missão de sua instituição é administrar o sistema tributário e aduaneiro. “Nesse sentido, entendemos ser fundamental a integração dos órgãos de controle, com foco no combate ao crime e em questões ambientais, como a exploração do solo”. Para ele, essa iniciativa precisa ser adotada de forma imediata.

Representante do Fórum de Impacto Metais Preciosos (PMIF), Sabrina Karib, considerou importante evitar a estigmatização do setor garimpeiro e reconhecer seu papel na economia. "Trabalhar juntos é a chave para construir um setor mais ético, sustentável e socialmente responsável. O mapeamento da cadeia de valor do ouro permite a adoção de condutas responsáveis em todas as etapas, desde a extração até o consumidor final", opinou.

Já Alan Martin, head de Abastecimento Responsável da London Bullion Market Association (LBMA), salientou que os garimpeiros desempenham um papel significativo e relevante em seus países e contribuem para a economia e para o desenvolvimento local. "Nossa visão é colaborar para estabelecer um modelo que promova uma produção mais estável, que beneficie não só os garimpeiros, mas toda a cadeia de suprimentos de ouro".

Para o diretor executivo do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM), Écio Moraes, o setor privado está na linha de frente e conhece melhor os problemas do setor. Ele também defendeu uma maior integração com o setor público, para que se consolide uma modernização do setor, mais transparente e rastreável.  "Sem uma integração entre o setor público e o setor privado, vamos avançar pouco", declarou.

 

Práticas Responsáveis

 

Patrícia García-Márquez, head na América Central, Caribe e Brasil, da Aliança para Mineração Responsável (ARM), apresentou detalhes sobre o CRAFT (Certified Responsible Artisanal & Small-Scale Mining). Ela explicou que o código internacional é projetado para promover práticas responsáveis na mineração artesanal e de pequena escala. "São estabelecidos critérios rigorosos relacionados à questões sociais, ambientais e econômicas, com o objetivo de melhorar as condições de trabalho, promover práticas seguras e sustentáveis, além de garantir benefícios positivos para comunidades locais e a economia em geral".

 Ainda segundo ela, o código CRAFT busca equilibrar as necessidades da indústria de mineração com responsabilidade ambiental e social, proporcionando um modelo para transformar a mineração artesanal em uma atividade mais ética e sustentável.

Nas observações finais, Gilson Camboim, representante da Câmara Temática Mineral no Sistema OCB e presidente da Federação das Cooperativas de Mineração do Estado de Mato Grosso (Fecomin), reafirmou a importância do seminário para debater e garantir o avanço das práticas responsáveis na mineração. "Esse encontro consolida a relevância do cooperativismo na construção de um setor mineral mais ético e sustentável. A união de especialistas, autoridades e organizações comprometidas evidencia o compromisso coletivo em transformar a mineração, especialmente a extração de ouro, em uma atividade socialmente responsável e economicamente viável. As discussões sobre rastreabilidade, segurança jurídica e boas práticas refletem nosso esforço contínuo em promover uma abordagem equilibrada, que beneficie não apenas a indústria, mas também as comunidades envolvidas", concluiu.

 

Código CRAFT
 

O objetivo da Avaliação Integral Mineira – Critérios CRAFT (AIM-CRAFT) é fornecer apoio prático a garimpos vinculados à cooperativa minerais, em especial de ouro, na implementação das diretrizes do Código CRAFT. Ao aderir ao Código CRAFT, os garimpos agem e operam de acordo, ou mesmo excedendo, os requisitos mínimos estabelecidos pela Devida Diligência da OECD (Organisation for Economic Co-operation and Development) para cadeias de abastecimento mineral responsáveis.

A implementação dessas recomendações apoia garimpos, vinculados a cooperativas minerais e que estão interessados em ser mais responsáveis com suas partes interessadas, a prevenir e a lidar com os impactos adversos que possam estar associados às suas operações, cadeias de fornecimento e outras relações comerciais. Em breve a publicação estará disponível nos sites do Sistema OCB e da ARM.

 

Curso de Rastreabilidade
 

Para criar uma rede nacional de técnicos de cooperativas capacitados para avançar em desafios existentes no país relacionados à rastreabilidade e gestão, bem como mitigação de riscos de lavagem de ativos e financiamento ao terrorismo, foi elaborado um curso virtual de 30 horas, com início previsto para 19 de fevereiro de 2024. Os interessados podem se inscrever aqui.  

COP 28: cooperativismo atua na manutenção da floresta em pé

“Sem envolvimento e participação ativa das comunidades não há desenvolvimento social, ambiental e econômico. E esse envolvimento e participação ativa tem sinergia com os princípios cooperativistas”. A afirmação da analista de Sustentabilidade do Sistema OCB, Laís Nara Castro, foi feita nesta terça-feira (5) durante participação no painel Proteção, Promoção e Participação de Povos e Comunidades Tradicionais na construção da agenda climática global, realizado no Pavilhão Brasil da 28ª Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas, a COP 28.      

Coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, o painel  discutiu como a participação livre, plena e informada dessas comunidades pode apoiar a construção de protocolos e iniciativas que favoreçam seus modos de vida e compensem os impactos da mudança do clima sobre seus territórios. Edel Moraes, secretária nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (SNPCT), destacou como fundamental garantir voz a esses segmentos da sociedade nas instâncias em que as políticas climáticas são debatidas em nível global.

Nesse sentido, Laís salientou que faz parte do DNA cooperativista a participação democrática, a formação, a informação e o interesse pelas comunidades. “Esses princípios geram fortalecimento da cooperação, renda e qualidade de vida aos cooperados. São também, características que permitem a manutenção da floresta em pé, principalmente quando falamos das comunidades tradicionais porque geram valor, garantem proteção contra o desmatamento e promovem o fortalecimento da resiliência na proteção do clima nesses territórios”

Segundo a analista, as organizações sociais são atores-chave na preservação da floresta e no combate às mudanças climáticas e o cooperativismo desempenha papel fundamental nesse contexto. “Fazemos negócios tendo como foco o bem-estar dos cooperados, a sustentabilidade da atividade desenvolvida e a preocupação com as pessoas e o meio ambiente. O cooperativismo gera renda para a população, preserva a cultura dessas comunidades e garante a proteção das florestas, que são seus principais ativos econômicos”, afirmou.

Como exemplos, Laís citou os cases da Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre (Cooperacre) e da Turiarte. A Cooperacre desenvolve produção florestal sustentável e modernização da cadeia produtiva da castanha-do-brasil, com presença em 18 municípios do estado do Acre. São mais de 2,5 mil famílias cooperadas reunidas em 12 cooperativas singulares e 25 associações que atuam na proteção ao meio ambiente, asseguram a continuidade da produção local e o progresso ecônomico sustentável. “A Cooperacre atua  ainda na capacitação de seus cooperados em temas como gestão cooperativa, boas práticas de manejo florestal e beneficiamento da castanha-dobBrasil, certificação orgânica, educação ambiental e de gênero”, explicou.

A Turiarte, por sua vez, trabalha na manutenção da floresta em pé, geração de renda, fortalecimento de comunidades e difusão da cultura, da arte e de belezas naturais de forma sustentável a partir de cooperativas de turismo e artesanato. “Ela foi fundada por membros da comunidade na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns e do Projeto de Assentamento Agroextrativista Lago Grande, no município de Santarém, ambos no estado do Pará e desempenha um papel muito importante ao promover a melhoria da qualidade de vida das comunidades da floresta, desenvolver o turismo de base comunitária e promover o artesanato confeccionado pelas mulheres, como a palha de tucumã”, completou Laís.

              Além da analista, o painel contou também com a participação de Júlio Barbosa de Aquino, presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas; Hindou Oumar Ibrahim, co-presidente do Fórum Internacional de Povos Indígenas sobre Mudanças do Clima (IPFCC); e Jana Bischler, diretora de Proteção Social e Mudanças Climáticas da Ortanização Internacional do Trabalho (OIT). A mediação foi feita por Raimunda Nonata Monteiro, secretaria-adjunta do CDESS, e por Edel Moraes. 

              Confira o painel completo aqui.

Cooperacre é referência na promoção de economia de baixo carbono

A promoção de uma economia de baixo carbono aliada à inclusão social são os principais focos da estratégia de negócios da Cooperativa Central de Comercialização Extrativista no Acre, a Cooperacre. Sua atuação pioneira na valorização da floresta amazônica e na promoção de uma bioeconomia sustentável será destacada no painel Cooperativas: aliadas da sustentabilidade ambiental e segurança alimentar, neste sábado (9), durante a 28ª Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas, a COP 28, em Dubai, nos Emirados Árabes. Coordenado pelo Sistema OCB, o painel apresentará cases de sucesso do cooperativismo no desenvolvimento de atividades que aliam produtividade e preservação ambiental.

 Marco Morato, coordenador de Meio Ambiente do Sistema OCB, ressalta que a Cooperacre é referência em organização social e cooperação. “A bioeconomia que eles promovem gera emprego e renda para as famílias envolvidas e permite o desenvolvimento de uma atividade extrativista que mantém a floresta em pé. É um exemplo significativo de como é possível gerar um negócio rentável, respeitando o meio ambiente. O sucesso da cooperativa é tão pujante que, atualmente, ela já exporta seus produtos para nove países”.

Os detalhes sobre as atividades desenvolvidas pela Cooperacre serão apresentados por Sebastião Nascimento de Aquino, membro do conselho da cooperativa. Ele falará falar sobre a compra de produtos extrativistas da floresta nativa, sobre o sistema agroflorestal adotado, sua diversidade e os processos de plantio. "Vamos reforçar o trabalho da cooperativa como um agente que contribui para o desenvolvimento da nossa comunidade e que respeita o meio ambiente", disse.

Sobre as expectativas em torno da COP 28, Sebastião afirma serem de impacto positivo para o fortalecimento das atividades desenvolvidas. "Esperamos que nosso país se comprometa, junto com os demais países, com a causa amazônica. Que possam apoiar as nossas cooperativas, associações e demais instituições para trabalhar de forma sustentável".

 

  

União

Fundada em 2001, a Cooperacre surgiu da necessidade de unir cooperativas extrativistas do estado do Acre em busca de melhores oportunidades e negócios para os produtos da floresta. Atualmente, a cooperativa é responsável pela maior produção de castanha-do-Brasil beneficiada do país e quer se tornar a maior do mundo. Sua atuação se estende por 18 municípios e reúne mais de 2,5 mil famílias cooperadas, 12 cooperativas singulares e 25 associações. Com 87% das florestas preservadas, a cooperativa garante um ambiente propício para o desenvolvimento econômico sustentável e contribui para a melhoria da vida das comunidades da região.

A cooperativa é parceira do Fundo da Amazônia, criado pelo governo federal, e apoia projetos de gestão de florestas públicas, manejo florestal sustentável, monitoramento e combate ao desmatamento O projeto Fortalecendo a Economia de Base Florestal Sustentável, concluído em 2019, recebeu investimentos do fundo e beneficiou pequenos produtores rurais e extrativistas na otimização da logística de armazenamento e transporte de frutas; melhoria do beneficiamento da castanha-do-Brasil; agregação de valor e diversificação de produtos; aprimoramento das estratégias de comercialização; e capacitação da rede de filiados em gestão cooperativa.

A Cooperacre também investe em tecnologia e inovação para garantir a qualidade e segurança de seus produtos, com uma abordagem que tem contribuído para a expansão dos mercados nacionais e internacionais, fortalecendo sua posição como referência na produção sustentável. Com três armazéns, três indústrias de beneficiamento e galpões comunitários estrategicamente distribuídos, a cooperativa é destaque na produção orgânica e livre de toxinas, o que aumenta a credibilidade de seus produtos e atrai a atenção de grandes indústrias alimentícias globais.

Saiba mais sobre o case Cooperacre no especial sobre a COP 28 do site Cooperação Ambiental

Sistema OCB apresenta compromissos com o ESG em encontro do agro

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), promoveram o 5º Encontro dos Adidos Agrícolas Brasileiros entre os dias 23 e 28 de novembro. O evento trouxe a temática Resultado das Exportações e Estratégias para 2024 e buscou fortalecer a presença do agronegócio brasileiro no cenário global.

O Sistema OCB participou do painel temático ESG e Imagem Associados ao Cooperativismo realizado nesta terça-feira (28). Em sua apresentação, Débora Ingrisano, gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB, ressaltou a importância do ESG no contexto cooperativista para agregar valor e promover a sustentabilidade com comprovação de desempenho. "O cooperativismo brasileiro está comprometido em mapear boas práticas, medir impactos com indicadores qualificados e formar lideranças para atender aos critérios ambientais, sociais e de governança. A sustentabilidade é uma adaptação das necessidades humanas e dos sistemas econômicos aos limites do planeta" explicou.

Como cases de sucesso, Débora mencionou a cooperativa Frimesa, do Paraná, que estabeleceu compromissos sustentáveis para os próximos 16 anos. A Unimed Belém, que lançou um projeto de migração para o mercado livre de energia, com foco em energia renovável e, por último, a Sicredi Dexis, do Paraná, com programas vinculados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) e instalações sustentáveis certificadas pelo selo Leed Platinum também foram destacadas. "O movimento coop, nascido e enraizado nas comunidades, se sustenta na viabilidade econômica, na justiça social e no cuidado com o meio ambiente", acrescentou.

Para finalizar, a gerente salientou que o Brasil e o mundo precisam se conectar de forma massiva com o cooperativismo e a sustentabilidade, para provar que o futuro do planeta é coop. "Vamos enxergar que o nosso movimento é uma organização economicamente viável, ambientalmente correta e socialmente justa, sob um modelo de gestão democrática e inclusiva", concluiu.

Ilustração com logomarca da COP 28

Cooperativismo ganha espaço na COP 28

A agenda do governo brasileiro durante a 28ª Conferência sobre Mudanças Climáticas da ONU, a COP 28, contará com participação ativa e destacada do cooperativismo. São três diferentes painéis programados para apresentações no Espaço Brasil, além de um quarto organizado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) que prometem dar visibilidade às soluções promovidas pelo movimento brasileiro em prol do desenvolvimento sustentável, econômico e inclusivo. A COP 28 acontece em Dubai, nos Emirados Árabes, de 30 de novembro a 12 de outubro com a participação de 80 mil delegados dos 195 países membros da ONU.

A participação é resultado da atuação do Sistema OCB, com o apoio das Organizações Estaduais (OEs) para inserir o cooperativismo na agenda de participação do Brasil no evento. O pavilhão do país, organizado pelo governo federal, unificará as participações do Estado, sociedade civil e setor produtivo. Uma concorrida seleção foi feita pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) para definir a programação. Foram recebidas mais de 700 propostas para as 120 vagas disponíveis. “A realização da Imersão em Cooperativismo Pré-Cop 28 no Paraná e Pará, além da realização de diversas reuniões com órgãos do governo, conseguimos garantir uma agenda de participação bastante positiva para o movimento”, afirmou João Marcos Silva Martins, coordenador de Relações Internacionais do Sistema OCB.

Para o presidente Márcio Lopes de Freitas, o espaço conquistado pelo cooperativismo na conferência reflete a importância que o modelo de negócios tem para a preservação ambiental. “Faz parte da natureza do cooperativismo a busca e a implementação de soluções que conciliem o desenvolvimento econômico com o combate ao aquecimento global e a preservação do meio ambiente. Somos, definitivamente, parte da solução no que diz respeito às questões climáticas, tanto que já somos referência mundial na produção sustentável. O agronegócio cooperativo é pautado em sustentabilidade e no desafio de alcançar uma economia neutra em carbono, com destaque para a redução das emissões de metano”.

O painel Cooperativas: aliadas da sustentabilidade ambiental e segurança alimentar será totalmente coordenado pelo Sistema OCB. Ele será realizado no dia 9 de dezembro e terá 1h30 de duração. Serão apresentados cases de sucesso das cooperativas Cooperacre, Frimesa e das cooperativas de crédito brasileiras, e, ainda, relatos de representantes da Alinça Cooperativa Internacional (ACI) da África e Europa. O painel será mediado pela superintendente Tania Zanella e terá também a participação do presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Jorge Viana.

Além do painel do cooperativismo, o Sistema OCB também foi convidado a participar de dois outros coordenados pelos ministérios do Meio Ambiente e Agricultura (Mapa). No dia 5 de dezembro, a analista técnica e especialista em meio ambiente, Laís Nara Castro, irá compor o quadro de palestrantes do painel Proteção e Participação Social construindo resiliência às Mudanças Climáticas, organizado pelo MMA. Já no dia 11, o Mapa promove o painel Plano ABC+ e seu papel na segurança Alimentar. A gerente-geral do Sistema OCB, Fabíola Nader Motta fará apresentação sobre as contribuições das cooperativas agropecuárias no fortalecimento do principal programa do governo voltado à agricultura de baixo carbono.

Fabíola também participará, ainda no dia 11, do painel As contribuições da Economia Social e Solidária para os ODS: o papel da política comercial, promovido pela OMC. A apresentação será sobre os impactos do comércio internacional das cooperativas brasileiras para o desenvolvimento sustentável do país, com detalhes das ações práticas realizadas com esse propósito.

Participação do cooperativismo na COP 28:

05/12, terça-feira, 10h30 de Dubai - 3h30 de Brasília
Proteção e Participação Social construindo resiliência às Mudanças Climática - Coordenado pelo Ministério de Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA)
Laís Nara Castro, analista técnica e especialista em meio ambiente do Sistema OCB, apresenta um panorama das soluções brasileiras que impactam o desenvolvimento sustentável.
Trasmissão ao vivo pelo canal do MMA no Youtube

09/12, sábado, 13h30 de Dubai - 6h30 de Brasília
Cooperativas: aliadas da sustentabilidade ambiental e segurança alimentar - Coordenado pelo Sistema OCB
Mediação: Tania Zanella, superintendente do Sistema OCB
Susanne Westhausen, Presidente da Aliança Cooperativa Internacional para a Europa
Sifa Chiyoge, Diretora-Geral da Aliança Cooperativa Internacional para as África
Sebastião Nascimento de Aquino, Membro do Conselho da cooperativa Cooperacre
Marcelo Cerino, Superintendente de Logística Integrada da Central Cooperativa Frimesa
Ênio Meinen, Diretor de Coordenação Sistêmica e Relações Institucionais do Sicoob
Trasmissão ao vivo pelo canal do MMA no Youtube

Dia 11/12, segunda, 10h30 de Dubai - 3h30 de Brasília
Plano ABC+ e seu papel na segurança Alimentar - Coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa)
Fabíola Nader Mota, gerente-geral do Sistema OCB, apresenta as contribuições das cooperativas brasileiras no fortalecimento do principal programa do governo voltado à agricultura de baixo carbono.

Dia 11/12, segunda, 13h30 de Dubai - 6h30 de Brasília
As contribuições da Economia Social e Solidária para os ODS: o papel da política comercial - coordenado pela Organização Mundial do Comércio (OMC)
Fabíola Nader Mota, gerente-geral do Sistema OCB, apresenta os impactos do comércio internacional das cooperativas brasileiras para o desenvolvimento sustentável do país.

Acompanhe toda participação completa do Sistema OCB na COP 28 no site Cooperação Ambiental. 

GT Ambiental discute neutralidade de carbono

O Grupo de Trabalho Ambiental do Sistema OCB reuniu especialistas em um encontro dedicado à discussão sobre práticas, oportunidades e desafios para alcançar a neutralidade de carbono. O evento aconteceu na sexta-feira (24) e teve como público técnicos e cooperativas agropecuárias das Organizações Estaduais (OCEs) integrantes do GT Ambiental, com o intuito de fornecer clareza acerca do assunto às cooperativas. A constante evolução da legislação e do marco de carbono foi considerado durante toda a reunião e o evento buscou informar e incentivar ações concretas por parte das cooperativas no sentido de inventariar e monitorar as emissões de gases de efeito estufa (GEE). Ao todo, o evento contou com 55 participantes.

Leonardo Munhoz, doutor em Direito Ambiental e pesquisador do Observatório de Bioeconomia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), trouxe para discussão o surgimento do mercado de carbono e destacou a relação entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Ele enfatizou o potencial do Brasil no cenário global, especialmente ao considerar a regulação de áreas protegidas, o que poderia posicionar o país no mercado de carbono voluntário. "Nosso país é o único no mundo que possui um Código Florestal com esse tipo de obrigação. Nos Estados Unidos, por exemplo, o agricultor americano não possui obrigação legal de ter uma reserva em sua propriedade. Caso o Brasil faça essa regulação de áreas protegidas, será possível adentrar ao mercado de carbono voluntário, sendo vitrine para o mundo", explicou.

Lucas de Souza, integrante do Centro de Estudos em Sustentabilidade de FGV, apresentou o inventário organizacional de GEE, utilizando o método GHG Protocol adaptado ao contexto brasileiro. Ele ressaltou a importância de estimular uma cultura corporativa de inventário de emissões para proporcionar instrumentos padrões de qualidade internacional às organizações. Para ele, essa é uma ferramenta de gestão que implementa o processo de melhoria interna, com redução de emissões, economia de recursos e aumento da eficiência. "Entendemos que as organizações são atores chave no combate às mudanças do clima. Observamos o número crescente de organizações interessadas em relatar de forma transparente a sua responsabilidade nas emissões globais do GEE", disse.

Marco Morato, coordenador de Meio Ambiente e Energia do Sistema OCB, ressaltou a eficiência como um ponto crucial, tendo em vista as emissões de carbono. Ele salientou a importância de medir para gerenciar. "O inventário mostra quais são os pontos sensíveis e onde é possível melhorar para aumentar a eficiência do processo", afirmou.

Eduardo Assad, também pesquisador do Observatório de Bioeconomia da FGV, concentrou sua apresentação no nível da propriedade e destacou as tecnologias da agricultura de baixo carbono como um caminho para a neutralidade. Ele abordou o impacto das mudanças climáticas e explicou os benefícios do plano ABC e de metas de mitigação até o ano de 2018. Para ele, não é possível assegurar neutralidade nas tecnologias de baixo carbono, uma vez que elas não são permanentes, mas é possível assegurar o carbono. "O carbono neutro é um caminho longo a ser percorrido, mas está tudo pronto, só precisamos começar a discutir isso", declarou.

 

Sistema OCB participa do Coopera+MT

O seminário Coopera+MT, A força do Cooperativismo Mato-Grossense, aconteceu nessa quinta-feira (23) em Cuiabá. O intuito do encontro foi aprimorar a gestão das cooperativas e manter a competitividade e, principalmente, debater os desafios de uma economia célere. Além disso, o evento buscou promover a valorização do cooperativismo.

Fabíola Nader Motta, gerente-geral do Sistema OCB, participou do encontro e apresentou as Tendências do Cooperativismo e, também, o desafio BRC 1 TRI. Ela explicou que é necessário que exista um conhecimento geral sobre as novas tendências para que o futuro seja mapeado. "Vamos estar mais prontos para uma novidade ou uma tecnologia que faça sentido para nosso sistema. É preciso pensar o que funciona, seja para o consumidor, para o cliente ou para o cooperado, porque o que faz sentido é o que gera valor", afirmou.

O presidente do Sistema OCB/MT, Onofre Cezário de Souza Filho, falou sobre o caminho percorrido pela instituição nos últimos 50 anos. "A história construída até aqui fala sobre solidez, intercooperação e prosperidade. A partir de agora, é tempo de pensar no futuro e trabalhar com uma economia cada vez mais circular, aberta à novas tecnologias e à possibilidade de agroindustrialização", disse.

A conferência colocou a governança cooperativa em foco, com discussões sobre a importância de uma gestão com boas práticas e seu impacto direto no crescimento sustentável do cooperativismo. Além disso, a programação contou com salas temáticas dedicadas à ramos de atividade do movimento, com o intuito de criar uma experiência de imersão em temas relevantes e segmentos específicos. Especialistas e líderes de cada setor puderam fomentar parcerias e tratar sobre colaborações entre si.

O Ramo Crédito tratou sobre O cooperativismo no futuro das moedas digitais e Oportunidades para investimentos e desenvolvimento. No Agro, a reunião teve como tema A viabilidade de armazéns para as cooperativas e alternativas de financiamento. O sistema de saúde brasileiro no cenário futuro foi a abordagem do Ramo Saúde. Em Transportes, a discussão focou no Cenário de logística em MT e o impacto para as cooperativas do segmento e conversou sobre a temática Como atrair e manter profissionais associados.

Também foi reservada uma sala para abordar o trabalho das cooperativas minerais. A abordagem das discussões teve como tema central A origem do Ouro: rastreabilidade e sustentabilidade.

Cooperativas minerais são destacadas em fórum mundial

O Sistema OCB participou do IGF 19th Annual General Meeting (Fórum Intergovernamental sobre Mineração, Minerais, Metais e Desenvolvimento Sustentável), realizado em Genebra, na Suíça, entre os dias 7 e 9 de novembro. O encontro, organizado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, reuniu mais de 80 países e teve como foco a discussão sobre a transição energética e os problemas de governança enfrentados pelas nações mineradoras e outras partes interessadas. A presença do cooperativismo brasileiro ressaltou sua importância estratégica na organização do garimpo e desenvolvimento do setor.

A Casa do Cooperativismo foi representada por Gilson Camboim, coordenador da Câmara Temática das Cooperativas Minerais do Sistema OCB. Ele participou do painel Gerenciando Melhor a Mineração Artesanal e de Pequena Escala, que contou também com representantes do Departamento de Estado americano, de Serviços Governamentais da Guiana Francesa e do Ministério de Energia e Recursos Minerais da Indonésia. As apresentações focaram nos dados que envolvem o cenário de minerais críticos e como a mineração de grande escala pode compartilhar benefícios com a Mape. Também foram apresentadas pesquisas do IGF sobre o gerenciamento e reprocessamento de rejeitos de operações de ouro no setor, incluindo o gerenciamento de mercúrio.

A apresentação de Camboim teve como tema O melhor gerenciamento da Mineração Artesanal e de Pequena Escala (Mape). Ele destacou a importância das cooperativas minerais no Brasil e reforçou que o modelo visa o bem-estar das pessoas, a proteção ambiental, a distribuição justa de renda e a inovação sustentável. "As cooperativas desse ramo possuem grande comprometimento no cuidado com as pessoas, geram emprego e promovem o desenvolvimento econômico das comunidades locais. Elas estimulam novas atividades e criam oportunidades em setores correlatos como turismo, agricultura e comércio", explicou.

Camboim também afirmou que as cooperativas estão sempre em busca de tecnologias mais sustentáveis e eficientes, com a finalidade de reaproveitar os bens minerais. "Elas possuem esse compromisso com a inovação e tornam possível a exploração dos recursos minerais de forma responsável, preservando o meio ambiente e construindo um futuro mais sustentável". Segundo ele, as cooperativas minerais representam uma força que ultrapassa as fronteiras da atividade em si. “Elas promovem inclusão, equidade e prosperidade”, complementou.

Atualmente, o Sistema OCB representa 71 cooperativas minerais, com mais de 66 mil garimpeiros cooperados que atuam em diversas substâncias minerais. Além disso, essas cooperativas geram 242 empregos diretos, entre assessores e funcionários que orientam os garimpeiros em melhores práticas de extração dos minérios. No total, o segmento faturou R$ 1,3 bilhões em 2022, conforme os dados do Anuário do Cooperativismo Brasileiro. Mais de R$ 5,8 milhões de toneladas de minérios foram comercializados, dentre eles ouro, estanho, quartzo e diamante. Além disso, renderam R$ 74 milhões para os cofres públicos no ano passado, com os royalties da mineração. São 505 títulos minerários (áreas legalizadas) em produção (concessão de lavra, permissão de lavra garimpeira e licenciamento).

imagem site coop

Imersão Pré-COP 28: participantes elogiam e compartilham experiências

Os resultados e as experiências vivenciadas pelos agentes do governo federal durante a Imersão Pré-COP 28, coordenada pelo Sistema OCB entre os dias 15 e 20 de outubro no Paraná e Pará, foram compartilhados em reunião realizada na Casa do Cooperativismo nesta quarta-feira (1º). O entusiasmo e a certeza de que o cooperativismo é um modelo de negócios inclusivo, centrado nas pessoas e capaz de garantir a produtividade com sustentabilidade foram evidenciados nos testemunhos apresentados pelos representantes do governo participantes.

“Vemos no cooperativismo a vivência, a manutenção, a conservação e a preservação da biodiversidade. Um trabalho com responsabilidade social que merece ser celebrado”, destacou  Edel de Moraes, secretária Nacional de Comunidades e Povos Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério de Meio Ambiente (MMA). Para ela, a imersão mostrou a importância de reconhecer e enfrentar os desafios que a região Norte enfrenta. "Acredito que o crescimento do movimento precisa ser incentivado. O cooperativismo pode ser uma ferramenta poderosa para colaborar com questões como a assistência técnica, por exemplo, e de promoção do desenvolvimento sustentável da região", declarou.

O MMA também foi representado por Alan Milhomens, coordenador geral do Departamento de Combate à Desertificação, na Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável, que enfatizou a importância de se adotar uma perspectiva diferenciada para a produção no espaço rural. "A visão do Sistema OCB sobre experiências e esforços coletivos se baseia em uma estratégia de negócios que atrai pessoas, projetos e parcerias voltadas para a sustentabilidade. As cooperativas buscam conquistar políticas públicas que contriburam para proporcionar melhor qualidade de vida aos cooperados e às pessoas ao seu redor, e merece nossa atenção”, relatou.

Ainda do MMA, a coordenadora de Projetos do Departamento de Desenvolvimento Rural Sustentável, Solange Ferreira Alves, falou sobre a relevância das cooperativas na manutenção da biodiversidade e na conservação das matas. "A gente pôde ver que as cooperativas trabalham de forma muito aplicada para produzir de forma sustentável. Foi muito interessante ver a preocupação com a preservação ambiental. Acredito que a gente pode dar continuidade ao trabalho de forma conjunta para fortalecer essas práticas".

Filipe Viriatto, auxiliar de projetos na Agência Brasileira de Cooperação (ABC), falou sobre  a importância de conhecer a realidade por meio de iniciativas como a imersão realizada e de aproximar os agentes públicos das dificuldades das comunidades. "Vivenciar a realidade por meio dessa experiência foi uma oportunidade para estarmos mais próximos e entender quais são as carências das comunidades e promover soluções mais eficazes. Foi uma viagem magnífica e a experiência que vislumbrou mais vontade de estar mais próximo, proporcionando soluções para fortalecer ainda mais o trabalho desenvolvido”, afirmou.

Thiago Arcebispo, chefe substituto da Coordenação de Promoção da Imagem do Ministério da Agricultura (Mapa), ressaltou o engajamento das cooperativas visitadas no desenvolvimento de ações sustentáveis e verdes e citou o cooperativismo como um precursor na melhoria das condições sociais e no desenvolvimento das regiões mais remotas. "É essencial utilizar o modelo de negócios do cooperativismo como um exemplo para o mundo", reiterou.

Por sua vez, Eduardo Dalbosco, coordenador geral de Articulação e Desenvolvimento de Programas e Ações de Apoio ao Empreendedorismo do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDES), lembrou o princípio cooperativista de cuidar das pessoas e seu papel fundamental na inclusão social. "O cooperativismo oferece uma oportunidades efetivas de inclusão social. Ele gera condições para uma sociedade mais justa e igualitária".

O depoimento do coordenador de Cooperativismo e Associativismo do Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA), Alex Kawakami, destacou as trocas realizadas durante a imersão foram extremamente ricas e contribuíram de forma efetiva para a formulação de futuras políticas públicas voltadas ao movimento. “Alguns desafios são muito complexos, mas as trocas que experimentamos nesses dias trouxeram perspectivas muito positivas para o nosso trabalho”.

Lúcia Michels, representante do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), destacou a diversidade de realidades observadas durante a imersão e ressaltou a necessidade de dar atenção especial ao Pará. "Nosso ministério se coloca à disposição para agir em conjunto com as cooperativas e desenvolver abordagens específicas para atender às demandas das diferentes regiões".

 

Boas práticas

Os objetivos e resultados da imersão também foram destacados pela equipe do Sistema OCB. Fabíola Nader Motta, gerente-geral, expressou sua satisfação pelas oportunidades que a imersão gerou e enfatizou a necessidade de intensificar os esforços para promover o movimento. "A cooperação constrói um mundo mais sustentável e inclusivo. Por isso, buscamos promover continuadamente um espaço permanente de diálogo com o governo para demonstrar o impacto socioeconômico do nosso movimento no desenvolvimento do Brasil ", disse.

A gerente citou ainda a reunião com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social(BNDES), Aloizio Mercadante, realziada no último dia 27 de outubro. Para ela, o encontro foi muito positivo no que diz respeito à busca por melhoria nas ações econômicas que visam aprimorar iniciativas no Norte e Nordeste do país. "Mercadante ouviu nossas demandas e pediu apoio do Sistema para construir estratégias que visem aprimorar o  desenvolvimento dessas regiões", falou.

O coordenador de Relações Governamentais, Eduardo Queiroz, apontou que o coop possui um ciclo virtuoso que envolve união, propósito e prosperidade, para impulsionar o crescimento, gerar trabalho e renda, e beneficiar as comunidades onde estão localizadas. “Planejamos essa imersão para mostrar de forma prática os diferenciais do cooperativismo e conquistar porta-vozes para o movimento tanto em nível nacional quanto internacional. Queremos participar cada vez mais atividade da construção de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento sustentável do nosso país, explicou.  

Como resultado da iniciativa, Eduardo anunciou que o Sistema OCB participará com um painel no Pavilhão Brasileiro da COP-28. "Vamos apresentar os compromissos das cooperativas com os temas de sustentabilidade e ESG. A nossa ideia é levar esse conhecimento também para todo o Brasil e fortalecer o posicionamento do cooperativismo em nível internacional", assegurou.

Fundo da Amazônia é tema de encontro com o BNDES

A busca de oportunidades para o cooperativismo no Fundo da Amazônia foi tema da reunião de aproximação institucional entre o Sistema OCB e o superintendente de Meio Ambiente do Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES), Nabil Moura Kadri, nesta terça-feira (31). O fundo está aberto para novas propostas com foco em agricultura familiar e comunidades tradicionais e a entidade quer aproveitar a oportunidade para apresentar propostas voltadas ao desenvolvimento de projetos e produtos cada vez mais sustentáveis para a região Norte.

Os coordenadores de Relações Governamentais, de Relações Internacionais e de Meio Ambiente, Eduardo Queiroz, João Marcos Silva Martins e Marco Morato apresentaram o trabalho desenvolvido pelo Sistema OCB para diagnosticar os desafios e conquistas das cooperativas brasileiras, com ênfase nos três pilares da sustentabilidade: social, econômico e ambiental.

“Promovemos a capacitação e o desenvolvimento das cooperativas nos temas de ESG, gerando grandes impactos socioeconômicos e ambientais para as pessoas e comunidades”, explicou Eduardo Queiroz, acrescentando que as cooperativas exercem papel fundamental no alcance dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Agenda 2030 da ONU, para o combate à fome, a garantia da segurança alimentar e a melhoria da nutrição mundial, por meio da produção agropecuária sustentável.

Marco Morato lembrou que o Fundo da Amazônia é fundamental para o apoio de projetos que envolvem a preservação ambiental e a produção sustentável, e citou cases de cooperativas beneficiadas nos últimos anos, como o da Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (Camta). “Ela aumentou a sustentabilidade da sua produção, melhorou o microclima e promoveu a recuperação da biodiversidade, fauna e flora da região onde está localizada”, relatou. Ele também apresentou o Programa de Negócios do Sistema OCB, que, por meio de consultorias especializadas e gratuitas, realiza o diagnóstico e propõe soluções para as principais demandas das cooperativas.

O protagonismo do cooperativismo na agenda ambiental, devido à sua capacidade de aliar produtividade e desenvolvimento com responsabilidade social, equilíbrio ambiental e viabilidade econômica foi abordado por João Marcos Martins. “Como resultado do nosso trabalho, na COP 28 conseguimos ter um painel selecionado para o Espaço Brasil, que abordará o trabalho das cooperativas para a segurança alimentar aliada à sustentabilidade ambiental.”

Nabil recebeu com atenção as informações prestadas pelos representantes do Sistema OCB e elogiou as iniciativas do movimento cooperativista em prol da sustentabilidade. Com o visível alinhamento de agendas, a OCB se comprometeu em estruturar e apresentar um projeto para ser discutido sobre oportunidades de participação e fortalecimento do papel das cooperativas no Fundo da Amazônia.

Na sexta-feira (27), o Sistema OCB participou de reunião com o presidente do BNDES, Aloízio Mercadante, que reforçou os interesses de parceria do banco com o cooperativismo. “Temos um verdadeiro compromisso com o modelo cooperativista e com o que ele representa para a inclusão produtiva e financeira do Brasil. Queremos ser parceiros para valer”, declarou

Sistema OCB marca presença na Expoalimentaria

O Sistema OCB participa esta semana da Expoalimentaria, uma das maiores feiras de alimentos, bebidas, maquinaria, embalagens e serviços relacionados à indústria de alimentos e bebidas na América Latina, realizada em Lima no Peru. Desde terça-feira (26) e até esta sexta (29), três cooperativas brasileiras participantes do Programa de Qualificação para Exportação de Cooperativas (PeiexCoop), Cooates (PE), Coocaminas (MG) e Carmocer (MG),  viveciam sua primeira experiência em uma feira internacional.

O Sistema OCB custeou passagens e seguro viagem, além do envio das amostras dos produtos desenvolvidos pelas cooperativas para o Peru. Elas participaram do Pavilhão Brasil no Espaço da Sociobiodiversidade. “A Expoalimentaria atrai expositores e visitantes de todo o mundo e, por isso, é um importante ponto de encontro para quem deseja explorar negócios no mercado latino-americano. Ela desempenha um papel crucial na conexão de produtores, exportadores, importadores e profissionais do setor”, explicou a analista de Negócios do Sistema OCB, Layanne Vasconcellos.

Além da participação na feira, as cooperativas também estiveram presentes no Encontro Empresarial Brasil-Peru, realizado no dia 26. O evento contou com palestras que trataram de oportunidades geradas pela Rota Interoceânica, estrada binacional que liga o Atlântico ao Pacífico pelo Noroeste do Brasil até o litoral sul do Peru, a partir do Acre; as oportunidades e desafios para o comércio de alimentos brasileiros no Peru; e o porto de Chancay, que representa uma nova rota logística do Pacífico Sul.

A Cooperativa de Trabalho Agrícola, Assistência Técnica, Produção, Bens e Serviços (Cooates) foi fundada em 2000 e se destaca na produção sustentável e ética de mel extraído das floradas do Manguezal, Mata Atlântica e Caating, e própolis vermelho. A cooperativa também está envolvida na produção de mudas nativas da Mata Atlântica para ações de reflorestamento e tem um forte compromisso com a geração de emprego e renda para a comunidade local.

Fundada em 2006, a Cooperativa dos Pequenos Cafeicultores de Poço Fundo e Região (Coocaminas) tem como missão valorizar a agricultura familiar por meio de serviços de qualidade para seus cooperados. Ela se destaca por seu compromisso com os pequenos produtores e a certificação Fairtrade, sendo parte de um movimento que valoriza o pequeno produtor e promove a sustentabilidade na produção de café.

A Cooperativa dos cafeicultores de Carmos do Paranaíba (Carmocer), por sua vez, nasceu em 2001 e, desde a sua fundação, tem como propósito integrar, desenvolver e conectar pessoas, influenciando a transformação e a evolução da cultura do café. Seus cooperados prezam oelo compromisso com as boas práticas agrícolas e segurança alimentar, para produzir um produto de qualidade e seguro para nossos clientes. 

A Cooperativa Nacional de Produção e Agroindustrilização (Coopaita), de Itaberaba, na Bahia, se destaca na produção de abacaxi pérola in natura e frutas desidratadas. Seus representantes não puderam participar da feira no Peru, mas enviaram seus produtos para serem expostos no estande brasileiro.

Sistema OCB participa de feira de artesanato no Ceará

O Sistema OCB estará presente na 5ª edição da Fenacce - Feira Nacional de Artesanato e Cultura, que acontece de 26 de setembro a 01 de outubro no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza. O estande institucional da entidade, denominado como Loja Cooperativa, contará com a participação de dez cooperativas de artesanato para a promoção de acesso a novos mercados e expansão de negócios.

A Fenacce é reconhecida por impulsionar negócios com inovação e sustentabilidade no segmento de artesanato brasileiro. Além disso, a feira empreende em novas iniciativas, gera oportunidades de negócios e contribui para debates e potencialidades do setor, agregando valores culturais e impulsionando o fortalecimento de pequenos negócios.

“Trata-se de uma oportunidade única para divulgar os produtos das nossas cooperativas em um evento totalmente dedicado ao artesanato brasileiro”, afirma o analista de Negócios do Sistema OCB, Jean Fernandes.

 “O estande do Sistema OCB é exemplo de como há riqueza na diversidade de histórias e cultura por trás dos produtos expostos das cooperativas de artesanato”, complementou a também analista de Negócios, Dayana Rodrigues.

Confira a matéria completa em https://negocios.coop.br/mercado-nacional/cooperativas-de-artesanato-participam-da-fenacce/

 

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Presidente do Sistema OCB faz abertura do 7º EBPC

O 7º Encontro Brasileiro de Pesquisadores em Cooperativismo (EBPC) teve início nesta segunda-feira (18) na sede da Finatec - Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos da Universidade de Brasília (UnB). Até quarta-feira (20), os 72 projetos de pesquisa sobre o cooperativismo aprovados pela banca avaliadora serão detalhados por seus autores. Com o tema central Sustentabilidade no cooperativismo: competitividade, inovação e diversidade, a programação conta ainda com painéis sobre inovação e compliance e rodas de conversa com cooperativas .

A abertura do evento foi feita pelo presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas. Ele ressaltou a importância do EBPC para o fortalecimento do cooperativismo no Brasil. “O tema deste ano reflete o compromisso crescente das cooperativas em enfrentar os desafios do século 21 e prosperar de maneira sustentável. A investigação científica focada nas necessidades e desafios das cooperativas, com certeza, nos ajudará na formulação e defesa de políticas públicas mais eficazes , bem como de soluções alinhadas com as demandas reais das nossas cooperativas e cooperados. Esse evento, portanto, é mais um marco importante em nossa jornada conjunta para fortalecer e promover o cooperativismo no Brasil”, ressaltou.

O presidente lembrou que o grau de desenvolvimento do cooperativismo brasileiro tem atingido patamares significativos. “Já somos mais de 20 milhões de cooperados. Na agricultura, 54% dos grãos produzidos no país são originados nas cooperativas. No crédito, estamos em lugares onde somos a única instituição financeira disponível”, afirmou. Para ele, a pesquisa é fundamental para que o cooperativismo possa continuar sua jornada em busca do bem comum e da prosperidade de todos. “Nossas pesquisas são ousadas. Sem ousadia não há prosperidade. Cooperativismo é coisa de gente, cada região tem sua expertise, sua característica e perfil humano. Por isso, precisamos trabalhar nesses perfis. Esse é nosso desafio”, acrescentou.

Ainda segundo ele, a relevância do encontro vai além do ambiente acadêmico. “Valorizamos profundamente o empenho dos pesquisadores e acreditamos que os estudos de cada um enriquece ainda mais o conhecimento no campo do trabalho compartilhado e coletivo. Por isso, esse evento reflete também o compromisso do Sistema OCB em promover a pesquisa e a educação, pilares essenciais para o crescimento do nosso movimento. Receber 177 trabalhos nos dá muito orgulho e satisfação.”, completou.

Tania Zanella, superintendente do Sistema OCB, afirmou que a base acadêmica é primordial para construir o cooperativismo do futuro. “Por isso, o EBPC é uma prioridade em nossas ações e reconhecemos o trabalho de cada um para fazer a diferença e mostrar a diversidade que o cooperativismo oferece à sociedade. Os resultados dessas pesquisas vão contribuir de forma significativa para construirmos nossas propostas e consolidar ações. É daqui que nasce a base para fazermos um cooperativismo cada vez mais sustentável”.

Também participaram da mesa de abertura do 7º EBPC, Kesia Braga, gerente de Sustentabilidade e Economia, da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) , a coordenadora do Científico do EBPC, professora Valéria Bressan, o secretário de Meio Ambiente da Universidade de Brasília, professor Pedro Henrique Zuchi, e a coordenadora-geral de Engenharias e Tecnologias, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Kristiane Mattar Accetti Holanda.

Kesia Braga considerou em sua fala que é fundamental melhorar a qualidade de vida das pessoas e entender a sustentabilidade como oportunidade para melhorar a vida das pessoas. “O fortalecimento do cooperativismo vem ao encontro do tema escolhido para este EBPC. Precisamos mesmo debater, analisar e pesquisar. É primordial avançar nesses temas e o número de projetos inscritos este ano é impressionante. É a celebração da pesquisa acadêmica brasileira”, afirmou.

Kristiane Holanda disse que todas as áreas do conhecimento científico que buscam melhorar a vida das pessoas é relevante e que os números do EBPC demonstram que a parceria é bastante frutífera. “Estamos no caminho certo. Que sigamos cooperando”, salientou. Já Pedro Henrique Zuchi, declarou que o tema da sustentabilidade perpassa por todos os demais temas e chega a palavra sobrevivência. “Sustentabilidade é fundamental para sobrevivência enquanto sociedade, nação, sociedade, planeta. A transformação se faz com pensamento cooperado. A cooperação nos dá força e transforma. O futuro é agora e precisamos ressaltar a importância do cooperativismo no nosso país”.

Valéria Bressan, por sua vez, reiterou que o tema do EBPC este ano está dentro do ESG e dos princípios da Organização das Nações Unidas (ONU). “Essas pesquisas são importantes para promover discussões que possam traçar metas para as cooperativas, discutir a intercooperação e trazer benefícios para a sociedade. Que tenhamos insights valiosos e discussões promissoras, com um futuro mais sustentável e inovador”, concluiu.

O objetivo do EBPC é estimular estudos direcionados à maior eficácia e eficiência nos processos das cooperativas para que elas atinjam novo patamar de competência por meio da percepção, avaliação e compartilhamento de conhecimentos e experiências. Ao todo, o 7º EBPC recebeu 177 trabalhos de autores das cinco regiões brasileiras. Os 50 melhores trabalhos foram premiados com passagens aéreas e hospedagem para o evento, como uma forma de incentivo para apresentação dos estudos.

O encontro acontece a cada dois anos e é direcionado aos pesquisadores, gestores e dirigentes de cooperativas, profissionais do sistema de aprendizagem e representação, e elaboradores de políticas públicas. Para quem deseja se preparar para participar das próximas edições, o Sistema OCB disponibiliza – de forma gratuita - em sua plataforma de aprendizagem, a CapacitaCoop, uma trilha com o Programa Pesquisa Científica do Cooperativismo. Ela é composta por cinco cursos: Estatística Básica; Fichamento, Resumo e Resenha; Como elaborar projetos de pesquisa; Escrita acadêmica; e Descomplicando o Lattes.

EBPC 2023 premia pesquisas em destaque

O Encontro Brasileiro de Pesquisadores em Cooperativismo (EBPC) chegou ao último dia da sua 7ª edição nesta quarta-feira (20). Foram três dias de apresentações de 67 trabalhos de pesquisa sobre o cooperativismo. Os artigos científicos do evento serão encaminhados à Revista de Gestão e Organizações Cooperativas (RGC) que irá convidar os autores para um processo de fast track e os autores convidados participarão de uma edição especial da revista para o EBPC.

Em uma enquete realizada durante o evento, de acordo com os congressistas, os desafios do cooperativismo que merecem maior atenção da comunidade de pesquisa brasileira são, em ordem de prioridade, a governança e preservação da identidade cooperativista (30%); a diversidade, equidade e inclusão (26%); a sustentabilidade e a economia circular (19%); a inovação e a transformação digital das cooperativas (17%); e o desenvolvimento do negócio e internacionalização das cooperativas (17%).

O evento premiou os melhores trabalhos em cada um dos eixos temáticos e, ainda, o melhor relato de experiência. Karla Oliveira, gerente geral do Sescoop foi convidada para realizar a entrega dos prêmios no encerramento do evento. Para ela, o EBPC destaca a relevância das pesquisas que podem impulsionar o cooperativismo no Brasil. "A diversidade de temas abordados nas pesquisas reflete a abrangência e o impacto do cooperativismo em diversas áreas da sociedade. As pesquisas desempenham um papel fundamental ao fornecer conhecimentos valiosos para o contínuo crescimento e desenvolvimento das cooperativas brasileiras", declarou.

Na categoria Contabilidade, Finanças e Desempenho, o prêmio foi para a temática Más Incorporações e o Mercado de Controle para Cooperativas de Crédito, de Bruno José Canassa, Davi de Moura Costa e Carlos Bonacim. Em Educação, Inovação e Diversidade, o título do trabalho premiado foi Satisfação do cooperativismo: percepções quanto ao respeito e a sexualidade, dos autores Ricardo Alberti e Vitor Kochhann Reisdorfer. A categoria Governança e Gestão premiou o trabalho Disclosure das Práticas de Sustentabilidade e o Desempenho Financeiro das Cooperativas de Crédito, de Bruno de Medeiros Teixeira, Luis Felipe Orsatto, Caroline Orth e Clea Beatriz Macagnan.

O prêmio na categoria Identidades Cooperativas e Direito Cooperativo foi para o trabalho Práticas de Compliance Relativas aos Cooperados em Sociedades Cooperativas, dos autores Tiago Fernandes Gomes e Vilmar Rodrigues Moura. Já na categoria Impactos e Contribuições Econômicas, Sociais e Ambientais, o trabalho com melhor desempenho foi Cooperativismo e seu papel na promoção de sistemas alimentares sustentáveis em países de língua portuguesa, de Alair Ferreira de Freitas. Para o melhor Relato de Experiência, o prêmio foi para Relato de Experiência na Veiling Holambra: A Mais Completa e Moderna Cooperativa de Flores e Plantas do Brasil, de Flávia Zancan e Davi R. de Moura Costa.

 Os trabalhos mostraram a riqueza e a diversidade dos temas abordados e ressaltaram a importância do cooperativismo em todas as áreas. As pesquisas refletem o compromisso com a inovação e o papel fundamental das cooperativas na construção de um futuro mais sustentável, inclusivo e diversificado.